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segunda-feira, 6 de junho de 2011

A Terceira Margem do Rio


Junho é de choro mesmo e este ano não podia ser diferente. 

Hoje morreu meu melhor amigo.

Hoje partiu a pessoa na qual eu mais confiava, o amigo ao qual deixei muitas vezes e deixaria tantas outras, minha vida em suas mãos. Meu amigo de noite e de dia, de sorriso aberto e crises existenciais. Meu amigo de invernos rigorosos e de verões escaldantes. Meu amigo morreu e não sei se depois desta morte minha vida um dia ainda será igual a antigamente.

Eu acho que não, morro com ele. O melhor da minha existência, o que sobrou das minhas raras belezas, só ele viu e com ele morre. Eu fui uma pessoa melhor durante este tempo, eu pensava que com ele seria possível ter uma lojinha onde "Tinha de tudo um pouco e o céu também"

Meu amigo, só não era meu marido, mas era tão amado como se fosse. Ele sabia que nossas alianças era de outras vidas, então ficava fácil viver a vida ao lado dele, mesmo que a distância.

Ele sabia tudo de mim, eu sabia tudo o que ele queria que eu soubesse dele. Eu sei, que sabia mais do que ele imaginava, porque eu o lia nas entrelinhas e mesmo calada, eu o entendia e seguia, paciente, ao seu lado.

Meu amigo não vai mais voltar, não pro meu coração, pra minha vida ... e juro, tá um precipício aqui sob os meus pés e eu tô chorando igual um animal abatido mas que ainda vive.

Eu sabia que um dia ele partiria, assim como meu pai partiu, assim como eu partirei.

Desta vida a gente sabe... só se nasce pra morrer... E, enquanto não morremos, vamos vivemos... construindo histórias, afetos e sentimentos. E, tentando ser fortes, para chorar nossos mortos e não morrer com nossas tristezas.

"Cê vai, ocê fique, você nunca volte!"  

( Sua vida torna-se reclusa e sem sentido, a não ser pelo desejo obstinado de entender os motivos da ausência ...  “Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio-pondo perpétuo.” ) - Guimarães Rosa, A Terceira Margem do Rio.

domingo, 5 de junho de 2011

Nada além

Beata de Bião, seria, será.
Dona de um  balcão e de umas prateleiras
Simplória, porque não nasci para ostentações ridículas e sociais.
Rica mesma, eu queria ser só de bem querer, de dignidade e honradez.
Um Café Literário, eu sonhei, pintei e bordei. Nele eu botaria o nome de Beata de Bião e chamaria uma cozinheira prendada para fazer bolinhos caseiros, para servir com chá de ervas fumegantes, enquanto os transeuntes entrariam para folhear livros distraidamente, antes do sol se pôr.
Assim, tudo junto.
Feito livro, feito filme, feito eu.

sábado, 28 de maio de 2011

Olhares


no céu do centro, 
convenção de urubus, 
pombas e pássaros sem nome,
sem destino

no chão do centro, 
eu olhando para o céu, 
procurando teto
sem chuva




Centro silêncio


Hoje o dia foi de andanças. No centro, antigo, tantas belezas. Geralmente o barulho é constante, mesmo quando tudo está fechado. Hoje, por um momento, o tempo parece ter sido congelado. E, apesar do vento frio cortante, não havia uivos, nem gritos, nem arrulhos de pombos. O centro estava em silêncio e no Páteo do Colégio, a cidade parada parecia cenário de filme.

Lindo.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

11 de abril de 2008


O Letreira nasceu enquanto eu lia e ouvia a Edith Piaf, chovia, fazia frio, era sexta-feira de paixão.

Comovida, pensei em criar um blog violáceo, onde tivesse tanto de mim que eu já nem soubesse mais quem eu era, ou talvez para eu saber exatamente como fui. Se eu seria personagem, sêo Guimarães Rosa, com certeza.

Nele não falo do que não gosto, ou melhor, falo bem pouco pra não chamar a atenção para coisas inúteis e desnecessárias. Com tanta coisa boa que vejo, que sinto, que toco e que faço vou perder meu tempo com pólos negativos que não me atraem ? 

Não, perdoem-me, falo bem pouco mal por aqui.

O Letreira não surgiu do nada. Ele chegou da mansidão do blog antigo Folha de Dormideira (que não levei adiante por perdições passadas) e trouxe uma vontade enorme de ser maior do que é, mas de ser o que tem que ser do jeito que pode.

Eu poderia mais... mas, há tanta vida aqui fora! E, esta vida me devora. E, gosto, viu ? Por isso, escrevo quando a vida real me dá descanso (ou me cansa!) e procuro sempre agregar experiências pessoais com a imensidão das letras, das artes e dos ofícios.

O Letreira, não tem este nome por acaso. Não foi dadaísmo, ele foi escolhido a dedo. Surgiu da idéia da minha adoração por cartas, caligrafias e cartografias da alma. Vem do desejo de ler e se perder, de se encontrar perdida, de escrever para anônimos, de ser anônima até o post seguinte. De mandar, pelo mundo, umas histórias acontecidas há tanto tempo pela pele da gente que até parece lenda passada. De falar do meu pai, que partiu, mas que habita em cada frase que escrevo. De contar sobre o que palpita, o que me excita, o que me deixa fascinada, arrebata! De falar sobre bobagens, de paisagens e miragens. De mostrar arte, pura e visual. De transcrever fragmentos, de verdades esquecidas. De causar arrepios, de se arrepiar inteira. De deixar o barco correr, feito música que entra pelo peito e dá uma dor surpresa. O Letreira é minha ponte por águas turbulentas, e eu sou a Moça de Prata com certeza.

A vida para mim é um moinho e muitas coisas me atropelam, me tomam de abissalidades, Se pudesse retratar cada pedacinho e guardar não só na memória, mas nos bites e bytes, eu faria. Mas aí eu perderia o momento seguinte, que geralmente é sublime e não poderia ser registrado, porque merece ficar guardado apenas no meu coração e nas minhas lembranças, que o tempo não apaga.

Dia 11 de abril, é aniversário do Letreira, meus parabéns!

A moça da tela, na janela, Letreira.


quarta-feira, 9 de março de 2011

Das perguntas

Foto arquivo pessoal: Buphal/2011

No final de semana, revendo fotos e sorrisos antigos, minha mãe me perguntou se eu era aquela mesma... moça ? Não, não sou. Nem poderia, eu acho, pensei. Mas ainda quero ser, aquela... a mesma, a moça, da foto. Sim, a que ela gerou, criou e qual ama incondicionalmente e para a qual faz bolinhos de chuva delíciosos quando chove e é carnaval!

E respondendo a pergunta, só uma parte mínima, sobre a filha dela...

É uma moça, de letras, sem rimas e que chora.
Escritora Anônima de Cartas Alheias.
Cultiva as lembranças, como bem maior.
Guarda as pessoas em relicários sagrados.

Não fez (e não faz) metade das coisas que deseja.
Mas, faz o que quer, com quem quer, quando pode.

É feliz aos poucos, porque demais, tem medo.

Não agradece muito a Deus, porque não pede quase nada. Só deseja que a família esteja protegida, bem protegida e unida. Só isso, de verdade. E, toma muito cuidado pra não chamar atenção divina sobre sua vida, que é boa, sem sustos, sem infelicidades.

Claro, que se pudesse, já teria viajado pelo mundo inteiro, conhecendo muitos outros seres e tendo assim, um livro inteiro de vivências pra contar e guardar.

Claro, que não podendo, cria, inventa, reinventa, refaz, desfaz, configura, fantasia, despe, transmuta e interpreta "Se eu seria personagem".

Acha mesmo que poderia ser um tanto de vários filmes, de vários livros, de várias músicas... nem gente precisava ser...

As pessoas que a conhecem, pessoalmente, são tocadas em algum momento por alguma mágica ao acaso. Não importa quando, nem como, ela apenas fragmenta um segundo e o transforma em eterno (naquele desejo mais intenso que o outro quer e não sabe como fazer).

Ela faz, adivinha, prepara, transforma o sonho mínimo em mínima realidade. Mesmo que seja rápido, mesmo que não fique gravado para ninguém ver. Ela tenta, sempre, ilusionar tudo...

Porque é assim que gosta de viver a vida, criando saudades.

De saudades também, quase morre. Às vezes, passa meses sem sentir. Daí, de repente, do nada, alguma coisa a toca, feito vaga-lume, feito sereno e o peito cai doente e ela sente febres por dentro e o coração cresce, se avoluma, e ela tira tudo e nem respira direito e tudo fica turvo e os olhos parecem estar cheios de pedrinhas e então ela chora, chora muito... tudo assim, de uma vez só, sem pausa... até ficar um vazio lá dentro, e então a dor passa e ela abre a geladeira e pega um suco para beber. E, a saudade fica dormindo de novo por tempo indeterminado.

É do pai, todas as dores que sente. Imensas saudades, tipo navio no fim do mundo em busca daquele moço que partiu para a terceira margem do rio. Nem pensa se um dia se encontrarão novamente, sabe apenas, que tiveram a sorte de se encontrar nesta vida (que é a única que ela conhece e que tem certeza, nasceu pra viver).

E, se hoje, ela tem tantas coisas boas pra guardar e lembrar, é porque este pai cultivou nela um jardim imenso de maravilhas.

Sorri assim, sem muitas galhofas.
Não é moça de grandes alardes, de gargalhadas, de carnavais.

É feliz, do seu jeito, do jeito dos que estão por perto, com tudo o que acontece, de uma forma ou de outra.

Não é vítima do mundo, nem de circunstâncias. Tudo é reflexo de suas próprias escolhas. Tendo sido elas, acertadas ou não.

Já escolheu muito, já deixou muitas pessoas escolherem. Acredita que a vida acontece a cada instante. Um dia após o outro. Não adianta ter pressa, milhares de coisas estão acontecendo agora, neste segundo.

Importante é saber que as pessoas passam. Algumas deixam coisas boas, outras só tristezas, outras nem merecem ser lembradas, nem se lembra.

Não gosta de achar que aprendeu com os erros. Tem certeza, com os erros... só perdeu. Perdeu inocência, perdeu amor próprio e perdeu sentimentos nobres.

Era mais pura, idealista e sonhadora há muitos anos atrás. Também sabe, era menos generosa, menos solidária, menos contemplativa e complacente, tem certeza.

Acredita que hoje é melhor do que era antes, porque perdeu a pressa, vive para cada pessoa, cada momento de cada vez.

Tem tempo para amar de várias maneiras (mãe, marido, sobrinhos, irmãos e amigos). Cada qual sabe o jeito que ela tem de amar e é bom se deixar amar, com certeza.

Não acredita em eternidades, nem em nenhum sentimento a todo prova. Acha que o ser humano é falho e não reconhece metade das suas próprias imperfeições.

Não tem medo da própria morte, mas tem medo de sentir dor. E, tem pavor, absoluto, de perder qualquer um daqueles que ela ama.

Pensa muito na Tabacaria do Fernando Pessoa e se apaixona pelos livros intensos que tratam das verdades esquecidas, que os homens de bem esqueceram.

Escreve sem parar, sem parar - lê. Anota muito, perde tudo. Recorta tudo, não cola nada. Fala pouco ao telefone, falaria tudo por carta.

Confia cegamente nos correios. Acredita em poucas pessoas reais. Gosta de algumas pessoas virtuais que de tão reais parecem ser amigas de infância.

Dorme em qualquer lugar, com luz ou sem luz, com som ou sem som. Deve ser a idade, deve ser...

Tira letra de pedra e aparece no Letreira sempre que tem vontade. Às vezes, tem muita vontade e não tem tempo, às vezes, tem tempo e não tem vontade. Como aqui é a casa dela, entra quando quer, abre as janelas quando quer e canta quando tem vontade.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Rasuras


Eu acompanho o trabalho da Edith Derdyk há algum tempo e toda esta produção dela em papel em branco me inunda de significados poéticos. 

Eu escrevo muito, mas confesso, por aqui mostro pouco. Porque com o tempo a gente aprende que uma vez na internet, nada pode ser salvo. Portanto, eu me sinto segura, tendo minhas coisas guardadas. 

Assisti um filme esta semana e saí de lá pensando "quando você não é ninguém, você pode ser alguém!". Pode soar estranho, aforismo construído, mas não é. A sensação que tive é que na internet a gente se expõe (involuntariamente ou conscientemente) e muitas vezes isto é bom e em outras não é.

Aqui em casa, eu sou a exibida (tenho orkut, facebook, twitter e blog e freqüento todos me expondo cruamente, como diria Drummond) e o marido é um monge (só existe para as pessoas reais que realmente o conhecem). 

Por isso, mesmo me expondo, resguardo minhas letras... porque tenho certeza, meus contos, poemas, textos e cartas me desnudam muito mais do que meras impressões que tenho da vida, dos filmes, dos livros, que cito, posto, comento. Quando alguém lê as palavras que você deitou no papel essa pessoa tem que ser íntima, tem que ser sua confidente, para que você possa abrir seu livro sem medo...

Por isso, por aqui e por aí onde estou virtualmente tudo o que tenho são folhas de papel em branco, tingidas apenas com um blush... com poucas impressões sobre o que capto, porque o real, a real, eu deixo para mostrar ao vivo...

Assim sendo, hoje não sendo ninguém, um dia uma alguém serei.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Falseando sorrisos

Feira do Bexiga - 08/2000

 

Já Não Sei o Que Fazer Comigo

El Cuarteto de Nos

Já fui obrigado a ir a missa, já toquei piano , para Elisa?
Já aprendi a falsear meu sorriso, já caminhei pela beira do topo do prédio.
Já mudei minha cama de lugar, já fiz comédia e já fiz drama.
Já fui honesto e já fui desonesto, já me passei por bom e já tive má fama.

Já fui ético, e fui vagabundo, já fui cético e fanático
Já fui abúlico, fui metódico, já fui impudico e fui caótico.
Já li Artur Conan Doyle, já me passei de nafta a gás óleo.
Já li Breton, e Moliere, já dormi em colchão e em estrado.
Já mudei a cor do cabelo, já estive contra e já estive a favor.
O que me dava prazer agora me dá dor, Já estive do outro lado do balcão.

E escuto uma voz que me diz sem razão
?Você sempre mudando, já não muda mais?
E eu estou cada vez mais igual
Já não sei o que fazer comigo.

Já me afoguei em um copo de água, e plantei café em Nicarágua
Já fui tentar a sorte nos EUA, já joguei roleta russa
Já acreditei em marcianos, já fui ovo lacto vegetariano
São, fui quieto e fui sedutor, já estive tranqüilo e já estive em prantos.
Já fiz curso de mitologia, mas os deuses riam de mim.
Ourivesaria passei raspando, e ritmologia, aqui estou aplicando
Já provei, já fumei, já tomei, já deixei, já assinei, já viajei, já colei.
Já sofri, já iludi, já fugi, já assumi, já fui, já voltei, já fingi, já menti.
E entre tantas falsidades, muitas das minhas mentiras já são verdades.
Passei fácil pelas adversidades, e me compliquei nas ninharias

E escuto voz que me diz com razão
?Você sempre mudando, já não muda mais?
E eu estou cada vez mais igual
Já não sei o que fazer comigo.

Já fiz um lifting, coloquei piercing, fui ver o Dream Team, e não houve feeling
Tatuei o Che em uma nádega, encima de mami para que não saia
Já ri e não me importei de coisas e pessoas que agora me dão medo
Fiz jejum por besteira, já me entupi com frango no spiedo

Já fui ao psicólogo, fui ao teólogo, fui ao astrólogo, fui ao enólogo
Já fui alcoólico e fui careta, já fui anônimo e já fiz dieta
Já joguei pedras e cuspi nos lugares onde agora trabalho
E meu dossiê conta com empenho, que me comportei bem e já desandei

E escuto voz que me diz sem razão
?Você sempre mudando, já não muda mais?
E eu estou cada vez mais igual
Já não sei o que fazer comigo.
 

Ya no se que hacer conmigo

 Ya tuve que ir obligado a misa, ya toque en el piano "Para Elisa"
ya aprendí a falsear mi sonrisa, ya caminé por la cornisa.
Ya cambié de lugar mi cama, ya hice comedia ya hice drama
fui concreto y me fui por las ramas, ya me hice el bueno y tuve mala fama.

Ya fui ético, y fui errático, ya fui escéptico y fui fanático
ya fui abúlico, fui metódico, ya fui impúdico y fui caótico.
Ya leí Arthur Conan Doyle, ya me pasé de nafta a gas oil.
Ya leí a Bretón y a Moliere, ya dormí en colchon y en somier.
Ya me cambié el pelo de color, ya estuve en contra y estuve a favor
lo que me daba placer ahora me da dolor, ya estuve al otro lado del mostrador.

Y oigo una voz que dice sin razón
"Vos siempre cambiando, ya no cambiás más"
y yo estoy cada vez más igual
Ya no se que hacer conmigo.

Ya me ahogué en un vaso de agua , ya planté café en NIcaragua
ya me fui a probar suerte a USA, ya jugué a la ruleta rusa.
Ya creí en los marcianos, ya fui ovo lacto vegetariano.
Sano, fui quieto y fui gitano, ya estuve tranqui y estuve hasta las manos.
Hice el curso de mitoligía pero de mi los dioses se reían.
orfebrería lo salvé raspando y ritmología aqui la estoy aplicando.
Ya probé, ya fumé, ya tomé, ya dejé, ya firmé, ya viajé, ya pegé.
Ya sufrí, ya eludí, ya huí, ya asumí, ya me fuí, ya volví, ya fingí, ya mentí.
Y entre tantas falsedades muchas de mis mentiras ya son verdades
hice fácil adversidades, y me compliqué en las nimiedades.

Y oigo una voz que dice con razón
"Vos siempre cambiando, ya no cambiás más"
y yo estoy cada vez más igual
Ya no se que hacer conmigo.

Ya me hice un lifting me puse un piercing, fui a ver al Dream Team y no hubo feeling
me tatué al Che en una nalga, arriba de mami para que no se salga.
Ya me reí y me importó un bledo de cosas y gente que ahora me dan miedo.
Ayuné por causas al pedo, ya me empaché con pollo al spiedo.

Ya fui psicólogo, fui al teólogo, fui al astrólogo, fui al enólogo
ya fui alcoholico y fui lambeta, ya fui anonimo y ya hice dieta.
Ya lancé piedras y escupitajos, al lugar donde ahora trabajo
y mi legajo cuenta a destajo, que me porté bien y que armé relajo.

Y oigo una voz que dice sin razón
"Vos siempre cambiando, ya no cambiás más"
y yo estoy cada vez más igual
Ya no se que hacer conmigo. (bis)
 

sábado, 12 de fevereiro de 2011

De quem somos, porque somos.

Foto arquivo pessoal - 1991

A gente não é nada no mundo. Não é nada no nosso e muito menos no mundo alheio. O que a gente faz é ocupar um espaço nesta vida, por um determinado tempo, e durante esta trajetória a gente se torna importante para algumas pessoas (poucas pessoas) e algumas pessoas (poucas pessoas) se tornam importantes para nós.

Eu já fui hiperbólica, hiperativa e extremamente imaginativa.

Pintava o mundo com minhas cores e achava que todos as pessoas cabiam no meu arco-íris. Imaginava que para ser , bastava querer e para fazer bastava pensar. Não basta... mas, na época eu nem imaginava... ou melhor, imaginava.

Eu dou um duro danado e ninguém paga minhas contas. Não levanto bandeiras feministas, nem sou moderninha. Não sou hipócrita, nem desleal. Gosto de tudo à moda antiga. Mas, eu acordo às 06:30 da manhã e durmo só depois das 23:00, à noite. Tenho dias bons e dias ruins. Tenho família, com um gato, com um quase falecido cachorro e sem nenhuma galinha. Tenho um moço que comigo se deita e comigo se levanta e que ainda diz ser meu passarinho. Tenho umas dores reais e umas tantas imaginárias. Tenho sonhos mais simples, mas não menos fantasiosos. Tenho mania de achar que podia ser melhor, fazer melhor, ser mais, fazer mais (por mim e pelos outros). Tenho vontades e quereres. Um pouco de paciência, nem um pouco de fingimento. Mas, pago pra ver... pago pra ter... nada vem de graça... "nem pão nem a cachaça..." mas, não boto minha alma a venda, nunca botei.

Hoje sei que a vida não é mole não. Ter o mundo nas mãos é apenas uma metáfora e o máximo que podemos é lidar com o espaço que nos cerca, com as pessoas que queremos bem e que nos querem por perto.

Hoje, importa-me alguns poucos amigos, algumas poucas palavras, alguns poucos livros, algumas poucas histórias, alguns trocados, alguns shows, algumas viagens, algumas pessoas especiais, alguns sonhos guardados, algumas lembranças, alguns momentos...minhas agendas e um monte de recortes, de colagens e pensamentos soltos ao vento.  Basta-me pouco, bem pouco, bem sei, os que me conhecem de verdade, sabem...

E, quando cada pouco deste se apresenta eu o faço ficar gigantesco. Então, um final de semana banal (para outras pessoas) com aqueles que gosto... se torna um evento. Um livro, não lido por muitos e que me encantei, se torna um marco. Um show vivido, se torna mágico. Umas lembranças, se tornam reais. Assim sou eu...

E, por que sou assim ?

Porque esta é a minha matéria prima. Esta é a minha arte. Fazer do mínimo o máximo, extrair das pessoas outras belezas, tomar de delicadezas outras palavras... fazer tudo virar lembranças...

Se eu faço sentido neste universo, não é porque sou católica, porque sou de direita ou porque me formei e trabalho há mais de 20 anos sem parar... só faço sentido, me sentindo especial para uns poucos, transformando pequenas coisinhas em real grandeza... e com isto, abstraindo de tudo que tentei e não fui, de tudo que sonhei e não cumpri, de tudo que era o máximo... que se fez no mínimo.. eu sou, assim.

Não sou melhor e não sou pior do que imaginei enquanto crescia... meu tamanho não está neste post, minhas estórias não cabem neste blog, as pessoas que gosto não são meros retratos... elas estão vivas, respiram e me inspiram...

... diariamente...

E, assim sendo, assim sou. Bem pouco para muitos, mas talvez a medida exata para os que me conhecem e sabem, da minha vida... mais de mim mesma...

Porque eu sou mínima, minúscula, molúscula neste Universo inteiro.. mas, não nasci ontem e nem morrerei amanhã (assim espero) !


1972
 

domingo, 9 de janeiro de 2011

bom é quando a vida te surpreende


 com pessoas que você nem esperava...

Bebel (da Tijuca-Vila Mada-Alemanha), eu (que sou daqui, que não sou de lugar nenhum), Lelê (da Tijuca, Tijucana!), Marçal (uma figuraça do bem, que contagia todos com um humor irreverente e ingênuo),  Kiko (que com fome não é ninguém e pós-fome podia ser o dono do Baú), Nanachara (dos astros, dos talentos e dos recados surreais no celular),  Paty (da mama, da África)...


Cássio (Sr Doutor, por favor),  Paty (de novo... da mama, da África), Daniel (do som, livre) , Maria Fernanda (sabe tudo da psicologia humana), Raquel (com seu tripé ambulante e seu vozeirão tijucano)...

Kadu (da água pura) e Sheila (dona miúda só no tamanho)...

... time de primeira para começar o ano com o pé direito!

A corrente do bem

Paraty - 12/2010


2010 acabou. Fazer balanço de tudo o que aconteceu, rever o que deixamos para trás, comprar agenda nova, riscar compromissos antigos, pensar em tudo o que planejamos ser, fazer... se dar conta de tudo o que não fomos, fizemos... Não é fácil começar um novo ano, mas também não pode e não deve ser tão difícil !

O importante, sempre, é imaginar que podemos continuar tentando, criando, inventando novas coragens, novos desafios, novos prazeres...

Para 2011 eu quero uma vida mais leve, uma existência mais solta, um mundo para chamar de meu. Quero pensar muito em mim, quero fazer muito por mim, quero me doar por inteira (não só aos outros, que tenho certeza, recebem sempre o meu melhor... mas a mim mesma, que me deixo sempre para depois, para amanhã, para mais tarde).

Em 2011 eu vou dirigir a minha vida sem pressa, com toda a responsabilidade e zelo com que trato o mundo ao meu redor. Vou andar de carro por aí, vou andar a pé, vou cair no mar, vou cair na piscina, vou descer do salto, vou pisar mais no chão frio, vou estudar não só os conceitos universais... vou estudar meu rosto no espelho, ver as marcas que tenho, ter consciência de quem sou, desvendar meus mitos, descortinar meus medos, usar bastante vestido, deixar o cabelo crescer um pouco para fazer tranças curtas feito rapunzel antiga... vou beber bastante água, vou alimentar menos dores, vou operar o nariz para respirar melhor, vou tirar o que for preciso para meu corpo não interferir na minha vida prática... vou escrever muito mais e com menos cuidado, com menos cobrança... vou continuar sendo uma moça, daquelas de antigamente, que gosta de ter alguém para cuidar, para mimar, para brincar de ser feliz para sempre... mas, eu serei antes de qualquer coisa, uma eu mais viva,  com todas as cores, dores e amores que o mundo real exige.

Em 2011, não haverá corrente enferrujando tudo ao meu redor, haverá retrós de linha cortando o vento e desafiando um céu cheio de estrelas !

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Invisível


Eu sou invisível.

"... porque estar perto não é físico e,
 estar longe não é definitivo..."

- Os famosos e os duendes da morte -


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Manhas e mãnhas


Hoje acordei pensando que minhas mãnhas são boas, o que me tira a paciência são as coisas que acontecem no decorrer do dia. Sou moça que acorda de bom humor, que não se estressa se o cabelo não secou e que não se importa de passar o esmalte no carro.

Mas, eu não tenho muita paciência para coisas bobas não.

Praticidade é o meu lema. Dá pra fazer, façamos. Não dá, adiante meu bem e vamos que vamos.

Gente que pensa devagar, que trabalha devagar e que pensa vagamente me deixa extremamente irritada. Não fazer direito o que poderia ser feito com mais cuidado (quantas vezes você sabe que bastava um pouquinho de boa vontade para aquele trabalho ficar genial ?) me deixa zangada mentalmente.  Mas, tem pessoas que são assim, simplesmente não fazem, não querem saber.

O meu problema é este. Eu sempre quero saber, e pior, eu abraço cada jacaré que não é meu, que depois me sinto assim, lutando no lodo do fundo de um rio. Daí, é partir para matar um jacaré por dia, e olha que eu mato, mas me canso... canso mesmo.

Ultimamente ando me sentindo manhosa, é verdade. Ando querendo mais dengo do que posso ter, ando querendo mais cuidados comigo (meu e dos outros!), ando querendo atenção, atenção por favor!

Sei que é tudo manha, e que vai passar. Mas, enquanto não passa, eu tô querendo me vestir com voial e cetim, usar echarpès de flores do campo, colher margaridas para brincar de bem-me-quer e ver filme antigo na tv.

É manha, de mãnha, vai passar, eu sei.
 
Menina, amanhã de manhã
Tom Zé - Perna

Menina , amanhã de manhã
Quando a gente acordar quero te dizer
Que a felicidade vai desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens


Na hora ninguém escapa
De baixo da cama ninguém se esconde
A felicidade vai desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens


Menina, ela mete medo
Menina, ela fecha a roda
Menina, não tem saída
de cima, de banda ou de lado


Menina, olhe pra frente
menina, todo cuidado
Não queira dormir no ponto
Segure o jogo, atenção de manhã


Menina a felicidade
É cheia de praça, é cheia de traça
É cheia de lata, é cheia de graça


Menina, a felicidade
É cheia de pano, é cheia de peno
É cheia de sino, é cheia de sono


Menina, a felicidade é cheia de ano,
É cheia de eno
É cheia de hino, é cheia de onu


Menina, a felicidade
É cheia de an, é cheia de en
É cheia de in, é cheia de on


Menina, a felicidade é cheia de a,
É cheia de é, é cheia de i, é cheia de ó

É cheia de a, é cheia de é,
É cheia de i, é cheia de ó

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Deleitosa


E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.


(Hilda Hilst - Do Desejo - 1992)



Descomedida




"Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer"


( Hilda Hilst - Do Desejo - 1992)

Égua fantasmagórica



"De tanto te pensar, me veio a ilusão.
A mesma ilusão
Da égua que sorve a água pensando sorver a lua.
De te pensar me deito nas aguadas
E acredito luzir e estar atada
Ao fulgor do costado de um negro cavalo de cem luas.
De te sonhar, tenho nada,
Mas acredito em mim o ouro e o mundo.
De te amar, possuída de ossos e abismos
Acredito ter carne e vadiar
Ao redor dos teus cismos. De nunca te tocar
Tocando os outros
Acredito ter mãos, acredito ter boca
Quando só tenho patas e focinho.
De muito desejar altura e eternidade
Me vem a fantasia de que Existo e Sou.
Quando sou nada: égua fantasmagórica
Sorvendo a lua n'água..."



Hilda Hilst

Três por Quatro



Bem humorada ao acordar + moleca numa pista de dança + moça de tantos quereres e de tantas delicadezas + doida, perdida, totalmente perdida, desgovernada.

Sou assim, 3 x 4.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Escrita


Obrigada à vocês, leitores do Letreira.

Vocês também fazem parte do meu Universo (se não o real, pelo menos o virtual). E daqui, já ganhei muitos amigos (alguns que estimo muito mais do que uns alguéns reais) .

Estranho o momento, em que vocês, que por aqui passam deixando suas impressões, se tornam tão próximos que parecem sempre ter existido na minha vida.

Alguns eu gostaria mesmo, de ter conhecido há muitos e muitos tempos, e gostaria mais ainda de que soubessem muito mais de mim, e saberiam assim quem eu sou (não só pelo que escrevo hoje, mas pelo que já vivi, quais os caminhos que me trouxeram até aqui).

Mas, sabendo que o tempo não se muda, apenas se segue...

Sigamos juntos: "para o infinito e além".

Obrigada por me seguirem.