terça-feira, 3 de agosto de 2010

O meu amor

Foto arquivo pessoal

Sou moça antiga. Daquelas que tem um homem pra chamar de seu. Que gosta de olhar para trás e ver que uma história construída e vivida, é mais bonita do que uma imaginada.

Sou moça de apostas altas.

Claro, já fui mais impetuosa, mais egoista e arteira. Mas, quando a gente encontra alguém que não está nos livros, a gente aprende que a vida deixou de ser conto e se transformou em realidade. E a realidade pode ser bem bonita...

Eu escrevo cartas, todos sabem. Por email, sim. Mas, eu gosto do papel. Gosto de imprimir minha caligrafia na folha em branco. Gosto de por ali, todo sentimento. Deixar escorrer o alfabeto inteiro, letras de músicas, desejo, amor, cumplicidade, saudades...

Já escrevi mais. Guardo numa caixa bonita, recortes antigos, nuvens de algodão e uma infinidade de delicadezas e miudezas. O marido me ganhou na loteria, eu acho.

Também eu o ganhei. Não na primeira partida, onde as apostas eram poucas e a vida era grande. Mas, quando eu estava partida, ele apareceu e apostamos mais alto ainda, com medo, bem verdade, mas com o coração aberto e deu certo. Tão certo que hoje ele cozinha para eu sorrir, ele me põe para dormir e me aninha na costela quente dele toda noite e o mundo amanhece em paz.

Tenho a sensação que dançamos um balé mágico, quase invisível, onde somos estrelas cadentes e carentes, num universo desconhecido.

Não me lembro mais como é a vida longe dele, eu era cheia de peraltices e cheia de vontades. Hoje, as vontades não são as mesmas, e de moça me transformei em mulher (mas as moças estão sempre por aqui, se reiventando em mim) e arte eu ainda faço, só que de outra maneira.

Sou moça de moço, e tenho gosto por isso, gosto muito, mesmo.

O mundo lá fora deixou de ser tão divertido. As pessoas "se eu seria personagem" se perderam e criam tipos fantásticos que não se sustentam. Ao vivo, perderam as cores. Raras, são as que nos comovem, nos impressionam realmente.

E, se você achar um alguém pra chamar de seu, não tenha medo... deixa ele entrar.



O Meu Amor
Chico Buarque

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

3 comentários:

Cosmunicando disse...

lindo seu texto e seu amor :)
o do chico, idem!
adorei

Kátia disse...

Lindo texto. Me emocionou, viu?
Bjos

E quando eu estiver bobo, sutilmente disfarce disse...

Hoje em dia escrevo mesmo no PC. Perdi a essencia de escrever algumas cartas e textos a mão. Minha letra ja nao ajuda. kkk.
Gostei desse posto. Vou ver se consigo escrever alguma coisa no papel !
Beijos!