quinta-feira, 9 de outubro de 2008

No intervalo...

... do almoço, eu limpo minha mesa de trabalho. Pego o jornal do dia e recorto todas as matérias que me interessam. Classifico por música, literatura, artes diversas, inutilidades, tirinhas pra guardar e tirinhas pra mandar por correio pra amigos viciados em personagens coloridos.
Insuportavelmente chata com meus papéis, bem sei, eu sou. Meus recortes, são meus. Não vão pro lixo, não podem ficar amassados, e só colo quando eu quiser e onde eu quiser.
Às vezes, seleciono um para agenda, às vezes mando algum por carta, às vezes deixo solto ao léu para ser achado por uns 'alguéns'. Às vezes, colo no caderno que lhe pertence: de música, literatura, artes diversas, inutilidades e pro "tirinhas tiradas ao acaso"... Mas, às vezes, vai tudo (e é muito tanto) pras minhas caixas de recortes. E, as caixas crescem e se multiplicam, porque meu tempo é infinitamente menor do que eu gostaria e, recortar jornais e, ler notícias pequeninas (tipo a nota do falecimento do meu querido Gigante, numa página que não era de mortes...) e, achar raridades ou apenas similaridades (claro, porque às vezes, eu recorto a mesma notícia em jornais diferentes!) é um trabalho delicado, que leva tempo, que me faz refletir, que me faz meditar, descansar de computador, brincar com a tesoura e que me transporta para além do espaço que me cerca.
É transtornante, bem sei (e meu marido sabe muito mais, e por conta disto jornais em casa são quase proibidos, quase...). Toc-toc incurável, que preservo. De tempos antigos, longínquos. De imagens sutis, gentis. De vício que me domina, e do qual não me livro, não me liberto e não me desvio.
Meus jornais, contam uma história que só eu decifro (ou devoro) ?