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sábado, 9 de abril de 2011

Le Petit


Todo mundo sabe que eu AMO Paris, mas que até lá nunca fui.

Claro que já poderia ter ido, mas nunca quis pacote de uma semana... quero ateliê, quero bistrô, quero ópio, ruas tortas, rio, pedra, chão, pluma.

Se não for assim, vou continuar amando Paris pelos cartões postais que recebo e pelas noites e letras rasgadas por Baudelaire.

Hoje descobri um blog ateliê e me respondi uma pergunta que as pessoas que me cercam vivem fazendo: o que você quer pra sua vida ?


Trabalhar com minhas próprias mãos, transformar o sonho em peça única, ter um cachorro pra com ele olhar o mar, um moço pra amar e ter toda esta paz, este silêncio e esta beleza, ao meu redor.

E, ao sair de férias, botar um lençol (escrito por mim) pendurado na janela. "Fui ver a vida apressada que os outros vivem lá fora, daqui a pouco eu volto" ... e voltar para minha brancura... voltar sempre...

Feliz eu seria, assim.
De resto, dispensaria tudo.

domingo, 17 de outubro de 2010

Non Je Ne Regrette Rien





Paris.

Eu já sonhei com Baudelaire, desenhando sob minha pele suas Fleurs Du Mal. Sob o efeito do ópio escreveria linha por linha em cada osso da minha delicada costela "Ma pauvre muse, hélas! qu'as-tu donc ce matin?".  

Com Marcel Duchamp eu poderia reinventar a arte, sem medo. Em Paris, eu criaria, eu sei.

Em Paris, o perfume que uso faria mais sentido J'Adore de Dior (para a mulher confiante e sensual, que celebra a sua feminilidade. suas notas combinam mandarim, hera, violeta, rosa, damasco e amora silvestre ) eu não passaria despercebida, eu seria sentida...

Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, não seria só o meu filme preferido, eu seria a própria Amélie. Encantada, encantaria e escreveria cartas lindas para Jean-Pierre-Jeunet.

Eu tiraria férias na Vieux-Nice e usaria echarpe para segurar meus cabelos que o vento teimaria em desmanchar todo...

Matisse não estaria morto e poderia me colorir, se quisesse, porque musa dele eu seria, sem falsos pudores...

Também sem pudor, leria Anais Nin e imaginaria, não sei bem ao certo o quê, mas imaginaria muito, tenho certeza.

Talvez sonhasse em me casar na Catedral de Notre-Dame com festa no Palácio de Versalhes.

Passaria tardes inteiras, lendo nos charmosos cafés e a noite me embriagaria com Veuve Clicquot brincando e brindando com as luzes da Torre Eiffel.

Viveria a margem do Rio Sena, alugaria atêlie e voltaria a pintar.

Funny Face eu estrelaria e Fred Astaire me tiraria para dançar, com ou sem chuva...

Rodin, ah Rodin... eu imagino cada lasca de pedra, cada novo mistério... 

Mudaria meu nome para Charlotte ou Sophie, assim, fácil.

Medos privados em lugares públicos ...

Eu tiro letra de Pedra, porque o Letreira nasceu em Paris. Mas eu, Sônia Alves Dias, nasci na Lapa e ainda estou esperando um trem para as estrelas...


"Desiludido com o que me tornei, mas sou o que sou"