segunda-feira, 31 de maio de 2010

Vestida de Senhorinha

Histórias das Minhas Canções: Paulo César Pinheiro


Eu gosto do Paulo César Pinheiro porque adoro o Mário Gil e gostando de um é fácil se apaixonar pelo outro, não tem erro. As letras lindas são feitas com tanta delicadeza que dá vontade de cerzir em  seda pura e guardar perto do peito ou nas anáguas da saia (só pra se sentir vestida de poesia noite e dia).

Comprei o livro Histórias da Minhas Canções porque queria saber cada detalhe de cada letra e descobri bem mais. Descobri parcerias fantásticas, descobri músicas antigas que eu cantava quando era criança em apostas com meu irmão (e nem sequer imaginava que a ele pertencia) e descobri compassos que me atravessaram o peito feito flecha certeira.

Se você gosta de música que conta estórias imaginosas, vá descobrir Paulo César Pinheiro. 

Fico grifando versos, recriando contos e não querendo tirar as melodias do corpo não. Sou Senhorinha, sim senhor, moça antiga de amores antigos e de sonhos inimagináveis.


Senhorinha

Composição: Guinga e Paulo César Pinheiro


Senhorinha
Moça de fazenda antiga, prenda minha
Gosta de passear de chapéu, sombrinha
Como quem fugiu de uma modinha


Sinhazinha
No balanço da cadeira de palhinha
Gosta de trançar seu retrós de linha
Como quem parece que adivinha (amor)


Será que ela quer casar
Será que eu vou casar com ela
Será que vai ser numa capela
De casa de andorinha

Princesinha
Moça dos contos de amor da carochinha
Gosta de brincar de fada-madrinha
Como quem quer ser minha rainha


Sinhá mocinha
Com seu brinco e seu colar de água-marinha
Gosta de me olhar da casa vizinha
Como quem me quer na camarinha (amor)

Será que eu vou subir no altar
Será que irei nos braços dela
Será que vai ser essa donzela
A musa desse trovador


Ó prenda minha
Ó meu amor
Se torne a minha senhorinha

* * *



Detalhes:
Paulo César Pinheiro, compositor de mais de 1000 músicas gravadas num universo de 2000 compostas, possui uma trajetória peculiar. Sua gama de parceiros vai de Pixinguinha a Lenine, passando por João Nogueira, Baden Powell, Joyce, Tom Jobim, D. Ivone Lara - para citar poucos. Ao longo de mais de 40 anos de carreira - iniciada profissionalmente com a gravação de "Lapinha" por Elis Regina, em 1968 - conviveu com outros grandes nomes da MPB, intérpretes, arranjadores, músicos, poetas. Participou dos populares festivais de música da década de 60; acompanhou o surgimento da bossa nova, a evolução das escolas de samba, a censura sistemática à música e o esforço, também constante e intenso, para superá-la.

Numa linguagem informal, como se batesse um papo com o leitor numa mesa de bar, Pinheiro vai desfiando deliciosas histórias que envolvem algumas de suas músicas mais conhecidas.

Eu sambo mesmo


"Essa moça é a tal da janela
Que eu me cansei de cantar
E agora está só na dela
Botando só pra quebrar"


   Essa moça tá diferente
(Chico Buarque)

 
Lançamento do CD e DVD “Pra se ter alegria” gravados ao vivo, com direção do cantor e compositor Pedro Luís. No repertório do show, estão sucessos como “Alô Fevereiro”, “Interessa?” , “Janeiros” , “Mais Alguém” e “Eu sambo mesmo”, além de “Agora Sim”, parceria da cantora com Carlos Rennó e Pedro Luis. Participação dos músicos Antonia Adnet (violão 7 cordas, vocais e percussão), Élcio Cafaro (bateria e percussão), Jovi Joviniano (percussão), Ronaldo Diamante (baixos acústico e elétrico e percussão), Rodrigo Campello (programações, violão 7 cordas, guitarra, cavaco e teclado).

Teatro Paulo Autran 
SESC PINHEIROS
04/06 - 05/06 e 06/06

domingo, 30 de maio de 2010

Domingo de dengo

Porto Seguro - BA - 01/2010


Sou dengosa. Não daqueles dengos que enjoam, não daqueles dengos que causam estranhamento e olhares tortos. Sou dengosa no dizer. Na vida prática, sou rápida, sou intensa e sou ligeira. Agora nos meus domingos, nos meus feriados, nos meus intervalos de mulher moderna, trabalhadora e tomadora de decisões eu sou um dengo só.

Eu sou dengosa.

Tenho dengo pra olhar, tenho dengo pra querer, tenho dengo pra beijar, tenho dengo pra me mover. Faço dengo no cangote, faço dengo pra comer, faço dengo pra andar, faço dengo pra morder. Quero dengo pra acordar, quero dengo pra querer, quero dengo pra levantar, quero dengo pra viver.

Sou moça de dengos malemolentes. 

Peço dengo nas lembranças, peço dengo nas palavras, peço dengo em dias de sol e nos de chuva quero só dengar. Peço dengo em cartas escritas, peço dengo dos meus amigos, peço dengo dos meus sobrinhos e para os que amo, sou um dengo só. Peço dengo ao deitar, peço dengo em chapéu antigo, peço dengo em flor no cabelo e tranço os cabelos toda dengosa. 

Se fosse pedir algo ao mundo, não queria dinheiro, não queria amor de sobra, nem luxúria ao extremo... eu queria que me botassem dengo, mas me botassem dengo daqueles. Não dengo de luxo, comprado, bebido. Eu queria meu nego, era dengo dos bons. Daqueles que brotam do peito e que a gente sabe, não tem preço.

Caymmi me denga sempre. E, quando eu ouço sobre esta nega , eu tenho vontade de levantar os quadris dengosamente e sair caminhando por aí. Com um chapéu de palha com flor nele e com um meio-sorriso a dengar. E, encontrando um cantinho bom, deitar o corpo e me deixar ficar... assim, cheia de dengo... esperando que atrás deste dengo, todo mundo venha... todo mundo venha...

O dengo que a nega tem
Dorival Caymmi


É dengo, é dengo, é dengo, meu bem
É dengo que nega tem
Tem dengo no remelexo, meu bem
Tem dengo no falar também


Quando se diz que no falar tem dengo
Tem dengo, tem dengo, tem dengo tem
Quando se diz que no andar tem dengo
Tem dengo, tem dengo, tem dengo tem
Quando se diz que no sorrir tem dengo
Tem dengo, tem dengo, tem dengo tem
Quando se diz que no sambar tem dengo
Tem dengo, tem dengo, tem dengo tem


É dengo, é dengo, é dengo, meu bem
É dengo que nega tem
Tem dengo no remelexo, meu bem
Tem dengo no falar também


Quando se diz que no bulir tem dengo
Tem dengo, tem dengo, tem dengo tem
Quando se diz que no cantar tem dengo
Tem dengo, tem dengo, tem dengo tem
Quando se diz que no olhar tem dengo
Tem dengo, tem dengo, tem dengo tem


É no mexido, é no descanso, é no balanço
É no jeitinho requebrado que essa nega tem
Que todo mundo fica enfeitiçado
E atrás do dengo dessa nega todo mundo vem
E atrás do dengo dessa nega todo mundo vem

sábado, 29 de maio de 2010

Moça que guarda a chuva


A Julia Bobrow é a moça mais bonita que o teatro paulista tem. É menina-moça que guarda a chuva dentro dela. Aguardo notícias da Polônia e Rosa de Vidro são algumas peças que brotou dos olhos brilhantes, dos gestos largos, do sorriso doce e delicado que ela tem (e distribui fartamente).

No palco nos toma arrebatadoramente, na vida real nos conta coisas simples e bonitas como seu amor por um cachorro chamado Romeu.

Linda mesmo, querida...

@juliabobrow

Tigresa




Soltou os cabelos e os balançou no ar. O mar não estava pra peixe. Era tempo de tigresa, noite azul com vermelho dentro. Os cílios longos sob os olhos claros, faziam sombras na face branca. Garras imaginárias, felina, se arranhava toda. Chuva forte sob seu dorso caia, mas seus pelos não tremiam, nem arrupiavam. Era deusa, sabia, lembrava.

A meia-noite, lambeu as patas, dedo por dedo. A língua solta, tocou o céu e ela abocanhou o negrume da madrugada, sem piedade das estrelas dormentes. Cada passo, um gingado. Tigresa, tigresa, tigresa...

Sorveu água de rio, contemplando a própria silhueta esguia. Aflorou o insaciável desejo de devorar uma presa, ruidosamente, febril. Pisou sobre folhas secas, e como predadora noturna, aguardou o momento certo de atacar, para dilacerar. Mas, tudo o que encontrou, foi dente-de-leão se abrindo.

Amanhecia...

foto arquivo pessoal - Trancoso / BA 2010


Tigresa
Caetano Veloso


Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom
Do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel
Enquanto os pelos dessa deusa tremem ao vento ateu
Ela me conta sem certeza tudo o que viveu
Que gostava de política em mil novecentos e sessenta e seis
E hoje dança no Frenetic Dancin’ Days
Ela me conta que era atriz e trabalhou no Hair
Com alguns homens foi feliz com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor
Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz, vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que o leão
As garras da felina me marcaram o coração
Mas as besteiras de menina que ela disse não
E eu corri pra o violão num lamento
E a manhã nasceu azul
Como é bom poder tocar um instrumento

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Just for one day




Drops

para uma sexta-feira que não sabe se esfria ou esquenta
um camaleão-amor-antigo para pra dizer que podemos, sempre...
sermos reis e rainhas

domingo, 23 de maio de 2010

Super Manolito

Felipe Dourado, o Super Man(olito) da Tia Sonha

Livro pra criança não precisa ser chato, nem ser repleto de dobraduras. Chega uma hora que os sobrilhotes crescem e eles querem mais ação!

Meu sobrinho Felipe LINDO Dourado é super-herói, sempre.

Agora é o Super-Man e nem pra tomar banho quer tirar a tal da roupa mágica. Já acorda vestido, quer dormir vestido e só não sai na rua vestido, porque minha cunhada provavelmente não deixa (se fosse eu, deixava!).

E isto me fez lembrar da série super bacana da Elvira Lindo (editado pela Martins Fontes) chamada MANOLITO.

Eu concordo plenamente com um dos títulos: Manolito é Demais!


"Um menino observa o mundo a partir do bairro onde mora. Ele conta tudo o que vê com as palavras que ouve dos adultos, nos filmes e na televisão. Ele se chama Manolito García Moreno, mas se você chegar ao bairro dele e perguntar – Por favor, conhece Manolito García Moreno? –, de duas, uma, ou a pessoa vai encolher os ombros ou vai dizer – Nunca ouvi falar. Pois todos o conhecem como Manolito Quatro-Olhos. Manolito conta suas histórias de um jeito muito legal. Ele gosta de ir com o avô para todas as suas aventuras, pois o avô compreende muito bem o seu neto. Sua mãe, por sua vez, não gosta das aventuras em que Manolito se mete, mas sabe que um dia vai ter que lidar com isso! Bom, agora você vai ter que descobrir sozinho o resto da história, pois o livro é muito legal. Este livro não tem idade para ser lido, pode ser lido tanto por jovens quanto por adultos." 

Convocatória



Convocatória de Arte Postal dos Hermanos, intitulada 10x15 "Espaço de Liberdade", é só enviar seu trabalho no formato 10x15cm, pelo correio.

Formato:
 10x15cm
Sem restrições de técnicas
Data Limite: 30 de Julho de 2010
Colocar no verso o e-mail e endereço
Catálogo para todos os participantes

Exposição no Instituto Universitário Nacional del Arte


Organização: Grupo de Posgrado “Lenguajes Artísticos Combinados” del IUNA

Enviar para o endereço:
Expo Mail Art IUNA,
Av. Las Heras 1749,
C. Aut. Buenos Aires,
ARGENTINA



Mais informações 2VÉIS1



Eu curto


Blog bom, bonito e descolado.

Viagem no tempo

Um pequeno Príncipe passou por aqui...

Antes do Ciro William se tornar meu marido, ele era um moço das estrelas. E, me conquistou verdadeiramente quando me escreveu em email antigo a seguinte frase:  "é bom podermos ficar em silêncio com alguém, sem que isto seja algo constrangedor. o silêncio confortador é o que nos faz ter certeza que encontramos a pessoa certa para estarmos ao lado dela por muito tempo" e "as pessoas não deveriam ser irresponsáveis pelos sentimentos alheios".

Talvez ele nem saiba disto, depois destes 9 anos de primeiro encontro, depois de 6 anos de morar dentro do meu interior diariamente. Mas, quando li aquele email pensei "é ele, O Pequeno Príncipe, que me cativará todos os dias". E, pra ele, eu disse SIM.

* * *

"- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos." - Capítulo XXI


Leia o capítulo mais bonito AQUI.

sábado, 22 de maio de 2010

Grafias Urbanas


Bruno Zeni e Simone Paulino (há tempos não os vejo por aí) !

Bora lá, prestigiar.

A proposta de Grafias urbanas: antologia de contos contemporâneos, lançamento da Editora Scipione, é apresentar olhares diversos de escritores contemporâneos para a vida urbana. São dez textos inéditos que demonstram uma forte inquietação criativa e, ao mesmo tempo, sensibilidade e atenção para os problemas da nossa realidade, constituindo uma amostra importante da produção literária atual.

Organizada pelo editor Adilson Miguel, a antologia reúne escritores de destaque na literatura brasileira contemporânea. São novos olhares sobre um tema que já tem tradição na nossa literatura, mas que vem ganhando cada vez mais destaque no cenário atual, visto que já são quase 80% dos brasileiros vivendo em cidades. “Mais do que retratar nossas mazelas, o que parece nortear os escritores é o desejo de expor o fracasso de um conceito de modernização que vê a cidade como padrão civilizatório”, afirma o organizador na apresentação do livro.

Os contos trazem histórias sobre tipos bastante variados: jovens de condição humilde que aspiram a uma vida melhor; gente de classe média que vive a cidade como um lugar de prazer, realização e medo; pessoas que tentam lidar com a violência, a desigualdade e os diferentes caminhos urbanos de nosso tempo. São traficantes, novos ricos, presidiários, moradores de rua, crianças, jovens e adultos de classe média, todos protagonizando contos impactantes e inventivos.

Segundo Ana Paula Pacheco, professora de teoria literária da USP que assina a orelha do livro, “apreender e entender o tempo presente são aspirações máximas, partilhadas pela literatura séria e pelo leitor crítico. O leitor desta antologia encontrará uma literatura de fato interessada pelo presente, com todos os riscos que isso implica”.

Além de confirmar a preocupação dos escritores contemporâneos com os problemas que atingem as nossas cidades e, por extensão, o nosso país, os contos de Grafias urbanas são ótimos exemplos do mais autêntico exercício de criação literária.

O volume conta ainda com um projeto gráfico especial da Rex Design e duas variações de capa, elaboradas com fragmentos de fotos de uma instalação do artista plástico Zezão, que remetem à estética do grafite, dos cartazes de rua e da diversidade visual urbana.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Em algum lugar do passado

Foto: Gugu-sabe-tudo e Tia Sonha


"O prazer de ler é dobrado quando se vive com alguém com quem se compartilha os mesmos livros." — Katherine Mansfield 

domingo, 9 de maio de 2010

Mãe Menininha



Maria é minha mãe. 

Quando moça de pouca idade eu era, sempre achei que só parecia com meu pai e só com ele queria parecer  (os cabelos claros, os olhos verdes, a pele tal qual leite quente, a poesia urgente borbulhando pelo peito, a vontade inegável de fazer a vida mágica e de alumiar todos ao meu redor com pequenos instantes de eternidade)... mas o tempo me ensinou e me mostrou que a essência do meu ser é da minha mãe, e hoje, moça de mais idade, sei todo o caminho percorrido que me fez ser a meia-mulher-filha-amiga desta mãe tão menina.

Maria.

Simples assim. Moça bonita de antigamente, com cabelos longos e negros tal qual artista de telenovela. Com boca de passarinha, que assoviava sem parar, canções que até hoje sei de cor. Que me ensinou matemática com palito de fosfóros, que TODAS as noites antes de dormir me contava estórias e lendas antigas (e foram tantas e tão repetidas... porque eu pedia sempre as que mais gostava) e com a qual eu aprendi que a vida podia ser inventada, bastava querer, imaginar e sentir.

Maria não é de brincadeira, embora esteja sempre sorrindo.

Forte, firme e corajosa, me deu mais do que pedi nesta vida. Eu que nasci do seu ventre livre, impetuosa e cheia de vontades, sei do amor e das dores que esta mãe menininha dedicou a mim.

Não fui filha problema, não tive crises existenciais para sair de casa, não dei trabalho na escola , nem com moços bonitos, nem com príncipes-quase-encantados.

Mas, sempre quis ser mais. Mais de mim mesma. Mais, até do que podia.  Em lugar comum, eu não queria estar, eu precisava voar... o tempo todo... 

Foi minha mãe quem me deu chão, retidão, força e vontade de crescer sem atropelar ninguém. Foi a minha mãe quem fez os meus Natais mais bonitos, com presentes debaixo de árvores e ceias inesquecíveis, além de cabelos penteados, laços de fitas e cartõezinhos escritos à mão. Foi a minha mãe quem me ensinou o sentido da páscoa, a oração da Salve-Rainha e o prazer de cada detalhe, de cada pensamento. Foi a minha mãe quem fez todos os bolos dos meus aniversário de infância e cada parabéns era repleto de fotos e de imagens permanentes na lembrança. Foi ela, a minha mãe, quem me levou pra escola, pra faculdade e pra tantas viagens que nem sei por onde andam dentro de mim. Foi o amor dela, que alimentou cada desejo meu. De ser grande, de ser inteira, tal qual a artista do dia, do cotidiano que ela era... constantemente.

Não tenho filhos, não sei o que ela sente ao me ver. Não sei o que é ser mãe e sentir as dores, e doar amores, e querer tanto bem até se esquecer de si própria. E, talvez por não ser, por não saber e nem sequer imaginar a extensão deste laço sagrado que nos une é que lhe dedico tanto afeto, tanto desejo de que na sua vida mãe... eu esteja sempre presente. 

Não hoje, DIA DAS MÃES, mas todos os dias, no dia-a-dia, como sua filha.

Eu te quero bem moça-maria-menininha, tanto tanto que tenho a sensação de que tua mãe agora eu sou. E quero cuidar do teu dia, das tuas horas e da tua felicidade. Teu riso me contagia, tuas ligações diárias, tuas estórias, tuas tristezas e alegrias, fazem a minha vida ter mais sentido, mais centro, mais direção.

Você cada vez mais é maior dentro de mim. E, se hoje, estou aqui é porque você me quis, me desejou, me cuidou e me trouxe pra este mundo, pra teu colo, pra tua vida.

Você me deu tempo, me deu espaço, me deu Pai, me deu irmãos, me deu família... e não há nada, em lugar nenhum, que seja maior do que isto.

Mã, obrigada por me ter feito esta moça-de-tanto-bem-querer, que aqui está hoje desejando apenas que você viva por muitos e muitos anos pra fazer a HISTÓRIA desta família, viver pra sempre.








Oração de Mãe Menininha

Dorival Caymmi

Composição: Dorival Caymmi
Ai! Minha mãe
Minha mãe Menininha
Ai! Minha mãe
Menininha do Gantoise
A estrela mais linda, hein
Tá no gantoise
E o sol mais brilhante, hein
Tá no gantoise
A beleza do mundo, hein
Tá no gantoise
E a mão da doçura, hein
Tá no gantoise
O consolo da gente, ai
Tá no gantoise
E a Oxum mais bonita hein
Tá no gantoise
Olorum quem mandou essa filha de Oxum
Tomar conta da gente e de tudo cuidar
Olorum quem mandou eô ora iê iê ô


sábado, 8 de maio de 2010

Sábado sem sol

Minha Rua de Domingo

chove chove chove...
tem pingo desesperado batendo na varanda pra entrar...
sentada no sofá, olho pra fora...
e não deixo , não...

Entre sem cerimônia

Azeite
Itamar Assumpção


 
Azeite
Se me quiser assim
Aceite

Tô torta
Mas vou abrir a porta
Pão leite mel pente
Escovas de dentes
Meu coração
Venha
Se alimente
Se oriente
Sente
Se ajeite
Se vire
Entre sem cerimônia
Sem vergonha
Entre e ouça o meu poema
Sabes que eu tenho a manha
Nunca nada te neguei
Não regularia agora
Mesmo sendo altas horas
Bateste na minha porta
Por saber que não
Te deixaria fora
A onda de angústia
Mais angústia
Já se foi
Foi para sempre
Naquela noite
Quando sem me beijar
Sem se voltar
Foste embora

Azeite
Se me quiser assim
Aceite

Pegue um cobertor
Se esquente
O arroz deve estar quente
Portanto não esquente
Tá tudo em cima
No fogão tem feijão
Sol a essa altura
Não tem não
Sol só lá no Japão
Sei que não é só
Não é sol o que você quer
Sei que não
Só o que faço é ser mulher

Azeite
Se me quiser assim
Aceite

Guarda Chuva e Sol

Invenção dos Dias



Bethânia lembra minha tia antiga que fez 70 anos esta semana (03/05): MARIA DA INVENÇÃO.

Para nós, os sobrinhos, ela sempre foi a Tia Vença. E, sempre gostou mais do Sidinho (meu irmão, que só as tias chamam assim e ele deixa) do que de nós. Ela quando te olha é capaz de dizer se você está com quebranto ou mau-olhado e abre a boca sem parar de 3 a 10 vezes, já sabendo que uma ave-maria tem que rezar. 

Pega um galhinho de arruda, que tem no quintal, e sacode sobre você espantando o azar.

É uma Tia miúdinha, esta Maria da Invenção. E, todo mundo acredita nela, porque ela tem aquela força antiga que só as mulheres da terra são capazes de ter.

Sei que quando a encontro me sinto muito mais feliz, embora não a encontre tanto quanto gostaria.

E se olho grande, inveja e quebranto existem eu não sei. Mas, que é gostoso ficar debaixo da arruda da minha Tia querida... ah, isto é!


Vagalume de trança


Vagueia entre meus dedos, finos fios doirados de mel.

Tranço, destranço, tranço, destranço.

Há dias, em que Manoel de Barros, é apenas vagalume nos meus cabelos.


* * *

"Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário"
Manoel de Barros

O Inferno de Henri-Georges Clouzot

L'Enfer




O ano de 2004 foi um dos piores que já vivi. Dele, não gosto nem de lembrar, mas de vez em quando aparece alguma coisa pelo caminho... e eu me lembro.
Também foi um ano que renasci (e o marido é o responsável pelo meu salvamento!) , e isto, por si só já é um alento, uma dádiva.
Nesta época assisti o filme L'Enfer do Clouzot e confesso que pirei. Assisti mais de uma vez, assim como Betty Blue e alguns outros, e questionava tudo ao meu redor, tudo dentro de mim.
Se você já vivenciou uma relação doentia, não pode perder O INFERNO. Nele, Clouzot dá uma aula de psicanálise e te coloca cara a cara com o inimigo (seja ele você ou o outro). Nem toda culpa é um fato concreto,  nem toda inocência pode ser perdoada, algumas perdições nascem de atalhos e às vezes há caminhos que não tem volta... Certo é, que a moeda sempre tem dois lados.
Emmanuelle Béart, linda como sempre (no remake), provoca. O original verei agora, e olha só a história "Em 1964, o cineasta francês Henri-Georges Clouzot, autor de grandes clássicos como ‘O Corvo’ e ‘As Diabólicas’, começa a filmar ‘Inferno’, um projeto original e enigmático de grande orçamento, drama delirante sobre as alucinações de um gerente de hotel na Provença enlouquecido de ciúmes pela esposa. Estrelando Romy Schneider e Serge Reggiani, o filme era destinado a ser um grande evento em seu lançamento. Porém, após três semanas de filmagens delirantes, o projeto foi interrompido, e as imagens já feitas permaneceram inéditas por mais de 40 anos. Os diretores Serge Bromberg e Ruxandra Medrea recuperam essas imagens e contam a história desse filme interrompido, uma magnífica tragédia à frente e por trás das câmeras."



sexta-feira, 7 de maio de 2010

Do espelunqueiro...

... Ademir Assunção, só espere coisa boa pra sacudir a poeira!




Direto da Espelunca


"Francis Hime e Geraldinho Carneiro abrem a temporada deste ano do projeto Parcerias: A Voz da Poesia, idealizado por este espelunqueiro de ressaca, a partir de uma ideia bem simples: um poeta e um compositor sobem ao palco, falam sobre suas parcerias, conversam sobre as relações incestuosas e impetuosas entre poesia e música e fazem um show bem informal, muito próximo do público, com um repertório especial para aquela noite.
Ano passado foi um sucesso. Tanto que vai rolar de novo, com sete encontros de maio a julho.
Começar essa segunda temporada com Geraldinho e Francis Hime é bem legal. Muitos versos de Geraldinho marcaram algumas madrugadas insones na minha vida: “Agora bêbada você estremece / como se ainda não soubesse / em frente à porta desse bar / em que embarca sob essa vaga lua” (“Palhaço”, poema dele, música de Egberto Gismonti). Ou: “Lady Jane / respira o cheiro dos esgotos no chão / sob essas catedrais de Babel / Lady Jane / eu sinto o gosto dos esgotos no chão / sob essas catedrais / sob essa escuridão / os edifícios têm de cair (com música de Nando Carneiro e a chapante interpretação de Olivia Byington). 



Muitas melodias de Francis Hime também não me saem da cabeça - e aposto que da cabeça de muita gente por aí. Como a de Pivete (“no sinal fechado / ele vende chiclete / capricha na flanela / e se chama Pelé”). Ou Atrás da Porta: “Quando olhaste bem nos olhos meus / E o teu olhar era de adeus / Juro que não acreditei / Eu te estranhei / Me debrucei sobre teu corpo e duvidei”. Quem não lembra das parcerias com Chico Buarque?

8 de maio (18h30) – Geraldo Carneiro e Francis Hime
22 de maio (18h30) – Bráulio Tavares e Antonio Nóbrega
5 de junho (18h30) – Maurício Arruda Mendonça e Bernardo Pellegrini
19 de junho (18h30) – Marcelino Freire e José Paes de Lira (Lirinha)
3 de julho (18h30) – Arruda e Alzira Espíndola
17 de julho (18h30) – Celso de Alencar e Tom Canhoto
31 de julho (18h30) – Edson Cruz e Reynaldo Bessa 
SERVIÇO
PROJETO PARCERIAS: A VOZ DA POESIA
Idealização e curadoria: Ademir Assunção
Poetas e compositores parceiros se encontram para falar sobre poesia e música e apresentam show com ênfase em poemas musicados. Serão sete encontros quinzenais, de maio a julho, sempre aos sábados, às 18h30.
BIBLIOTECA MUNICIPAL ALCEU AMOROSO LIMA
Avenida Henrique Schaumann, 777 – fone: 3082-5023
130 lugares
Entrada Franca (retirar ingresso com meia-hora de antecedência)

Ariel Exquisito



Data:
terça, 18 de maio de 2010
Hora:
20:00 - 23:00
Localização:
BAR EXQUISITO
Rua:
RUA BELA CINTRA,532, CONSOLAÇÃO
Cidade:
São Paulo, Brazil






CONVERSAS COM EMILY DICKINSON E OUTROS POEMAS ( SELO ORPHEU/MULTIFOCO)

"Temos, nesse Conversas com Emily Dickinson, o encontro entre uma poeta (1830-1886) que não se entrega fácil, buscando o inefável numa dicção elíptica, quase balbuciante (a gramática normativa tem muito que aprender com a poesia pura), em imagens onde a natureza é mística – nunca religiosa – e um poeta que, ao contrário, convoca todos os espectros, objetos, presenças pesadas da cidade que ele atravessa em seu passo único, essencial para ir além do construído e chegar ao real, isto é, ao sentido até então oculto daquilo que parecia ser tão raso não fosse a poesia e seu olhar de microscopista. Entre o que emana da norte-americana do século XIX e o que vocifera no brasileiro do início do século XXI há convergências que só a poesia conhece. E o leitor de poemas, naturalmente, identifica.

Marcelo Ariel é um jovem – para a literatura feita de lirismo, 42 anos é juventude – que brotou do chumbo no ar da realidade dura na qual sobreviveu com uma luta nada lírica, e que chegou até o território da selvagem sabedoria de resgatar-se e à sua humanidade pela palavra, amadurecendo, assim, bem antes do previsto. Seu verso é sua cachaça (o crítico pede licença para parafrasear Drummond). E nele ele pode entregar o máximo do que carrega e daquilo que igualmente o carrega – embora sem calá-lo –: “preferindo os tormentos / do espírito como vícios / que nenhuma razão desintegra.”

Emily Dickinson encontrou um interlocutor capaz de escutá-la e de lhe dizer. Cabe a nós, leitores de ambos os poetas, a coragem de entregar-nos à emoção que esse testemunho, através deste livro, nos causa. Meu conselho: faça como eu. Mesmo atingido, desde o 56o verso, pela força enorme da expressão, continuei em frente, até o fim. E terei ainda forças de recomeçar, pela releitura."

Paulo Bentancur