sexta-feira, 27 de março de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
Como suturar lembranças...

Agora, criou um novo projeto que de tão mimoso dá vontade de comprar todos pra perfumar e guardar na gaveta. É uma plaquete "deluxe" com apenas 7 poemas dela. O nome é lindo: "Como suturar lembranças” e a tiragem é muito pequena (será um máximo de 20 exemplares).
Neste projeto, ela faz tudo "da confecção da capa dura até a costura, o que requer um pouco de tempo, e o estilo de cada exemplar é distinto, como se fosse uma peça de roupa. Os poemas têm uma atmosfera de suspense, e dialogam com o trabalho de artistas mulheres: Cindy Sherman, Lousie Bourgeois e Tracey Emin".
Você ficou com vontade ?Eu já pedi o meu...
arqueriaeditorial@yahoo.com.br
domingo, 22 de março de 2009
Olho de chama de vela...
Esqueça a tosse, desatente-se das meias vermelhas, mande os espirros pra debaixo do tapete. Escute Braz de peito aberto, imagine o vento nos cabelos e Anabela partindo pra não voltar nunca mais...
Anabela
(Mario Gil e Paulo César Pinheiro)
no porto de vila velha
vi anabela chegar
olho de chama de vela
cabelo de velejar
pele de fruta cabocla
com a boca de cambucá
seios de agulha de bússola
na trilha do meu olhar
fui ancorando nela
naquela ponta de mar
no pano do meu veleiro
veio anabela deitar
vento eriçava o meu pelo
queimava em mim seu olhar
seu corpo de tempestade
rodou meu corpo no ar
com mãos de rodamoinho
fez o meu barco afundar
eu que pensei que fazia
daquele ventre meu cais
só percebi meu naufrágio
quando era tarde demais
vi anabela partindo
pra não voltar nunca mais
Bailadô
Mário Gil pra deleitar
Quando em casa você estiver, quando o silêncio tomar conta de tudo, coloque o cd Voadeira da Mônica Salmaso e feche todas as cortinas e a retina. Lentamente entre pelos versos, pela letra desconcertante e permita-se descobrir Mário Gil e Stroeter, todos juntos ao mesmo instante...
Dançapé
(Mario Gil e Rodolfo Stroeter)
Bumba tamborzêro, êá
Tantã atabaque, êá
Ê rum dá rê ô (Bis)
Dança cunhãzinha, iáiá
Curuminho canta, iôiô
Ê rum dá rê ô (Bis)
Aruá
Aiê
Batucajé
Dança dançadêra, êa
Arirê candeia, êa
Ê rum dá rê ô (Bis)
Enibaraô camará
Ogunhê cungú camará
Ê rum dá rê ô (Bis)
Ijexá
Jarê
Cabecilê
Mana Chica vai dançá
Sinhazinha vem sambá
Jongo, jeguedê, baião de dois
Côco, passa pé, rojão
Dança pra chovê, trovão
Na pancada do ganzá, êô
Cirandêro vem cirandá
Batuquêro vem batucá
Ê rum dá rê ô (Bis)
Roda bendenguêro êá
Bate pé tutu marambá
ê rum dá rê ô (Bis)
Alabê
Ajô
Batuquejê
O pandêro já tocô
Zabumbêro zabumbô
Ferro já berrô, ê agogô
Bailadô tem que bailá
Brasilêro vai dançá
Na pancada do ganzá, êô
Vozes e arranjo vocal: Amaranto
Violões: Quarteto Maogani (Paulo Aragão, Carlos Chaves, Marcos Alves, Marcus Tardelli).
Arranjo intrumental e arranjo vocal da introdução: Paulo Aragão
domingo, 15 de março de 2009
Era um homem grandioso...
Era um homem lindo pra se ter como pai, como MEU PAI.
Coração bandido
Coração roubado
um rio engolfou corpo adentro
uma tempestade transbordou do copo cheio
um litro de ar
meio litro de rio
e o coração ficou à deriva
Coração comprimido
o coração dá a vida
mas quando fraco fica
toma a vida
de 4 em 4 horas
Coração vendido
ERA UM CORAÇÃO DE OURO
MAS DEUS
VENDEU A PREÇO DE BANANA
NA FEIRA DE DOMINGO
Coração pintado
dra Gioconda tinha um sorriso enigmático.
mas, todos sabiam
o que ela queria dizer
(e não dizia)
Coração sem ponte
... sinto falta de entrelaçar os dedos com ele e sairmos a bailar. ele que nunca soube dançar, tinha uma filha que queria ser dançarina. era gostoso, tentar dois pra lá e dois pra cá e não conseguirmos, desistirmos e nos abraçarmos sorrindo. a dança , daqueles abraços, que fazíamos pós qualquer tentativa de dar os ares no salão, era infinitamente melhor do que qualquer exímio bailarino pudesse supor. com seus óculos inseparáveis (eu até achava mesmo que ele já tinha nascido com eles!) via tudo com suas lentes de aumento. e, mesmo com um coração sem saída, arrumava horas vagas para brincar de amor e declarar bem-querências aos quatro ventos... exímio marinheiro, sabia que o mar bravio era perigoso mas não invencível...NÃO PRECISAVA DE TRANSPLANTE
NEM DE MARCAPASSO
NEM DE PONTE DE SAFENA
AÍ , DEUS ACHOU QUE ELE NÃO PRECISAVA MAIS DE VIDA....
Coração passarinho
... naquela quinta feira, a médica de plantão me chamou na sala principal. eu seria a acompanhante noturna e deveria saber das condições dele. ele estava vivo, mas a doença estava numa fase terminal (aquilo queimou em mim, e foi muito difícil aparentar uma serenidade que eu estava longe de sentir) "ele poderia viver vários meses... " ( "como assim ? " era a mensagem que meu cérebro enviava ao meu coração, "que tempo é este que nos tira a esperança ? a pessoa que mais amamos ? " ) , ela tinha cabelos claros tingidos - na altura dos ombros, e disse-me baixinho "ele pode ainda, morrer como um passarinho, e nem sentir mais dor ..." (e meu coração, batendo alucinado, tentava enviar ao meu cérebro a lucidez que eu não mais tinha – eu era toda sentidos) "e a minha dor ? eu sou egoísta sim, ouviu ? eu quero que ele fique porque eu não quero sentir dor ! eu não quero que ele morra como um passarinho , eu não quero sentir a falta dele ! eu quero meu pai vivo, com dores ou sem dores, mas eu quero o colo dele, os olhos dele, a mão dele nos meus cabelos nos sábados à tarde, a benção da 6o feira santa após o almoço de Páscoa, os absurdos que ele imagina e quer que eu faça... ( e eu não fiz o quadro para a Dra Gioconda, que ele me pediu...) eu o quero vivo ... eu o quero neste mundo, porque o resto... o resto eu desconheço..." eu não chorei através dos meus olhos, mas minhas mãos crispadas e meu coração , já eram órgãos independentes em mim e soluçavam sem parar... voltei para o quarto engolindo o choro, não queria que ele me visse chorando... queria que se morresse como um passarinho a imagem que tivesse na retina fosse os meus olhos sorrindo. Fingi uma brincadeira, contei estóriasd e Humanos Encantados e Pequenas Princesas, falei sobre política (sem Paulo Maluf e FHC, pediu ele) sobre Cuba , sobre a próxima viagem que eu queria fazer (e ele falou para eu ir a Fernando de Noronha, que era o maior Paraíso da terra e as pessoas não se davam conta disto, vide eu que queria ir para as Ilhas Gregas !). Fiquei ali levantando e descendo o encosto da cama... agora sobe... agora desce... conforme ele me pedia... a noite gelada e ele querendo que as enfermeiras trouxessem um cobertor para eu dormir...mas eu não queria dormir... fiquei olhando para Céu através da janela esperando que tudo desse certo. Numa brincadeira infantil de antigamente, entre um intervalo de descanso coloquei o dedo na testa dele e disse: "diz agora o que você está pensando... sem tentar me enganar ! " ele esboçou um sorriso forçado, a boca seca , os dedos frios e falou "ah ,minha filha, eu estava aqui pedindo a Deus que me deixasse voltar pra casa" acho que foi o último pedido, e enquanto ele gemia eu ficava ali segurando a mão dele com a minha luvinha de criança (nesta hora me dei conta, de como minhas eram pequenas...) . Era uma hora da manhã, a noite estava fria, mas eu não sentia nada. Lá fora, a madrugada parecia tarde de outono, e algumas flores do lado de fora da janela, caiam de um galho alto , dezenas de florzinhas amarelas. De repente, a pressão se perdeu e os médicos tiveram que tirá-lo de perto de mim e encaminhá-lo para um outro andar, para uma outra sala. Ele foi de elevador, e eu corri pelos corredores escuros para encontrá-lo quando as portas se abrissem. Quando me viu, pediu-me para trazer as coisas dele, que haviam ficado na mesinha de cabeceira, era para pegar os chinelos ... e ... e ... eu fui soltando sua mão ... sabendo que ele estava partindo...
Coração dormido
foi numa madrugada de domingo: 01/07/2001 que ele partiu...
... não sei que horas dormi, pois não escutei o telefone tocar. Lembro-me apenas do Sidney (meu irmão) entrando no quarto e me chamando. Assustada , ergui a cabeça e perguntei desesperada - O QUE FOI ? ACONTECEU ALGUMA COISA ? - ele disse-me que não e pediu-me para levantar e ir até a sala para a mãe não acordar... chegando lá ele me abraçou e começou a chorar... "ligaram do hospital"- era 1:34 no relógio do vídeo, na sala - e pediram para irmos até lá... " - a sensação de NÃO... NÃO É VERDADE ELE DEVE TER MELHORADO... ( tudo mentira... a gente já sabia... ) mas ... QUEM SABE ELE PODERIA TER MELHORADO!!! ... no hospital - o jovem médico que nos atendeu (Dr Roberto) - com uma voz que tentava ser suave, mas rasgava o silêncio ensurdecedor da noite pelos corredores vazios da madrugada – disse que infelizmente o Sr Aloisio foi a óbito à 1:15 da manhã.... o senhor Aloisio... o meu pai...
Coração em vão...
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No rádio de um carro estacionado no pátio do hospital, com a manhã ainda a raiar, uma música tocava e me fez chorar repetindo baixinho ...
Você ainda é meu pai-amigo, meu herói antigo, meu salva-amor....
... aonde quer que eu vá ...
* * *
Coração puro
Atrás de tudo estão todos
Tudo que sou
Eu queria ser Ela
Mulher, menina, gazela
Eu queria ser Laura
Mas, sou apenas uma Sônia
Eu queria ser Madame Bovary
Mas, sou uma dama qualquer sem nome
Eu queria ser Beatriz
Mas, vago perdida no purgatório
Eu queria ser Maria
Mas, as estrelas passam longe do meu ventre
Eu queria ser Inêz
Mas, tal qual a bonina, morro antes do amanhecer
Eu queria ser qualquer uma
Mas, não sou nenhuma
Não sou ninguém
Sônia A.Dias - 29 de dezembro de 2001 17:30hs
Balada Feroz
sexta-feira, 13 de março de 2009
De Lira e cordéis , de fogo, encantados ...

Ali
Se Alice Me Visse Aqui...
Alice no País das Maravilhas...
Alice pura...
Lero-Lero
Dentro de Mim Mora um Anjo
Composição: Sueli Costa/Cacaso
Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
Dentro de mim mora um anjo
Que tem a boca pintada
Que tem as unhas pintadas
Que tem as asas pintadas
Que passa horas à fio
No espelho do toucador
Dentro de mim mora um anjo
Que me sufoca de amor
Dentro de mim mora um anjo
Montado sobre um cavalo
Que ele sangra de espora
Ele é meu lado de dentro
Eu sou seu lado de fora
Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
Dentro de mim mora um anjo
Que arrasta suas medalhas
E que batuca pandeiro
Que me prendeu em seus laços
Mas que é meu prisioneiro
Acho que é colombina
Acho que é bailarina
Acho que é brasileiro
Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
quinta-feira, 12 de março de 2009
Para não perder de jeito nenhum...
sábado, 7 de março de 2009
Grudados uns nos outros...

Descrição: Malone morre foi escrito em Paris durante os anos de 1947-48, em plena atmosfera do pós-guerra. Desde então, tem sido considerado pela melhor crítica como um dos romances mais avançados do século XX. Nele, Beckett leva suas experimentações formais a um nível de radicalidade máximo. Um livro tão denso e tão inventivo que só poderia ser traduzido por um grande poeta, como foi Paulo Leminski, que aqui soube reinventar a linguagem agonizante de Beckett.
A venda no Submarino e nas boas casas do ramo.
Rugindo, rasgando, roendo...
"Viver e inventar. Eu tentei. Acho que tentei. Inventar. Não é bem essa a palavra. Viver também não é. Seja. Eu tentei. Enquanto dentro de mim ia e vinha a besta feroz da seriedade, rugindo, rasgando, roendo. Eu fiz isso. E completamente sozinho, bem escondido, fiz o papel de palhaço, sozinho, hora após hora, imóvel, muitas vezes de pé, numa atitude de enfeitiçado, gemendo. Isso, gemendo. (...) Me perseguiam, eles, os maiores, os justos, me agarravam, me batiam, me faziam voltar para a roda, a partida, a alegria. Eu já era uma vítima da seriedade. Foi minha grande doença. Nasci sério como tem gente que nasce sifilítico. E foi com seriedade que tentei deixar de sê-lo, viver, inventar, eu sei o que estou dizendo. Mas a cada nova tentativa eu perdia a cabeça, me precipitava para minhas trevas como se fosse em direção a um santuário, me atirava aos pés daquele que não pode nem viver nem suportar o espetáculo dos outros vivendo."
No livro Malone Morre.
Tradução de Paulo Leminski.
SAMUEL BECKETT
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Cinemitologias
Durante o carnaval, tomando sol e lendo...
07.04
Tenho sonhado fotografias. Quando acordo, há centenas de imagens espalhadas pelo quarto. O cérebro funciona como uma polaroid. Tento juntar tudo pra ver se vira um videoclipe mudo.
Ademir Assunção - Cinemitologias
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Carnaval
Cair na estrada de madrugada. Ver o galo cantar na beira do mar. Chegar com os olhos fechando e abrir porta-malas. Guardar as coisas e tomar uma ducha rápida. Se o sol despontar: canga, sundown, sol e carnaval. Se o sol se fingir de morto: deitar na esteira e deixar as letras escorrerem cérebro adentro (às vezes, tem trechos que desembocam direto no coração). Camarão é uma delícia. Porquinho também. Todos os peixes são bem vindos. Água de coco, pra tomar no pé. No beiral do litoral, se a água tá fria, só os dedinhos resfriar. Depois, tomar coragem, se jogar céu adentro e se perder no mundo , tomando caldo e vento na cara. sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
white sweet may...
The Locust Tree in Flower
Among
of
green
stiff
old
bright
broken
branch
come
white
sweet
May
again.
WILIAM CARLOS WILLIAMS - Tradução Virna Teixeira
Se você, como eu, acha que o amor não tem tamanho e que uma plaquete cabe na palma da mão, mas é tecido pra longas horas... passe no Papel de Rascunho e fale com a Virna.
Tiragem exclusiva e limitada: 50 exemplares.
Eu já estou com o meu... That´s amore!
Rain Journal...
sentados nus juntos
na beira da cama
bebendo vodka
esta minha primeira cena real de amor
seu corpo tão bom
seus olhos triste amor estrelas
mas john
agora que estamos milhas separados
a descida de visões da montanha
e as ruas todas chovendo
e eu nos fundos de uma loja
fazendo ligações de graça pra você
que podemos fazer?
estalos dos fios de telefone me escurecem
e esta distância me assombra
e sim – estou miserável
e perdido sem você
dias inteiros gastos
refazendo o seu rosto
o som da sua voz
o toque do seu ombro
Rain journal: London: June 1965
sitting naked together
on the edge of the bed
drinking vodka
this my first real love scene
your body so good
your eyes sad love stars
but john
now when we´re miles apart
the come-down from mountain visions
and the streets all raining
and me in the back of a shop
making free phone calls to you
what can we do?
crackling telephone wires shadow me
and this distance haunts me
and yes – I am miserable
and lost without you
whole days spent
remaking your face
the sound of your voice
the feel of your shoulder
(Lee Harwood)
I only know that summer sings in me ...
Que lábios meus lábios beijaram, e onde, e por quê,
Eu esqueci, e que braços pendem até a alvorada
Sob a minha cabeça; mas nesta madrugada
A chuva está cheia de fantasmas, que suspiram e batem
Na vidraça e aguardam o que vou dizer,
E no meu coração repousa uma dor silente
Por rapazes esquecidos que não voltam novamente
Para mim com brados após o anoitecer.
Então no inverno permanece a árvore solitária,
Que não sabe quais pássaros têm desaparecido,
Ainda que seus galhos estejam silenciosos demais:
Não posso dizer quais amores têm vindo e partido,
Eu só sei que o verão canta em mim
Um pouco, que em mim não canta mais.
What lips my lips have kissed, and where, and why,
I have forgotten, and what arms have lain
Under my head till morning; but the rain
Is full of ghosts tonight, that tap and sigh
Upon the glass and listen for reply,
And in my heart there sits a quiet pain
For unremembered lads that not again
Will turn to me at midnight with a cry.
Thus in the winter stands the lonely tree,
Nor knows what birds have vanished one by one,
Yet knows its boughs more silent than before:
I cannot say what loves have come and gone,
I only know that summer sings in me
A little while, that in me sings no more.
EDNA ST VINCENT MILLAY
L'amour s'en van...
Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Et nos amours
Faut-il qu'il m'en souvienne
La joie venait toujours après la peine
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
Les mains dans les mains restons face à face
Tandis que sous
Le pont de nos bras passe
Des éternels regards l'onde si lasse
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
L'amour s'en va come cette eau courante
L'amour s'en van
Comme la vie est lente
Et comme l'Espérance est violente
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
Passent les jours et passent les semaines
Ni temps passé
Ni les amours reviennent
Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
A PONTE MIRABEAU
Sob a ponte Mirabeau corre o Sena
E nosso amor
É preciso trazê-lo à cena
Vinha sempre a alegria antes da pena
Venha a noite, soe a hora
Os dias se vão, não vou embora
De mãos dadas ficamos face a face
Enquanto que sob
A ponte dos nossos braços passa
Eternos olhares a onda tão lassa
Venha a noite, soe a hora
Os dias se vão, não vou embora
O amor se vai como água corrente
O amor se vai
Como a vida é lenta
Como a esperança é violenta
Venha a noite, soe a hora
Os dias se vão, não vou embora
Passam os dias e as semanas
Nem o tempo passado
Nem o amor acena
Sob a Ponte Mirabeau flui o Sena
Venha a noite, soe a hora
Os dias se vão, não vou embora
Tradução: Virna Teixeira
LE PONT MIRABEAU, Guiilaume Appoiinaire, gravação original (1911)
Love in the dark...
O Túnel
Esta noite, nada demora tanto—
o tempo não.
Houvesse um fogo,
ele queimaria agora.
Houvesse um paraíso,
eu não teria demorado.
Penso que luz
é a imagem final.
Mas tempo repete-se,
amor—e um eco.
Um tempo passa
amor no escuro.
Tonight, nothing is long enough—
time isn’t.
Were there a fire,
it would burn now.
Were there a heaven,
I would have gone long ago
I think that light
is the final image.
But time reoccurs,
love—and an echo.
A time passes
love in the dark.
ROBERT CREELEY
Tradução: Virna Teixeira
Place...
Place
Your face
In mind, slow love
Slow growing, slow
To learn enough
Patience to learn
To be here, to savor
Whatever distance is
Out there, without you
Here, here
By myself
Lugar
Sua face
Na mente, lento amar
Lento crescer, lento
aprender o bastante
Paciência para aprender
a estar aqui, apreciar
O que quer que seja a distância
lá fora, sem você
Aqui, aqui
Por mim mesmo.
Robert Creeley - Tradução: Virna Teixeira
That´s Amore
A bela Virna, mandou um Amore pra mim. A primeira sensação que tive ao tocá-lo foi pensar em taças espalhadas pelo chão, champagnhe levemente embriagante e um doce roçar na pele do homem amado. That´s Amore, of course.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Sobrando tempo...

sábado, 14 de fevereiro de 2009
Hábitos do Leitor
Recebi um email, do ótimo LENDO.ORG, e me dispus a responder os hábitos do leitor...
Quando eu não conheço o livro, eu o abro aleatóriamente em busca de uma palavra que me fisgue, uma frase que me envolva.
Sebo é um prazer, não pelo preço, mas pelas páginas amareladas puídas e cheias de marcas de outras vidas.
Eu gosto de emprestar livros, mas morro de medo de não me devolverem (e se não me devolvem eu passo anos pensando no livro perdido).
Eu tenho VÁRIAS edições do mesmo livro.
Alguns eu gosto mais, outros eu gosto menos, mas não consigo me desfazer de nenhum.
Eu não me obrigo a ler, leio quando quero, o que quero e do jeito que quero (às vezes, lia até debaixo do chuveiro, mas com este hábito parei...).
Eu tenho mais de mil livros, mas hoje são poucos que podem dormir comigo (meu marido é alérgico! )
Tenho hábitos estranhos de organização. Às vezes, organizo por cores, às vezes por autores, às vezes por ordem desordenada que só eu entendo...
Não tomo café, nem lendo.
Às vezes, eu leio um pedaço de livro , a começar pelo meio, antes de ler o livro inteiro.
Não ando sem livro, mesmo que seja um pequeno. Me aflige a idéia de não ter nada para fazer e nenhum livro pra ler.
Eu risco meus livros sem dó, mas com muito cuidado (mesmo os mais caros , pois para mim não existe livro intocável).
Alguns amigos me estranham, pois amo tanto meus livros que sou capaz de arrancar uma página que eu considero especial e dar para alguém que eu acho que não leu, para que esta pessoa descubra que precisa ler aquela obra de qualquer maneira...
Já fui capaz de sentar numa biblioteca com caneta e papel na mão e copiar toda a página (que outrora eu tinha arrancado) e fazer um trabalho artesanal de colagem para deixar meu livro inteiro de novo.
Eu não compro livro só porque está na mídia ou porque é moda ler determinado autor.
Eu compro livro que me chama e que me espanta na prateleira.
Gosto de deixar, entre as páginas dos meus livros antigos, alguma coisa perdida pra achar depois de muitos anos (pode ser uma foto, um bilhete para mim mesma, um ingresso de cinema, qualquer coisa que possa me emocionar sem que eu me lembre...)
Tenho mania de ler até bula de remédio, rótulos de xampoo, contra-capas, revistas, jornais, panfletos, homens placas e até revistas de arquitetura.
Eu não me importo em saber o final do livro, importa-me o desenrolar das letras.
Não consigo não ler.
Gosto de ficar em filas, para ter mais tempo pra ler.
Não fico enjoada de ler em pé, andando, de carro, de avião ou deitada no chão.
Além de ler os jornais, eu recorto tudo que me interessa pra reler depois quando a história já não for a mesma.
Eu entro numa livraria e me esqueço da vida.
Acho um charme, tomar um chocolate quente enquanto leio um livro que parece não acabar nunca...
Quero ser dona de um café literário que se chamará "Beata de Bião". Dentro dele haverá um portão de ferro, tipo o que tinha na casa da minha avó, no estilo rococó (que fazia barulho de nhenhenhém e tudo mais). Os visitantes poderão caminhar pelos cantos e recantos onde haverão livros espalhados que poderão ser folheados e emprestados como se fosse uma biblioteca pública. Nele, todos os livros estarão a venda (tanto os novos quanto os usados). Eu, poderei ficar horas falando sobre um texto, um poema, uma sensação inesquecível de leitura, como tagarela que sou. Nele, haverá um velha gorda, que fará bolinhos de chuva e que servirá chá de cidreira e outras gostosuras . Haverá um balcão, tipo boteco, pra que alguns possam tomar um gole de conhaque "que bota a gente comovido como diabo" e dali recitar um trecho que arranque uma dor do peito. As pessoas não precisarão responder a pergunta "posso te ajudar?". Sem pressa poderão escolher: emprestar , comprar ou simplesmente ler. Lá, haverá também algumas obras de arte (que eu mesma farei) ilustrando livros especiais (tipo o poema CASO DO VESTIDO do Carlos Drummond). Tenho vontade de fazer um vestido de voil e escrever todo o poema por entre tecidos e rasguras, em tinta vermelha e com tanta paixão que seja impossível não querer ler... E se alguém passar e perguntar "Nossa mãe, o que é aquele vestido, naquele prego?" eu responderei "Minhas filhas, é o vestido de uma dona que passou..."
Eu penso em fazer isto com tantos outros poemas, e tantos outros contos e tantos outros textos que acho que dinheiro mesmo, não passará por ali, será um café literário só de prazer...
Se me vicio num escritor, quero comprar tudo dele pra me apaixonar inteira, ou não.
Quando conheço uma biblioteca nova, tenho a mania de querer ler tudo de uma prateleira toda.
Alguns livros são para ser lidos com lágrimas nos olhos, com a dor de uma perda , com um coração que merece ser arrancado do peito de tanta dor...
Não suporto marcadores de livros... nunca lembro onde estão e geralmente não estão na página que parei.
Como marcadores, uso coisas estranhas. Tipo, um flyer , um cartão postal ou nada... e sempre sei onde parei.
Eu gosto de livro de cartas, embora me sinta um pouco atrevida por ler correspondências alheias.
Eu não suporto gente que dobra as páginas dos livros ou que deixe marcas de café ou de mão suja dentro deles.
Eu adoro quem grifa livros, porque tenho a sensação que estamos na mesma sintonia e paixão pelas letras.
Também tenho a estranha sensação de ler algumas páginas inteiras e não ter lido nada... não sei se porque a história está chata ou porque se eu estava em outro lugar naquele instante.
Já dormi lendo, hoje não leio mais para dormir.
Não tenho rituais de leitura, embora na imaginação, haja sempre um lugar especial onde eu gostaria de estar para ler determinada obra.
Existem livros que só podem ser lidos ao lado de alguém, bem baixinho com olho no olho... meteóricamente.
Já fiz um desenho de um barco no quintal , cheio de livros no convés, onde eu pudesse deitar e ler sem medo da chuva ou do mar bravio.
Não discrimino literatura, mas algumas coisas... "não li e não gostei!"
Às vezes, compro o livro pelo autor, pois não quero perder nenhum instante dele.
Tenho a sensação de que morrerei com um livro nas mãos...
Já chorei por ter que escolher entre livros ou alguém.
Hoje acho que estou acima de escolhas e que em algum lugar, sempre haverá um livro meu ou que ainda me pertencerá.
Livro de papel , para mim, é eterno.
Meus livros, serão minha única herança, para os que depois de mim, virão.
Delicadeza...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Lembrança que alimenta
Quem já provou sabe... deixar o algodão-doce tocar o céu da boca , derretendo inesperadamente e deslizando pela língua de forma quase etérea, pode ser uma aventura inesquecível, imperdível e inimaginável...
É lá...
... que compro: alfinete pra pregar margarida no cabelo. óleo de banana para remover esmaltes. sininhos para pendurar nas orelhas. pele de onça pra me embrulhar na noite escura e não ter medo nunca , de nada. água de bica para borrifar no rosto quando o sol fica vermelho à pino. cheirinho pra perfumar as dobras do joelho. e, um tanto quanto de outras coisitas mais...Houve uma vez um verão...

domingo, 8 de fevereiro de 2009
Pensamento Chão
“Só sei guardar segredos dos outros...
... os meus conto pra todo mundo.”
Viviane Mosé
Livro para desfolhar : Pensamento Chão
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Fragmentos...
Rumbora Rimbaud
A alquimia do verbo
“A mim. A história de uma das minhas loucuras.
Desde há muito eu me vangloriava de possuir todas as paisagens possíveis, e me pareciam irrisórias as celebridades da pintura e da poesia moderna.
Gostava das pinturas idiotas, capitéis, cenários, telas de saltimbancos, tabuletas, iluminuras populares; a literatura fora de moda, latim de igreja, livros eróticos sem ortografia, romances de nossas avós, contos de fadas, livros infantis, óperas antigas, estribilhos idiotas, ritmos ingênuos.
Sonhava com cruzadas, viagens de descobertas da quais não existem notícias, republicas sem historia, guerras religiosas sufocadas, revoluções de costumes, deslocamentos de raças e continentes: eu acreditava em todos os encantamentos.
( Arthur Rimbaud )
Rebelião
Poentes
BLUSA FÁTUA - Maiakóvski
Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde das minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!
(Tradução: Augusto de Campos)
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Brejo das almas
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Desejo os tecidos dos céus

Ornamentados com a luz dourada e prateada,
E os azuis e negros e pálidos tecidos
Da noite, da luz, da meia-luz,
Eu os espalharia debaixo dos teus pés:
Mas eu, pobre, tenho apenas os meus sonhos;
Eu espalhei os meus sonhos debaixo dos teus pés;
Pisa suavemente, pois é sobre os meus sonhos que pisas.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Little Joy
Hoje (29/01/2009) no CLASH CLUB, o grupo formado por Rodrigo Amarante (Los Hermanos), Fabrizio Moretti (Strokes) e pela cantora Binki Shapiro- se apresenta na capital paulista a partir das 21:00hs.
"Gravado na Califórnia, o CD tem 11 faixas. A canção que abre o CD, a bilíngue The Next Time Around, é uma que lembra Los Hermanos, mas é em Brand New Start e Keep me in Mind (cantadas em inglês como a maioria) onde se dá melhor a química Hermanos + Strokes. Mas há também uma ponta de melancolia, em faixas como With Strangers. A única com letra inteiramente em português é a que encerra o álbum, Evaporar, já gravada por Amarante no CD Lanny Duos, do lendário guitarrista Lanny Gordin"
Little Joy. Clash Club (600 lug.). Rua Barra Funda, 969. Tel. (011) 3661-1500. 28/01 e 29/01 - Show Extra 05/02.
http://www.clashclub.com.br/
Little Joy
Composição: Fabrizio Moretti
São objetivos de mais (em demasia)
Para medir o seu valor
Para buscar o peso em ouro
Sentado próximo ao parapeito de marfim
O quanto mais longe você olha
Mais longe você estará
Não é o bastante definir os termos
Se nada aventurado, nada aprendido
Apesar das probabilidades estarem contra
Em tempo, eu serei seu
É como é para ser
Acomodado em você mesmo
Varrendo poeira de pedras
Com uma carta para casa
De volta aonde as horas duram
As coisas simple convidam o prazer (entusiasmo)
Se somente tomando conhecimento pela vontade
Não é o bastante definir os termos
Se nada aventurado, nada aprendido
É como sempre foi
E onde a sorte há de te levar
Saiba, o caminho é o fim, mais que chegar
E queira o dia ser gentil
À tua mão aberta pra quem é
Em tempo, eu serei seu
É como é para ser
E é como sempre foi







