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segunda-feira, 1 de março de 2010

Querubim

Nanquim sobre papel-Sônia Alves Dias




Querubim
Monica Salmaso


Não sei se tu tens um anjo
Que eu tenho um anjo sim
Meu anjo é um pequenino
Que agora vai dormir

Dorme meu anjo lindo
Meu menino serafim
Que o sono vem vindo
Pra levar você de mim

Porque está na hora
Na hora de dormir
Dorme meu pequenino
Dorme meu querubim

Meu Anjo Sim

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Noites de gala, samba na rua

Foto arquivo pessoal - Sônia Alves Dias


QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ
Chico Buarque 1966

Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita onde eu era mestre-sala
Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua

Quando o samba começava, você era a mais brilhante
E se a gente se cansava, você só seguia adiante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado

Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais a esquece não pode reconhecer

O meu samba se marcava na cadência dos seus passos
O meu sono se embalava no carinho dos seus braços
Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão
Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão

Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia

Hoje o samba saiu…

Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
Quero que você assista na mais fina companhia
Se você sentir saudade, por favor não dê na vista
Bate palmas com vontade, faz de conta que é turista

Hoje o samba saiu…

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Diadema e véu...

Mônica Salmaso e Teco Cardoso (com Nelson Ayres escondido no breu) - SESI/FIESP

Ela entoou Melodia Sentimental e olhou para o infinito. O peito apertou, a respiração ficou suspensa, a voz cálida parecia alcançar a alma da gente e meus olhos teimavam em marejar corredeiras.
O silêncio parecia pairar sobre nós.
Ouvir Villa Lobos sussurrado por Mônica é um momento sublime de contemplação e rara beleza.
Há intérpretes e há Mônica Salmaso. Séria, possui uma gaiatice que não é distribuida gratuitamente. Seus movimentos (contidos, até) cadenciam canções e o olhar busca a escuridão para alumiar tudo.
Teco Cardoso é moço sortudo, conquistou a musa e com ela faz linda parceria. É bonito de se ver, de se ouvir, de saber que ali tudo é poesia.
Ontem (24/06, dia de São João, dia de meu irmão, com todas as suas idades gravadas no tempo) eu fui pra Fiesp ver Mônica encantar.
Ao abrir o show com Melodia Sentimental, fez aflorar na pele décadas de bem querer. Confesso que pensei muito em morte, embora não a queira por perto de jeito nenhum! Mas, enquanto eu ouvia cada acorde da canção, eu pensava ... "no dia da minha morte, queria um instante assim... se eu pudesse escolher, quereria que este momento fosse o meu adeus..." . Coisa estranha de se pensar, bem sei, mas Melodia Sentimental é qualquer coisa mística e mágica e dolorida e de prantos e de espantos e de soluços e de desespero e é tanta coisa junta que o peito parece que vai explodir de tanta emoção...
Daí pra frente, o show tomou outro rumo na minha retina. A contemplação embevecida daquela moça, que parece não ter muitas vaidades, mas que tem tanta doçura no olhar que parece alcançar lugares escondidos na alma, causa lento topor no nosso corpo inteiro (e note-se, que ela não é uma artista que interage com a platéia circensemente, e esta reserva talvez nos faça mais cativos... quando ela sorri meia-lua, parece que do palco incandesce estrelas) .
O show de ontem era de três artistas consagradíssimos: o mestre Nelson Ayres, o instrumentista Teco Cardoso e Mônica Salmaso, intérprete perfeita.
Eu sempre me sinto privilegiada em me conceder instantes assim, que movimentam em meu ser cordas imaginárias e que me faz mergulhar num templo perdido em algum fragmento cósmico entre o céu e a terra. Ali, onde não há explicação, não há cor, não há palavras...
... apenas deslumbramento e serenidade em lugar sagrado, com velados segredos.



Melodia sentimental
(Heitor Villa-Lobos e Dora Vasconcelos)

Acorda vem ver a lua
que dorme na noite escura
que surge tão bela e branca
derramando doçura
clara chama silente
Ardendo o meu sonhar
As asas da noite que surgem
e correm no espaço profundo

Ó doce amada desperta
Vem dar teu calor ao luar

Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor

Acorda vem olhar a lua
que brilha na noite escura
Querida és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar