sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Videoclubes


Eu adoro videolocadora...

Sou capaz de ficar horas lá dentro, sem me cansar. E, pior, vendo as escolhas alheias e palpitando, engatando papo, discutindo películas antigas. Devo ser chata. Daquelas que quando vê uma pessoa indecisa entre um filme e o outro já pega um terceiro e mete no meio e dá argumentos baseado nos últimos filmes que a pessoa viu e gostou.

Meu marido, que é discreto, tem pavor de mim... eu falo com muitos estranhos sem ser chamada na conversa !

Eu adoro videolocadora...

Não sei porque nunca trabalhei em nenhuma. Há 25 anos atrás era tudo VHS e tudo demorava mais para chegar ao nosso alcance. E, detalhe, não havia internet... por isso a gente gostava tanto de ficar na locadora discutindo sobre filmes, sobre atores, diretores, sobre as tantas impressões que tínhamos de tantas coisas... era uma delícia!

Depois veio o DVD e eu impliquei pacas... dizia que não ia abandonar o VHS, que bom mesmo era ver Fellini enroscando no cabeçote (pois é, algumas fitas antigas enrolavam e davam um trabalhão tirar tudo lá de dentro e pior, às vezes,  tínhamos que pagar pelo prejuízo, pois não havia salvação) !

Daí, chegou um dia que eu assisti o DVD e implicante e replicante que eu era, nem vi tanta diferença na tecnologia que deixava tudo brilhando, com tanta nitidez que era uma beleza... Briguenta que eu era, queria ver tudo em VHS, não aceitava ser tão moderna. Mas, o tal do menu com extras me fisgou... Caraca, o extra era outro filme, era outra visão, era a dissecação de tudo que ficava no ar e que a gente só descobria depois de muito bate papo com os amigos... Em alguns casos, os extras eram uma verdadeira aula de cinema, falando sobre efeitos, sobre caracterizações, sobre pesquisas, etc.

Bem, eu me rendi ao DVD (chorando, brigando comigo mesma) mas os extras... ah, não tinha mais jeito, os extras me conquistaram  e parei de comprar vhs.

Houve um tempo, que diziam que o mundo ia mudar. E, que as videolocadoras não sobreviveriam. Confesso, levantei bandeiras contra a rendição à tv a cabo. Não, eu gosto de ir na locadora, gosto de pegar o filme na mão, de virar a capa, de ler o que está ali, de ouvir o que as pessoas falam... de pegar um, pegar aquele, trocar por outro... não era possível a tv tirar tudo isto da gente!

Não me rendi, o mundo sobreviveu. E, se a tv a cabo trouxe um monte de filmes... não tirou , tenho certeza, nenhum cinemaníaco do cinema, não tirou os apaixonados pelas locadoras das ruas. Estamos lá, firmes e fortes, e as locadoras lucrando cada vez mais (porque alugar filme ficou caro, em alguns dias mais caro do que ir ao cinema) !

Tenho NET, vou ao cinema o tempo todo, passo na locadora um montão de vezes e a delícia continua a mesma.

Dizem que sou louca... mas, eu gosto de conhecer gente na locadora. Sempre acho pessoas interessantes, sempre tem a chance de encontrarmos alguém que gosta dos mesmos filmes  ou que gostam de outros diretores e acabam nos convecendo a experimentar algo novo.

Não tenho medo. Nem de arriscar nos filmes, nem de abrir a boca pra falar com gente que nunca vi.

E, por estas e outras, de vez em quando posto aqui alguém novo que descobri...

A Má foi assim. Entrei na locadora atordoada porque estava lendo De Verdade, do Sándor Màrai e pensando no livro e escolhendo um filme e acabamos nos esbarrando.

Mary e Max, eu adorei - ela também. 500 dias com ela, ela adorou, eu tenho em casa. Jane Austen... ah, querida Jane Austen, Mr Darcy é nosso amor! E foram tantas identificações ao acaso que dei o endereço aqui do Letreira pra ela bater na porta da minha casa... e de quebra, ela me deu o poster da Mary e Max pra eu botar na minha sala.

Ela não só apareceu por aqui, como criou um blog adorável, que tem tudo aquilo que eu gosto: música, literatura e cinema.

A Má é uma querida e segundo ela, é mais ou menos assim: "Maria W. aka Mary ou Maryann, 19 anos. Meio paulista, meio carioca. Tem a frescura de paulista, mas o time do coração é o Vasco da Gama. Futura estudante de Fotografia, que deixará de ser futura em março, apaixonada por cinema, música, literatura e artes em geral. Viciada em filmes da Keira Knightley, músicas do Libertines e Franz Ferdinand, e livros ingleses do século XIX. Aliás, a foto ali em cima é do filme da sua vida, Lost in Translation."

O AlbionDream está aberto para visitas.

Vai lá descobrir o que esta guria tem na cabeça e está botando na tela...

4 comentários:

Marcello disse...

Oi Sonia,

Sou tarado por videolocadoras, mas eu tive a chance de trabalhar na Premiére na Av.Heitor Penteado-Sp, e ficava horas após o expediente conversando com os clientes sobre filmes.

Tenho cerca de 500 dvds em casa e continuo comprando...Tem alguns filmes que eu sei até de cor.

Vou conferir o blog da sua amiga.

Boa semana.

Hugo de Oliveira disse...

Gosto muito de frequentar videolocadoras, valorizo muito...é uma pena que em minha cidade só tenha duas. As outras fecharam por falta de clientes.

abraços

Anônimo disse...

Lembro-me bem de nossas passadas na 2001 vídeo , quando você interagia com todos, sugeria mais do que aceitava sugestões (rsrs)... Que saudade que eu tenho de sugerir filmes que você sempre achava pouco recomendáveis e me surpreender com os filmes que você escolhia e que eram (são) sempre bons...

Locadora é tudo de bom, uma geração de fortes, coisa que só os medíocres julgam dispensável...

Beijo
Gilocas

garfo sem dentes disse...

é uma delícia mesmo ir a uma videolocadora e ficar lá dentro horas escolhendo, dando palpites, papeando, metendo o bedelho no filme alheio, eu curto isso, já fiz altas amizades dentro dessas instituições, hoho,

essa coisa de tudo ir mudando e de uma hora pra outra todos os filmes dentro de um cdzim, num fez muita difereça pra mim não, num ví isso com tanta crítica eu devia ser uma criança que soltava sacola como pipa por aí ainda,

adorei o post, deu pra te conhecer mais um pouco, fiquei aqui imaginando várias cenas,

té breve
felipe godoy