
Quartas e quintas: das 18:00 às 00:00
Sextas e sábados: das 18:00 às 03:00
Domingos: das 16:00 às 23:00
Feriados: das 18:00 às 00:00
Pré-feriados: das 18:00 às 00:00
Quartas, quintas: R$10,00
sextas e sábados: R$18,00
domingos e feriados: R$15,00

JC – Você diz que “a memória é uma ilha de edição”, explique melhor essa expressão.
Waly Salomão – Já acompanhei diversas ilhas de edição na minha vida, sei como elas funcionam. A memória é mesmo isso. Sou contra essa história de esconder o que se fez no passado. Colocar para debaixo do tapete o desbunde. Como também de ter uma atitude apenas progressista, de só olhar para o futuro, esquecendo assim o passado. Há pouco tempo, por exemplo, viajei à Síria, que é a terra do meu pai, para saber mais sobre minha história. Adriana Calcanhoto, que já musicou e gravou poemas meus, comprou a minha coletânea e me ligou dizendo que iria fazer show em Portugal e que leria o meu poema Operação Limpeza, no qual falo dessa coisa da língua portuguesa de se orgulhar de ter a palavra saudade no seu vocabulário, quando o Brasil é uma nação ainda em formação, muito jovem. E falar de saudade nessa crise que o Brasil vive é complicado. Somos muito jovens para nos orgulharmos da palavra saudade...
De cinema eu não tenho, nem do escuro, nem de diretores, nem de cenas chocantes.
Fomos assistir Anticristo no HSBC Belas Artes. Apreensivos, ansiosos, instigados. Lars Von Trier nos deixa assim, em estado de espera (sorte a minha que o marido também ama cinema, então este é sempre o nosso melhor programa em qualquer dia, a qualquer hora).
Não acho que devemos gostar de um filme porque gostamos da "pegada" de um determinado diretor, mas identificação é fundamental. Eu gosto muito do Lars, considero-o um cineasta talentoso capaz de criar cenas intensas que hipnotizam através de diálogos bem costurados. Algumas cenas, parecem telas vivas, repletas de densidade e de cores escuras febris.
Em Anticristo, seu novo filme, um casal vai à floresta para lidar com o luto da morte do filho.
A sinopse é simples, o filme não é. Confesso que gostaria muito de ser psicanalista para me despir do simples olhar e sentir, para entrar nas ramificações e interpretações que o filme trata metafóricamente.
Está tudo lá: a floresta tratada como Éden, os símbolos ocultos, a natureza tida por maligna, o ser humano com suas limitações e seus desconhecimentos e uma infinidade de sensações não explicitadas que causam aqueles incômodos que não podemos explicar mas que margeiam nossa essência.
Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe estão em perfeita sintonia e chega a ser aterrorizante.
Como escreveu, Nietzsche, em 1888 no livro ANTICRISTO: "Este livro destina-se aos homens mais raros. Talvez nem possa encontrar um único sequer... Só o futuro me pertence. Há homens que nascem póstumos".
Lars Von Trier, deve ser um deles...


Waly era um gigolô: de bibelôs, de babilaques e de palavras.
Se você conheceu, se nunca leu, se já ouviu em algum lugar, se nem lembra de já ter ouvido veja e reveja aqui...
Gigolô de Bibelôs - "Título que intitula o livro, lançado originalmente em 1983, que, agora, ganha uma reedição pela Rocco, Waly Salomão oferece sua poesia delirante e verborrágica, sem prolixismos baratos, sem resvalar no vago. Grande leitor da poesia universal e do mundo, reprocessava todas as influências do inglês William Blake ao nosso João Cabral de Melo Neto para depois canalizá-las em seus versos. Como poeta, Waly dava valor ao ofício de sua arte ah vale "a pena ser poeta "e se debruçava sobre ela com afinco e suor "meu segredo é que sou rapaz esforçado".
Matriuska (Contos)
Romance. Cada conto deste livro forma um. Cada romance é um conto (de fadas ou do vigário, à livre escolha). Por fim, a sensação de que este livro, embora não pareça, é mesmo uma história de amor. Escrita com intensidade e firmeza raras na literatura brasileira.
Um mergulho de fôlego na alma feminina com um sentido de imanência poucas vezes visto desde Machado de Assis. Abraços partidos, sonhos aos pedaços, esperanças liquidadas. A mulher, a vida, com os seus mistérios, desejos, dores, deleites. Urbanos, demasiado urbanos, estes relatos curtos inovam ao mesclar técnicas de música e cinema. Puzzle pleno de magia crua tomada do cotidiano, da “vida apenas, sem mistificação”.
Entre o prazer da escrita e a escrita do prazer, Sidney Rocha distribui como que pílulas de Eros e Tanatos a cada uma das suas personagens e o resultado é um calafrio ardente. Como das coisas em carne viva. E a leve impressão de que, embora pareça, este livro não é mesmo uma história de amor.
Conhece Sidney Rocha? Ora. Faz tempo que ele existe. Desde que li, faz um tempo danado, sua novela Calango-tango, eu sentia falta do texto dele. Do trinado, do ciscado. Da prece que ele faz. Do rebuliço de seus personagens. Seus parágrafos certeiros. Seu jeito de prosear. Poética, assim, medonha. Estética sem cerimônia. Sim, ele também lançou o romance Sofia. De repente, eis que ele volta, com este livro de contos curtos. E assustadores. Porque inovadores. Porque musicais, etc. e tais. E porque dificilmente existe autor como ele. Falando de certas mulheres. De certos recalques. Sem ser chato, entende? Sem querer ser o dono-da-cocada. O pior sujeito é aquele que coloca borboleta na gravata para escrever. E não voa. Não sai da mesmice. Eta porra! Sidney tem o que eu aprecio em todo coração arredio: a pulsação. A verdade. O sentimento que está na linguagem. Nos sons que ele costura tão bem. Tão modernamente, sarava, amém!
Caro leitor, pode apostar: pegue este livro na mão e veja se eu não tenho razão. Resumindo: são contos-cantos que vêm inovar e sacudir a prosa brasileira. E depois seguir por aí. Descendo e subindo a ladeira. Deixando seu sangue na gente. Assim, tão raro e para sempre!
(Marcelino Freire)
No dia 1º de outubro, Ocupação inaugura sua terceira edição com uma homenagem ao poeta, romancista, compositor e tradutor Paulo Leminski visitando sua vida e obra 20 anos após sua morte.
Com curadoria de Ademir Assunção, a exposição Ocupação Paulo Leminski: Vinte Anos em Outras Esferas traz a oportunidade de conhecer melhor a obra do poeta, segundo Haroldo de Campos, "mais criativo de sua geração".
Conheça poemas, composições, manuscritos e textos inéditos de Leminski, além de depoimentos em vídeo de alguns de seus parceiros.
Além da exposição, uma série de eventos paralelos integra a programação.
Programação:
Ocupação Paulo Leminski: Vinte Anos em Outras Esferas
quinta 1 de outubro a domingo 8 de novembro de 2009
terça a sexta 10h às 21h
sábado domingo feriado 10h às 19h
peça infanto juvenil Guerra Dentro da Gente
sábado 17 16h
domingo 18 11h
Adaptação teatral do livro homônimo de Paulo Leminski pelo Núcleo Trecos e Cacarecos. O espetáculo mostra a trajetória do garoto Baita, que sonha em se iniciar na arte da guerra.
show Esta Noite Vai Ter Sol
sexta 23 de outubro 20h com participação de Miriam Maria e Moraes Moreira
sábado 24 de outubro 20h com participação de Edvaldo Santana e Vitor Ramil
Estrela Ruiz Leminski e banda interpretam músicas de Paulo Leminski. No repertório, composições solo ou em parceria, gravadas por Itamar Assumpção, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Moraes Moreira, Vitor Ramil e Edvaldo Santana, entre outros.
Belowars
sábado 31 de outubro 20h
exibição da animação e debate com o diretor Paulo Munhoz
O longa-metragem é uma livre adaptação do livro Guerra Dentro da Gente, de Paulo Leminski.
Belowars
domingo 1 de novembro 20h
exibição da animação
entrada franca
Itaú Cultural Avenida Paulista 149 - Paraíso
Marcelo Sahea nasceu no Rio de Janeiro em 1º de setembro de 1971. Poeta e diretor de arte, vive em Brasília. Publicou “8 por 2” – poemas marca-páginas (1998, com Ramsés Ramos), “’ejs” – e-book (2001), “carne viva” – e-book e livro (2003) e “leve” – livro (2006). Trabalha com intervenção urbana, realiza e fotografa poemas-objeto e tem poemas publicados em diversos sites e revistas especializadas (Coyote, Oroboro, Zunái, Babel, Revista de Autofagia, Etcetera, entre outras). Mantém blog (
http://www.poesilha.blogspot.com) e site (http://www.sahea.brturbo.com).


Participe: SP-Arte/Foto


Na época, pra gostar do Zeca, tinha que escolher: ou era ele ou o Lenine. Eu gostava dos dois, sempre gostei. O Lenine tinha uma pegada mais profissional no sentido de que nada ali parecia por acaso, eu gostava dele "diferente". O Zeca, misturava tudo. Era embolado, era lírico, era louco, era um performático. Hoje, acho que ele é mais contido. Já fui em vários shows, já o vi pessoalmente várias vezes, acompanho de longe o que vai acontecendo com ele, com eles.
O Lenine está cada dia melhor e o Zeca, continua sendo o meu xodó.
QUASE NADA
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada ..
quase nada... quase nada... quase nada...
E por que Não?
"A nossa maior ilusão é acreditar que somos o que pensamos ser"
Henri Amiel
Isto não é uma editora. É um gatilho. É um rádio-relógio. É um ônibus espacial.
Tudo começou com o cachimbo. O cachimbo de Magritte na obra A traição das imagens. Na tela, o desenho de um cachimbo com a inscrição em francês: “Isto não é um cachimbo”. E, oras, não era mesmo. Era a imagem de um cachimbo.
Somos traídos pelas imagens todos os dias. Quando nos apaixonamos não caímos de amores pela pessoa, mas pelos pedaços de nós mesmos que encontramos nela. Quando essa identificação passa e começamos a perceber nossas diferenças com o ser amado, dói. Mas quando o relacionamento amadurece, percebemos que amamos também o que faz dessa pessoa um ser único.
A Não Editora quer que seus leitores sejam traídos. Que eles se apaixonem por um pedaço de si mesmos que viram em nossos livros ou personagens. Que se identifiquem com a editora, imaginando que ela é como qualquer outra que viram antes. E, depois, percebam o autoengano. Para começarem a ver, aqui e ali, as diferenças em nossas publicações e no visual de nossos livros. Incorporando, também em suas vidas, a fuga do que é estanque, dos conceitos pré-estabelecidos e da fórmula repetitiva.
Assim como a tela é a manifestação do pintor, que contém os seus pensamentos e contestações, o livro deve ser um meio para os escritores e suas obras. Por isso, valorizamos o design de nossos livros, fazendo com que eles reflitam a qualidade do texto que estamos oferecendo aos leitores. Queremos que o nosso público não tenha vergonha de assumir que julga o livro pela capa. E por que não?
Isto não é uma editora. É o disparo. É o despertar. É o empuxo.

Dupla perfeita, pro meu bel prazer.
Humm...
Passa lá no VIDEORECEITA pra aprender...
“Quanto ao fato de escrever, digo – se interessa a alguém – que estou desiludida. É que escrever não me trouxe o que eu queria, isto é, a paz. (…) O que me descontrai, por incrível que pareça, é pintar. Sem ser pintora de forma alguma, e sem aprender nenhuma técnica. (…) É relaxante e ao mesmo tempo excitante mexer com cores e formas sem compromisso com coisa alguma. É a coisa mais pura que faço.”
*
