quarta-feira, 31 de março de 2010

Lebre de Março


" -Então devias dizer o que pensas" - continuou a Lebre de Março.

- "E digo" - apressou-se Alice a responder - "... pelo menos, penso o que digo ... é a mesma coisa, sabes?"


- "Não é nada a mesma coisa!" - protestou a Lebre de Março. " - Ora, nesse caso também podias dizer que « Vejo o que como » é a mesma coisa que « Como o que vejo»! "

terça-feira, 30 de março de 2010

Tributo a Chagall

Tributo Musical a Marc Chagall

Terça [30/03] 21h30_ R$19

Após longos 12 anos de estudo sobre da vida e obra do pintor Marc Chagall, Zé de Riba e seu parceiro Wolney de Assis, compuseram mais de 10 músicas sobre Chagall. Inusitado e elegante, Tributo Musical a Marc Chagall tem Zé de Riba (voz), João Marcondes (arranjos e violão), Gustavo Sato (contrabaixo acustico), Memeu Cabral (percussão), Gustavo D Amico (sax tenor e flauta) e Tchelo Nunes (violino).



Casa de Francisca

Rua José Maria Lisboa 190
(travessa da Brigadeiro Luís Antônio T 11 3052 0547)
RESERVAS SOMENTE PELO E-MAIL
reservas@casadefrancisca.art.br
www.casadefrancisca.art.br
terça a domingo a partir das 20hs

segunda-feira, 29 de março de 2010

Eu sou neguinha


Sou moça de muitas doçuras, de algumas travessuras e de muitos quereres. Gosto de mimar meus amigos e presenteá-los com pequenas delicadezas. Gosto de ser mimada, de ser cuidada e de receber pequenos prazeres.

Hoje, descobri que sou também uma Maria Brigadeiro.

Não só porque faço ótimos docinhos, mas porque depois de descobrir as belezuras e gostosuras que a Juliana Motter faz, fiquei com vontade de mandar entregar marmitinhas de brigadeiro para todos meus amigos.

Tem tanta coisa gostosa, tem tanto sabor afetivo no ar, na memória...

Descubra você também, o quanto de travessura tem nestas gostosuras desta moça fina.

http://www.mariabrigadeiro.com.br/

domingo, 28 de março de 2010

Chega de saudade


Hoje é o último dia de ver as mais belas gravuras de Marc Chagall no MASP em São Paulo. 

No ano passado, o CCBB também trouxe um pouco da beleza dele (não tantos, mas o suficiente para aguçar os sentidos). Hoje, que está um domingo de outono tão bonito, coloque uma saia florida, um sapato de boneca e vá andar pelo Museu. 

Tem tanto azul bonito e branco gelo , que brotava dos dedos dele... 

Masp
Avenida Paulista, 1578 - Bela Vista
Tel.: (11) 3251-5644
R$ 15,00.
Terça, quarta e sexta a domingo e feriados, 11h às 18h; quinta, 11h às 20h.

Dente-de-Leão


Em mim, assim como no dente de leão, tantos uns, tantos todos e tantos outros, todos juntos ao mesmo instante (Sônia Alves Dias, a Letreira)

Uma canção na cabeça:

"Senhorinha, moça de fazenda antiga, prenda minha
Gosta de passear de chapéu, sombrinha
Como quem fugiu de uma modinha" - por Mônica Salmaso

Um filme no cinema:

Um sonho possível, John Lee Hancock

(é possível, quase impossível, mas possível)

Um filme em casa:

This is It, Kenny Ortega

(adoro Michael Jackson e ele era tão gentil, tão delicado, lindo mesmo)

Uma exposição: 

Marc Chagall
(no MASP, não percam!)

Um livro:
Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll
(pra entrar no clima do filme do Tim Burton que está chegando) 



Um lugar:
Outback Steakhouse 

(tilápia com pignoles de lamber os beiços)


Um alguém:
Jum Nakao, designer de moda

(dobradura, costura o invisível com pura poesia e delicadeza, haikai)

Uns alguns:

Tuperman, Homem Aranha e Magrela

(meus 3 sobrilhotes lindos)

Um sempre:
Tio Zé
(que morreu faz tempo, mas que sempre dizia quando era vivo "os filhos mais educados deste mundo, são os filhos de Maria!")

Um querer:
o dvd "Hoje é dia de Maria"
(nunca vi, quero ver)

Uma vontade:

Cirurgia sem pós-operatório
(já dói só de imaginar)

Uma lembrança:
Dia cinza, com garoa que ia e voltava, no ano de 1980
Um show estranho, onde meu pai me colocou no palco para abraçar um cantor que eu nem sabia quem era... e eu só tinha 8 anos!!! até hoje lembro daquele dia... será que meu pai era um doido de galocha! #nunca pensei nisto antes!

Mais da mesma...


"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo." 



Caio Fernando de Abreu

Cachoeiro do Itapemirim

Aloisio e Maria Alves Dias (1974)


No final dos anos 60  meu pai era um moço da Jovem Guarda  (na verdade, ele era o próprio Rei)!

Em 1968, quando encontrou minha mãe pela primeira vez, se apaixonou pela bela moça de cabelos longos negros. E, a moça, se encantou com o "branquinho" de olhos azuis, que vestia calça roxa boca de sino, camisa amarela de gola rulê e que trazia os cabelos loiros cacheados na altura dos ombros.

Foi um encontro faiscante, porque meu pai era uma brasa, mora ?

Enquanto eu crescia, ouvi muitos discos do Roberto Carlos passar pela vitrola. O de capa azul, com o rei numa gôndola, num festival de San Remo, existe até hoje nos guardados da minha mãe e eu ainda me lembro como se fosse hoje  " Un gatto nel blu ecco che tu ... Spunti dal cuore mio caro amore ... Fra poco sarai negli occhi miei ... Lacrima chiara de primavera..." . Acreditem, eu cantava esta canção gritando... com agudos altíssimos, acho até que os gatos fugiam pelo telhado quando ouviam a introdução desta melodia, porque eu me achava a própria bambina da canção.

Quando meu pai morreu, ao descerem o caixão, todo mundo se despediu dele cantando "porque agora um amor sincero eu encontrei e a este amor meu coração todinho entreguei, por isso eu sei que nunca mais eu vou viver sempre a chorar... e ao mundo inteiro então eu vou poder gritar.... eu amo, eu amo demais... eu amo".

Bem, esta era a música que ele cantava pra minha mãe, que celebrava o amor deles e que aprendemos a letra de tanto ouvir minha mãe cantando e assoviando no tanque, enquanto explicava os caminhos daquele amor.

Roberto Carlos, para mim, não é o cara famoso que canta no final do ano na globo. Roberto para mim, nem existe nestas canções de óculos, caminhoneiros, gordinhas e magrinhas. Roberto Carlos é o meu passado, e ele canta meu pai e sua passagem pelo tempo. 

A serenidade, o olhar tal qual leite morno, a risada singela sem muitas galhofas e carnavais , a voz em tom baixo e as tantas emoções que ele deixou pelo caminho, me fazem sempre lembrar do "meu querido, meu velho, meu amigo... "

Ei, assim não vale... foi só escrever deste tantão de coisas, de lembrar de 30 anos de vida, foi só foi olhar o vídeo abaixo que a cachoeira (talvez não do Itapemirim) despencou na minha face.  Tem como fingir, como dizer, que Roberto Carlos não marcou nossa vida ? Tem não, gente... tem não.

Tem como dizer, que Milles Davis, João Gilberto e tantos outros geniais deixaram mais lembranças em mim do que o Roberto da Jovem Guarda ? Tem não, gente... tem não.

Podem me chamar de brega, dizer que sou piegas e me rotularem com palavras pueris, mas o Roberto Carlos lá na casa do meu Pai, sempre foi Rei e só ele conta e canta sobre as nossas histórias pelas estradas de santos,  sobre amigos e portões, sobre nossas dores e nossos amores e sobre a nossa despedida.

Portanto, EU estarei lá, na OCA, me lembrando dele... dos filmes, dos discos, das letras e de todos os anos vividos e dos imaginados!

Pai, esta é pra você!




Meu querido , meu velho, meu amigo.
Roberto Carlos

Esses seus cabelos brancos, bonitos, esse olhar cansado, profundo
Me dizendo coisas, num grito, me ensinando tanto do mundo...
E esses passos lentos, de agora, caminhando sempre comigo,
Já correram tanto na vida,
Meu querido, meu velho, meu amigo
Sua vida cheia de histórias e essas rugas marcadas pelo tempo,
Lembranças de antigas vitórias ou lágrimas choradas, ao vento...
Sua voz macia me acalma e me diz muito mais do que eu digo
Me calando fundo na alma
Meu querido, meu velho, meu amigo
Seu passado vive presente nas experiências
Contidas nesse coração, consciente da beleza das coisas da vida.
Seu sorriso franco me anima, seu conselho certo me ensina,
Beijo suas mãos e lhe digo
Meu querido, meu velho, meu amigo
Eu já lhe falei de tudo,
Mas tudo isso é pouco
Diante do que sinto...
Olhando seus cabelos, tão bonitos,
Beijo suas mãos e digo
Meu querido, meu velho, meu amigo

Se você também tem alguma história com o Roberto, seja sem vergonha, e apareça!


* * *

Instalada na Oca, no Parque do Ibirapuera, a mostra conta com a curadoria de Marcello Dantas e reúne muitos objetos pessoais de Roberto Carlos como troféus, peças de roupas e discos de ouro. Há também diversas instalações com vídeos, entrevistas e estações para ouvir todo o catálogo musical do Rei. A interatividade é a marca registrada dessa amostra, os visitantes poderão cantar em um karaokê e até mixar músicas do rei.

de 3ª a dom., das 10h às 21h
R$20 (às terças e quartas R$5)
até 09/05
Oca
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Parque Ibirapuera - Portão 03

Todo dia é o mesmo dia





Sempre que ouço esta música, saio a dançar e cantar, como se o sol me inundasse inteira!

A luz de Tieta
Composição: Caetano Veloso


Todo dia é o mesmo dia
A vida é tão tacanha
Nada novo sob o sol
Tem que se esconder no escuro
Quem na luz se banha
Por debaixo do lençol...

Nessa terra a dor é grande
A ambição pequena
Carnaval e futebol
Quem não finge
Quem não mente
Quem mais goza e pena
É que serve de farol...

Existe alguém em nós
Em muitos dentre nós
Esse alguém
Que brilha mais do que
Milhões de sóis
E que a escuridão
Conhece também...

Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você
De mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim...

Toda noite é a mesma noite
A vida é tão estreita
Nada de novo ao luar
Todo mundo quer saber
Com quem você se deita
Nada pode prosperar...

É domingo, é fevereiro
É sete de setembro
Futebol e carnaval
Nada muda, é tudo escuro
Até onde eu me lembro
Uma dor que é sempre igual...

Existe alguém em nós
Em muitos dentre nós
Esse alguém
Que brilha mais do que
Milhões de sóis
E que a escuridão
Conhece também...

Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você
De mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim...

Êta!
Êta, êta, êta
É a lua, é o sol é a luz de tiêta
Êta, êta!...

Menas, existe.




Um amigo antigo (que já morreu) me contou no século passado (que não está tão longe assim), quando eu ainda me prendia à língua aprendida na sala de aula (que já faz décadas) que a palavra MENAS existia. Não acreditei, demorei para entender e ele me provou o que tá escrito no banner acima.


Se alguém usou uma palavra, ela existe. Não importa que o dicionário não aponte, não reconheça. A língua falada, não formal, é tão real quanto a que aprendemos como "correta". Ainda tá com dúvida ? Passa lá no Museu da Língua, pra destravar o cérebro.

* * *

Sob o título Menas, a exposição, interativa, divertida e, sobretudo, provocativa, aproximará ainda mais o museu de seu grande público, segundo o diretor do Museu da Língua Portuguesa, Antonio Carlos de Moraes Sartini. "A intenção é mostrar os principais fatores que nos levam a fugir da norma culta do idioma e reforçar a ideia da existência e pertinência dos vários padrões de linguagem que devem, ou deveriam, ser dominados por todos, criando verdadeiros usuários poliglotas de uma só língua, no caso, a portuguesa".


A visita começa na gare (estação de trem) da Estação da Luz, antes de o visitante passar pela bilheteria do museu. Em 30 banners estarão grafadas diversas frases com erros ortográficos registrados no português popularmente falado no Brasil. Essa instalação receberá o título Portas Abertas e, de acordo com os curadores, tem o objetivo de deixar o visitante "com a pulga atrás da orelha". Este será o passaporte para o que ocorrerá no local, durante a exposição que terá cerca de 450 metros quadrados, com outras instalações para enumerar os "erros" linguísticos mais comuns.

Veja também outros conteúdos no blog: www.menas.com.br.

de terça a domingo das 10h às 17h.
até 27 de junho.
R$6 (pagamento somente em dinheiro).
Estudantes com carteira do ano e documento de identidade pagam meia-entrada.
Crianças com até 10 anos, idosos a partir de 60 e professores da rede pública não pagam ingresso.

Museu da Língua Portuguesa
Parque da Luz, S/Nº - Luz
11 3326-0775
www.museudalinguaportuguesa.org.br
Via Uia!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Quase um Conselheiro...



“Gosto de ser homem, de ser gente, porque sei que a minha passagem pelo mundo não é predeterminada, preestabelecida. Que o meu “destino” não é um dado mas algo que precisa ser feito e de cuja responsabilidade não posso me eximir. Gosto de ser gente porque a História em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidades e não de determinismo. Daí que insista tanto na problematização do futuro e recuse sua inexorabilidade "


Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia.


Jim morreu


Jim Marshall, a lenda das lentes, morreu na noite de terça-feira (dia 23/03/2010), enquanto dormia em um quarto de hotel, em Nova York.

Jimi Hendrix queimando sua guitarra , Johnny Cash mostrando o dedo médio durante uma apresentação na penitenciária de San Quentin, o backstage da última apresentação do Beatles, festival de Woodstock , Rolling Stones, Janis Joplin, Jim Morrison, Milles Davis, Bob Dylan, Coltrane e tantos outros foram imortalizados na sua câmera rápida e certeira.

"Jim tinha um olhar apurado, ousado e poético, suas fotos traziam mensagens tão agressivas quanto o próprio rock. Basta de palavras, ficam as imagens…" - Bravus.Net

domingo, 21 de março de 2010

O Outono em mim...

Miss Outono 79

Em 1979 eu era uma menina tímida de palco, mas falante no andar de baixo. Eu era aquela que levava maçã para professora, que era escolhida para escrever no quadro verde, que fazia todos os deveres de casa e que nunca tirava nota baixa.

Eu era mesmo a menina dos olhos do meu Pai, seu xodózinho.

Em 1979 eu fui escolhida para ser a Miss Outono do meu colégio. Tinha que subir no palco e falar um verso inteiro. Deu medo, vergonha, tudo junto. Mas, eu subi, eu falei e para sempre fiquei na lente do retratista Nelson que cuidava das fotos lá de casa.

Na foto acima, eu e meu irmão Sidney, guardando instantes e sorrisos para eternidade.

O Outono me deixa silenciosa e emocionada ...

Tyson


"Não há dúvida, sou um selvagem."

Assisti hoje de manhã, enquanto o marido dormia. O filme-documentário é realmente muito bom. Mostra mais que o mito, desmistifica-o, coloca-o no lugar comum (se é que é possível colocar o Tyson numa esfera de lugar comum). 


Sinopse: Mike Tyson tem uma vida que mais se parece com um filme: vitórias, derrotas, altos e baixos e muita (mas muita) polêmica.  Dirigido pelo norte-americano James Toback, o documentário intitulado simplesmente Tyson abordará desde seu início no boxe, até a polêmica mordida em Evander Holyfield, passando por prisões, julgamentos e outros momentos. Entre eles, Tyson chega a dizer em entrevista que “Para falar a verdade, eu sou um idiota algumas vezes” e até se emociona frente às câmeras. 

Dente-de-Leão



Em mim, assim como no dente de leão, tantos uns, tantos todos e tantos outros, todos juntos ao mesmo instante.

Uma canção na cabeça:

"Mas o que mais me dói
mas o que mais me dói,
vc escolheu errado seu super herói!" - As Frenéticas


Um filme no cinema:

Ilha do medo, Martin Scorsese 

(matei a charada, mas o clima é bom)

Um filme em casa:

Tyson, James Toback 

(eu achava que ele era só o selvagem)

Uma exposição: 

Hélio Oiticica, Centro Cultural Itaú 

(tropicalismo)

Um livro: 

Enquanto Petrônio Morre, de Flávio Braga 

(cômico!)

Um lugar:

Casa de Francisca (retrô-delícia)
(http://www.casadefrancisca.art.br/)


Um alguém:

Arrigo Barnabé interpretando Lupícinio Rodrigues 

(foi show!)

Uns alguns:

Gigi Tomate e Elis Marchioni
(uma super-hiper-antiga, uma super-fofa-nova)

Um sempre:

Sir O'William da Minha A'Ventura
(my husband, of course)

Um querer:

Carnaval em Veneza

Uma vontade:

Fugir do lugar comum

Uma lembrança:O Outono de 1979


Um lembrete:O Outono de 1979

sábado, 20 de março de 2010

na Casa de Francisca




hoje: eu, Lilica e Gigi Tomate para ver e ouvir:

Arrigo Barnabé em “Caixa de Ódio” - o universo de Lupicínio Rodrigues 

com Paulo Braga e Sergio Espíndola 
Domingos [21 e 28/03] 21h30_ R$35

http://www.casadefrancisca.art.br

quinta-feira, 18 de março de 2010

Signorante


O Projeto "ARTAFACTA", continua a cada mês tendo uma palavra para completar as 27 letras do alfabeto. E agora convida a todos para ilustrar a palavra: SIGNORANTE.

Você tem total liberdade criativa e plástica. Não há censura ou seleção no projeto, o que vale mesmo é participar desse interessante projeto artístico.

Próxima Missão: SIGNORANTE

DATA DE ENTREGA: Até 1 de Abril às 00:00.
ONDE: Envie um email para artafacta@yahoo.es
ESPECIFICAÇÕES: A imagem deve ser quadrado, 600x600 pixels, 300 DPI, JPG, RGB.
O nome do arquivo será o tipo nombre_apellidos.jpg



sexta-feira, 12 de março de 2010

Num rabo de foguete...


... Glauco partiu.

Acordei com a sexta-feira linda, sorrindo e cantando Gun´s ( o show é amanhã!) e ao ligar o computador: GLAUCO ASSASSINADO.

Deu um nó no peito. Não, o Glauco não era da minha família e tinha dias que os Ozetês me deixavam irritada, mas esse cara me acompanhou por uma longa estrada.

Eu sou fã de tirinhas (até fiz, nos anos 90, uma coletânea delas e dei o nome de TIRINHAS TIRADAS DE JORNAIS, com a Rê Bordosa na capa). Sou fã de quadrinhos, fã de HQs, fã de gibis. Era fã do Glauco, declarada. De carteirinha do Casal Neuras, do clássico Geraldão , do virtual Netão e do imperdível e quase raro Edmar Bregmam (dá-lhe Glauber Rocha)!

Deu um nó no peito sim. Quando alguém parte desta forma, num rabo de foguete faz a gente ficar com uma estranha sensação no peito... "Como assim, mataram o Glauco ?" . Tiraram dele a chance de partir no tempo certo, de morte morrida, para um outro espaço sideral...

Sexta injusta, macabra, marcada.  E,  nem o sol lá fora tira esta tirinha preta do peito.

Deixo aqui a minha admiração e o meu espanto, por este moço, um dos maiores cartunistas brasileiros - GLAUCO.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Porta fechada




"Fechei a porta, encostei a parte de cima da cabeça contra ela. Só nos filmes as pessoas fazem isso, nunca vi ninguém fazer de verdade. Comecei a fazer para ver se sentia o que as pessoas sentem nos filmes – pessoas sempre sentem coisas nos filmes, nos bares, nas esquinas, nas músicas, nas histórias. Nas vidas acho que também, só que não se dão conta. Depois percebi que aquela dor que sobe ali do olho esquerdo pela testa diminuía um pouco assim, então fui me virando até apertar o lado esquerdo da cabeça, justamente onde doía, contra a porta fechada. A dor doía menos assim, embora não fosse exatamente uma dor. Mais um peso, um calafrio. Uma memória, uma vergonha, uma culpa, um arrependimento em que não se pode dar jeito. 
- Caio F. Abreu in "Os Dragões não Conhecem o paraíso".

domingo, 7 de março de 2010

Entre os lençóis do Mar

Praia dos Lençóis - 10/01/2010 - BA


A Praia dos Lençóis (em Porto Seguro, na Bahia) é longa e deserta.

Os moradores antigos dizem que sempre foi assim, porque é violento seu mar e muitas pessoas que ali entraram, não voltaram para contar estória.

Não tem barracas, não tem vendedores, não tem turistas acidentais.

De um lado o infinito, do outro a imensidão e diante do olhar suspenso, um mar sem fim e um céu pintado cheio de nuvens de algodão.

Lá do meu quarto com a janela aberta a noite, eu ouvia o mar quebrando estrondosamente. Fosse lua cheia ou não o barulho era o mesmo, intenso e assustador.

Eu sentia arrepios pelo corpo inteiro, porque ele era tão imponente e tão forte que eu tinha a sensação que ele sairia dos limites impostos pela natureza e tomaria toda a encosta e entraria pela casa adentro e não deixaria ninguém incólume. Assim, de uma vez só.

Quando eu acordava o mar parecia estar dormindo, porque eu o escutava bem longe... quase sussurrando.

Durante o dia, quando eu atravessava a rua e entrava por um curto caminho cheio de árvores e galhos secos, eu me deparava com ele e o saudava com reverência.




Era bonito demais de ver, espelho azul no horizonte com sua fúria natural urrando na imensidão.

Céu e mar se misturavam e eu tinha a sensação de que estava sempre pelo avesso.

Eu nem me reconhecia quando sozinha ali entrava. Era um outro espaço, uma outra dimensão e aos poucos eu ia me despindo de tudo que havia lá fora.

Algumas braçadas e eu tocava as nuvens, tocava a linha do horizonte e via a vida desfilar suas idas e vindas, suas complicações e seus teoremas e apagava tudo da minha mente, me entregava ao prazer de estar perdida naquele paraíso.

Naquela manhã, eu acordei com o sol nascendo, peguei meu livro “KAFKA, e a marca do corvo” e fui amanhecer na areia.



Já pisei em seu solo sem chinelos, pois gostava da sensação de tê-lo inteiro, de olhar ao longe e ver como rapidamente ele se aproximava de mim, como se fosse um velho conhecido meu.

Na Praia dos Lençóis a vontade era de se despir de tudo e caminhar sem destino pela areia, pela água pura e cristalina e se perder entre tantos azuis.

O sol brilhava a pino e o dia do outro lado da rua estava tão silencioso que era possível ouvir as ondas quebrando, as areias minúsculas se movendo como se fossem pequenas dunas e o meu corpo afundando entre areia e mar.

Guardei o livro na bolsa e me deixei tomar por aquela lânguida manhã.

Guardei a canga , pois ali não havia ninguém , em lugar nenhum , para me espiar por buracos de fechadura.

Guardei o óculos escuros e saudei o sol, saudei a vida, me alonguei até o infinito.




O Mar audacioso, me saudou, beijando meus pés como se Don Juan fosse.

Eu embevecida, toquei-lhe a fronte e o coloquei em meu rosto, deixando-o escorrer suavemente até meus lábios dormidos.

O Mar, petulante, me agarrou pelo pescoço e me jogou em suas vagas calientes.

Eu , de surpresa, dei um grito assustada.
O Mar atrevido, se balançou entre meus quadris e sem pedir licença, desenlaçou minhas vestes e me carregou para seu leito.

Eu entontecida, tentei fugir, mas ele galantemente me pegou em seus braços e me aninhou amorosamente.

Olhei ao redor, buscando seres reais, não havia nenhum.

Olhei para o Mar e me deixei levar, sem medo.

O Mar , dono do seu leito e conhecedor das suas profundezas, me convidou à arroubos e eu me permiti.

Ele, naquele instante, me enamorava malemolente e na cadência dos seus enlaços me deixei levar.

Eu o namorei naquela manhã.
Eu me enrolava nele e ele me lambia ousadamente. Eu escorregava entre suas curvas e ele me engolia inteira, me jogava no chão, me dominava com sua robustez. Eu me levantava, tentava segurá-lo pelas brancas crinas como se fosse possível domá-lo, acariciava-o com minhas mãos pequenas que mal conseguia segurá-lo por 5 segundos e ele me arremessava para o alto, para os lados, como se fosse o senhor do Universo e dos meus desejos.

O mar me amava, me queria, eu tinha certeza.

Não havia canção no ar, não havia livro com frase feita, não havia poeta escrevendo rimas, nem pintor desenhando quadro. Não havia nada para traduzir o que se passava com aquelas duas forças de naturezas distintas.

Havia apenas uma moça despida e um mar sedento, na arrebentação dos quereres.

Perdi a noção da hora. O tempo na ampulheta da areia, me arrastava para mais longe, cada vez mais longe... e eu ia, eu me largava, me alongava, me deitava inteira naquele azul febril.

Sem ninguém por perto, eu gritava bem alto que o queria. O Mar, trovejava em mim. Se eu gritava “VENHA, NÃO TENHO MEDO” ele enfiava sua língua quente em minha boca macia e me fazia sufocar.

Ele sabia das artimanhas do amor. Ele sabia como me seduzir. Ele me arrancava com força e me lançava para o espaço. Ele abocanhava meu frágil corpo e arranhava meu ventre desnudo. Eu sentia os açoites em minhas coxas e costas lisas. O Mar era de marinheiros fortes, era de Iemanjá – Deusa verdadeira, e eu era apenas um corpo desgovernado, delicada embarcação fantasiada de moça nua de vida real.




Jogada de volta à terra, de braços abertos para o sol, exaurida me deixei ficar.

O Mar insaciável e sedento voltou para me amar.

Eu fingia que não o conhecia, que não era comigo e deixava ele tentar me convencer de que ainda o queria.

Como moça antiga , de antigas seduções, eu não me deixava levar pelos desejos urgentes dele não.

Ele tocava meus pés e me arrepiava inteira, mas eu não caia em suas tentações.

Ele sussurrava baixinho com suas ondas flamejantes... lambia meus tornozelos e ia subindo atrevidamente... mas eu deixava-o apenas chegar até os meus quadris e fugia ... rolávamos pela areia como dois esquecidos pelo mundo.

Ele alcançava meus seios desnudos e os envolvia com suas gigantescas mãos... eu virava-me de costas e o aprisionava em meu peito.. ele ria e rugia... e assim fugíamos um do outro, provocantemente.



Às vezes, irritado, me batia na cara.


Me derrubava em seu leito e me beijava a boca, com sua língua salgada, voraz, faminto, em total frenesi.


Eu deixava ele lamber meus lábios e me afastava. Eu deixava ele lamber minhas pernas e me esquivava. Eu deixava ele tocar meus pés e pedia mais... com mais calma.


Ele, sem galanteios, me agarrava e me arrastava como se eu fosse um animal, indefeso... mas, eu não era indefesa não... ele é que era minha presa.


O Mar era meu amante e dele eu entrava e saia quando bem quisesse, ou quase.


Ele me engolfava, me cuspia, me tomava e me deixava exausta. Eu o alimentava, o entontecia, o enamorava e fugia... rindo... caindo... me levantando... me deixando amar.


Era uma dança frenética, animalesca, selvagem.


Eu aceitava sua fúria. E, ele me batia impiedosamente. E, quanto mais ele me dominava, mais eu me entregava a sua imensidão. Não havia medo em mim, nem dor. Só o prazer de ser tomada por ele, inteira. E se ele me beijava a força, eu abria os braços para recebê-lo e se ele me inundava o corpo com sua quentura mais eu me deixava inundar por todos os poros , até que meu corpo esgotado fosse depositado em seu flanco esquerdo e eu pudesse ouvir aquele som feroz que saia do seu peito e arrebentava minha janela enquanto eu o via ao longe à luz da lua... todas as noites, do meu quarto.


E, quanto mais aquele Mar me arrastava para suas profundezas, mais eu o queria. Quanto mais ele me açoitava, mais eu enlouquecia. Ele arrancava tudo de mim, eu delirava em seus longos braços invisíveis. Meus cabelos emaranhados, repletos de conchas e cavalos marinhos, eram puxados de encontro ao seu peito. Eu me debatia, apenas pelo prazer, e me entregava de braços abertos "me toma Mar, que hoje eu sou tua"


Meus pés voavam, de encontro as coxas dele. Minha boca se abria para sua loucura. Meus olhos doiam e eu não me importava. Só queria ele, só precisava dele... e mais nada.


Na Praia daqueles Lençóis, o Mar, por fim me deitou na areia como se fosse uma rainha. Estendida ao chão eu o olhava partir. Suas costas largas , se confundiam com o céu. Ele se afastava e nem me olhava, nem dizia adeus.


Apenas me deixava ali, exaurida de prazer.


Foi uma manhã inteira de encontro sagrado com o profano Mar da Costa do Descobrimento.


Quando o sol me secou, tal qual roupa branca quarando no varal, vesti meu biquini , amarrei o cabelo e com meu livro debaixo do braço voltei para casa pela estradinha de terra...

... descalça e com um sorriso secreto entre os lábios entreabertos, ia pensando em tudo o que acontecera.


A noite, eu tinha certeza, o Mar bateria de novo na minha janela me convidando para amanhecer com ele...

Vamos comer Caetano ?


 



sábado, 6 de março de 2010

Guns, let´s go!



Vou passear com o marido na floresta, enquanto o Axl Rose não vem... o Axl é bonzinho, o Axl não pega ninguém.. Tô pronta sêo moço!

Sweet Child O´Mine

Ela tem um sorriso que me parece
Trazer a tona recordações da infancia
Onde tudo era
Fresco como o límpido céu azul

Às vezes quando olho seu rosto
Ela me leva para aquele lugar especial
E se eu fixasse meu olhar por muito tempo
Provavelmente perderia o controle e começaria a chorar

Oh, oh, oh, oh
Minha doce criança
Oh, oh, oh, oh
Meu doce amor

Ela tem os olhos como os céus mais azuis
Como se eles pensassem em chuva
Detesto olhar para dentro daqueles olhos
E enxergar o mínimo que seja de dor

Seu cabelo me lembra um lugar quente e seguro
Onde, como criança, eu me esconderia
E rezaria para que o trovão
E a chuva
Passassem quietos por mim


Oh, oh, oh, oh
Minha doce criança
Oh, oh, oh, oh
Meu doce amor

Oh, oh, oh, oh
Minha doce criança
Oh, oh, oh, oh
Meu doce amor
Oh, oh, oh, oh
Minha doce criança


Oh, oh, oh, oh
Meu doce amor

Para onde vamos
Para onde vamos agora
Para onde vamos
...
Para onde vamos agora


Doce criança
Minha doce criança

Los abrazos rotos


Se você estiver na terra do Tio Sam, pode me mandar de presente este jogo fofo que o Almodóvar licenciou... eu adoria tomar café pensando e olhando para imagens de cinema...

Eu quero!

Eu te trouxe meias pretas...


imagem tecida por Sônia Alves Dias



Não é aqui não





Alguém gritou da balaustrada:                                         
 — Não é aqui não!
Era,  era lá. 
Uma casa antiga, um batente alto,  
era um orquidário. 
Em tudo, uma paisagem velha  
como soem parecer  
essas florestas onde  
as orquídeas pendem  
e os pássaros chegam 
em rota migratória. 
Não procurava pássaros,  
nem rotas,  
nem migrantes, 
nem orquídeas;  
haviam-me dito: 
numa velha casa,  


e sob uma roupa breve,  
os cabelos esquecidos  
porque os espelhos não eram convocados,  
mesmo assim,  
a beleza que sempre 


 eram os olhos, isto, o olhar,                                                


ali,                                               


até.







Convocara sim as testemunhas e o dedo  
porque — foi dito  entre os soluços e os silêncios —  
nem saberíamos catalogá-las, de tantas, as faltas,  
minhas,  muito mais que as naus do catálogo  
dos aqueus, muito mais.
Suave como o entardecer, houvera  um tempo,  
e agora, ali, distante, a ela, eu disse  


[as mãos estavam frias]:






Não vou-te levar sozinha em viagem                 


                                                ilha.
Lá, deserta das outras, te tomarias                 
                                 de ilha e tédio.
Única maldição: sozinha!








Aqui também — ela disse — 
o velho à balaustrada,  
ele grita o tempo todo:                           




    "Não é aqui não!"


Ilha por ilha.
Imaginas que o mandei gritar — contra ti?
Ilha...?!





É no convívio dos espelhos, mulher,
mulheres, que te queres bendita:
o passo da graça, nem que seja
à maneira de desembrulhar teus mortos.


Haverias de te esquecer de ti
porque das outras, 
o Poderoso não falava a sério, acho que não:


Parirás sob o medo!
                    Multiplicados sejam
os sofrimentos que não são.
Verdadeiros, só o tempo-espera,
só o tempo-só.


O resto, tudo volúpia!


Volúpia maior: a invasão da pélvis, os humores — 
e líquido em bolsa rasgada,
uma respiração ofegante,  
como se todos os deuses
de tuas narinas respirassem — 
aonde vais nessa fúria?


O suor do meu rosto, sim, resigno-me!


Não posso fugir sem um espelho!  
(Ela disse)



Sagrar os espelhos, entre todas as mulheres,
                                                  dia e noite,
                                           espelhos, a tua sina.
Eu te trouxe  meias pretas.  
Calça-as.  
Está frio, está noite. 
Lá.
Agora,  gostaria de saber:                        
a quem o velho grita?

E, se quiseres deixar avisado,  
toma o giz, escreve, 
deixa-o à porta da geladeira, mas
o teu, escreve-o: 
                                         


— Fui eu!





Fortaleza, tarde de seca, 15 de maio de 1998
Soares Feitosa