domingo, 9 de maio de 2010

Mãe Menininha



Maria é minha mãe. 

Quando moça de pouca idade eu era, sempre achei que só parecia com meu pai e só com ele queria parecer  (os cabelos claros, os olhos verdes, a pele tal qual leite quente, a poesia urgente borbulhando pelo peito, a vontade inegável de fazer a vida mágica e de alumiar todos ao meu redor com pequenos instantes de eternidade)... mas o tempo me ensinou e me mostrou que a essência do meu ser é da minha mãe, e hoje, moça de mais idade, sei todo o caminho percorrido que me fez ser a meia-mulher-filha-amiga desta mãe tão menina.

Maria.

Simples assim. Moça bonita de antigamente, com cabelos longos e negros tal qual artista de telenovela. Com boca de passarinha, que assoviava sem parar, canções que até hoje sei de cor. Que me ensinou matemática com palito de fosfóros, que TODAS as noites antes de dormir me contava estórias e lendas antigas (e foram tantas e tão repetidas... porque eu pedia sempre as que mais gostava) e com a qual eu aprendi que a vida podia ser inventada, bastava querer, imaginar e sentir.

Maria não é de brincadeira, embora esteja sempre sorrindo.

Forte, firme e corajosa, me deu mais do que pedi nesta vida. Eu que nasci do seu ventre livre, impetuosa e cheia de vontades, sei do amor e das dores que esta mãe menininha dedicou a mim.

Não fui filha problema, não tive crises existenciais para sair de casa, não dei trabalho na escola , nem com moços bonitos, nem com príncipes-quase-encantados.

Mas, sempre quis ser mais. Mais de mim mesma. Mais, até do que podia.  Em lugar comum, eu não queria estar, eu precisava voar... o tempo todo... 

Foi minha mãe quem me deu chão, retidão, força e vontade de crescer sem atropelar ninguém. Foi a minha mãe quem fez os meus Natais mais bonitos, com presentes debaixo de árvores e ceias inesquecíveis, além de cabelos penteados, laços de fitas e cartõezinhos escritos à mão. Foi a minha mãe quem me ensinou o sentido da páscoa, a oração da Salve-Rainha e o prazer de cada detalhe, de cada pensamento. Foi a minha mãe quem fez todos os bolos dos meus aniversário de infância e cada parabéns era repleto de fotos e de imagens permanentes na lembrança. Foi ela, a minha mãe, quem me levou pra escola, pra faculdade e pra tantas viagens que nem sei por onde andam dentro de mim. Foi o amor dela, que alimentou cada desejo meu. De ser grande, de ser inteira, tal qual a artista do dia, do cotidiano que ela era... constantemente.

Não tenho filhos, não sei o que ela sente ao me ver. Não sei o que é ser mãe e sentir as dores, e doar amores, e querer tanto bem até se esquecer de si própria. E, talvez por não ser, por não saber e nem sequer imaginar a extensão deste laço sagrado que nos une é que lhe dedico tanto afeto, tanto desejo de que na sua vida mãe... eu esteja sempre presente. 

Não hoje, DIA DAS MÃES, mas todos os dias, no dia-a-dia, como sua filha.

Eu te quero bem moça-maria-menininha, tanto tanto que tenho a sensação de que tua mãe agora eu sou. E quero cuidar do teu dia, das tuas horas e da tua felicidade. Teu riso me contagia, tuas ligações diárias, tuas estórias, tuas tristezas e alegrias, fazem a minha vida ter mais sentido, mais centro, mais direção.

Você cada vez mais é maior dentro de mim. E, se hoje, estou aqui é porque você me quis, me desejou, me cuidou e me trouxe pra este mundo, pra teu colo, pra tua vida.

Você me deu tempo, me deu espaço, me deu Pai, me deu irmãos, me deu família... e não há nada, em lugar nenhum, que seja maior do que isto.

Mã, obrigada por me ter feito esta moça-de-tanto-bem-querer, que aqui está hoje desejando apenas que você viva por muitos e muitos anos pra fazer a HISTÓRIA desta família, viver pra sempre.








Oração de Mãe Menininha

Dorival Caymmi

Composição: Dorival Caymmi
Ai! Minha mãe
Minha mãe Menininha
Ai! Minha mãe
Menininha do Gantoise
A estrela mais linda, hein
Tá no gantoise
E o sol mais brilhante, hein
Tá no gantoise
A beleza do mundo, hein
Tá no gantoise
E a mão da doçura, hein
Tá no gantoise
O consolo da gente, ai
Tá no gantoise
E a Oxum mais bonita hein
Tá no gantoise
Olorum quem mandou essa filha de Oxum
Tomar conta da gente e de tudo cuidar
Olorum quem mandou eô ora iê iê ô


5 comentários:

Tatiana disse...

e essa pequena palavra que nos remota a tal grande exemplo! adorei o texto e viva nossa mae!!

Juan Moravagine Carneiro disse...

Bela homenagem!

Abraço

Marcantonio disse...

Há momentos nos quais olhamos para certas palavras com espanto, como se a estivéssemos percebendo pela primeira vez, apesar de utilizá-las durante anos. Aconteceu-me agora com a expressão 'Mãe Menininha', não havia reparado como ela pode ser bonita!

Abraço.

Bruno disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruno disse...

Moça adorei este blog!
Harmonico, sutil e delicado uma cançao canceriana ... Bjs e parabéns pelo blog