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quinta-feira, 31 de março de 2011

Rascunho


Tem coisa mais bonita que um rascunho
que transmite toda emoção de uma obra ?

Drawing for a Kiss - Lichtenstein



domingo, 13 de março de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Rasuras


Eu acompanho o trabalho da Edith Derdyk há algum tempo e toda esta produção dela em papel em branco me inunda de significados poéticos. 

Eu escrevo muito, mas confesso, por aqui mostro pouco. Porque com o tempo a gente aprende que uma vez na internet, nada pode ser salvo. Portanto, eu me sinto segura, tendo minhas coisas guardadas. 

Assisti um filme esta semana e saí de lá pensando "quando você não é ninguém, você pode ser alguém!". Pode soar estranho, aforismo construído, mas não é. A sensação que tive é que na internet a gente se expõe (involuntariamente ou conscientemente) e muitas vezes isto é bom e em outras não é.

Aqui em casa, eu sou a exibida (tenho orkut, facebook, twitter e blog e freqüento todos me expondo cruamente, como diria Drummond) e o marido é um monge (só existe para as pessoas reais que realmente o conhecem). 

Por isso, mesmo me expondo, resguardo minhas letras... porque tenho certeza, meus contos, poemas, textos e cartas me desnudam muito mais do que meras impressões que tenho da vida, dos filmes, dos livros, que cito, posto, comento. Quando alguém lê as palavras que você deitou no papel essa pessoa tem que ser íntima, tem que ser sua confidente, para que você possa abrir seu livro sem medo...

Por isso, por aqui e por aí onde estou virtualmente tudo o que tenho são folhas de papel em branco, tingidas apenas com um blush... com poucas impressões sobre o que capto, porque o real, a real, eu deixo para mostrar ao vivo...

Assim sendo, hoje não sendo ninguém, um dia uma alguém serei.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Entre ser um e ser mil


Sempre que a Edith monta este curso eu acesso o site doida pra me inscrever... mas, é sempre num período em que algo está acontecendo na minha vida que me impede de ir. Até julho, só tenho vagas para me divertir, me descobrir , aos sábados... durante a semana... curso longo e intenso, estou vetada para outras poéticas!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Das volúpias


De repente, mas não tão de repente assim... a gente se descobre apegada a determinado artista. Eu já quis ser muitas coisas e bem pouca coisa eu sou, reconheço. Mas, uma bailarinda eu queria ser. Não uma qualquer. Isadora Duncan, eu seria. Assim, rasgando as formas contidas e me rasgando inteira no palco, feito vento, feito música, feito tudo...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Do jeito que eu queria

ART MUST BE BEAUTIFUL, ARTIST MUST BE BEAUTIFUL [A arte deve ser bela, o artista deve ser belo], 1975. Parte integrante da videoinstalação VIDEO PORTRAIT GALLERY [Vídeo galeria de retratos], 2007. Cortesia: artista & Sean Kelly Gallery, Nova York.  

"my way" no funeral

"Em novembro do ano passado, Marina Abramovic convidou amigos para o jantar de seus 63 anos em seu loft no SoHo, bairro de Nova York, um espaço luxuoso, com um vestiário de peças de metal ao lado de uma enorme banheira - presente que ela se deu após ter se separado de Paolo Canevari, seu segundo marido, escultor italiano. Marina estava maravilhosa, trajando um vestido preto justo e maquiagem criativa, cabelos soltos. "Quero que você conheça alguém", disse, conduzindo-me até um canto onde havia um querubim com rosto tristonho e tranquilo e cabelos despenteados. "Este é Antony. Espero que ele cante em meu funeral." Antony Hegarty, do grupo Antony and the Johnsons, é famoso por sua voz etérea. A música que ele irá cantar quando ela morrer, "se tudo der certo", diz Marina, é My Way. Então, ela me conta como será sua performance de despedida. Irá ocorrer em três cidades: Belgrado, Amsterdã e Nova York. Quem comparecer deverá usar roupas coloridas. E haverá um caixão em cada cidade. "Ninguém saberá", diz, "em qual deles estará o verdadeiro cadáver." - Revista Bravo

domingo, 5 de dezembro de 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Arte sem pressa

 
TIJUANA - FEIRA DE ARTE IMPRESSA
26/11/2010 - 19 as 22h
27/11/2010 - 11 as 20h

[segunda edição]
Projeto criado em 2007 pela Galeria Vermelho, o TIJUANA tem como objetivo a apresentação de obras impressas cujo suporte as diferencia dos formatos tradicionais de obras de arte como a pintura, a fotografia ou a escultura. No TIJUANA, obras de arte como livros de artista, gravuras, pôsteres, vinis e DVDs são produzidos, apresentados, e comercializados. O projeto acomoda também lançamentos de diversos tipos de publicações de artistas e de projetos editorias, criando com esses procedimentos uma plataforma ampla de apresentação e discussão acerca da arte impressa.

Saiba mais: Galeria Vermelho

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Varal fotográfico


A fotógrafa Sandra Pagano conversou com a Ateliê sobre o varal fotográfico que aconteceu no dia 16 de outubro, no bairro do Jardins, em São Paulo. Ela organizou o evento junto com o grupo de fotógrafos Amadores e Profissionais de São Paulo (APSP), que já planejam o II Varal Fotográfico.

Leia mais AQUI


Slings

Foto arquivo pessoal - Bienal 2010 - Nnenna Okore

Idéia boa pra guardar história.

"O fundamento do trabalho de Nnenna Okore é sua vida cotidiana. A artista parte de objetos que encontra, desde jornais e revistas até tecidos variados, e neles executa diferentes procedimentos como colagem, costura, bordado ou tingimento, deformando-os para remoldá-los. O resultado são esculturas em que os materiais reciclados ganham nova dimensão e significado, levantando questões relacionadas com superprodução, excesso e desperdício. Na obra Slings, a artista enrola vários grupos de jornais diversos como pergaminhos, formando conjuntos assimétricos, de aparência orgânica e visceral, envoltos por uma cinta de juta grossa. Ainda que suspensas, as esculturas encontram-se dispostas na parede como se a sua superfície branca e lisa orientasse a leitura dos trabalhos, tal qual uma narrativa linear. Nnenna Okore confere uma nova aura aos folhetins, ao deslocá-los e privá-los de sua função informativa, ao mesmo tempo em que os engaja num protesto contra o excesso, tomba-os sobre paredes expográficas na forma de instalação"  Site Oficial: Bienal

Saiba mais sobre Nnenna Okore

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

29ª Bienal de São Paulo



“Há sempre um copo de mar para um homem navegar” é o tema da 29ª Bienal, verso do poeta Jorge de Lima, que afirma a estreita e ambígua ligação entre arte e política – foco desta edição da Bienal.
A 29ª Bienal de São Paulo vai expor cerca de 850 obras de 159 artistas até o dia 12 de dezembro. A exposição pretende ser simultaneamente uma celebração do fazer artístico e uma afirmação de sua responsabilidade perante a vida e a sociedade. Os curadores são: Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias.
De 2ª a 4ª feira: das 9 às 19h (entrada até as 18h)
5ª e 6ª feira: das 9 às 22h (entrada até as 21h)
Sábado e domingo: das 9 às 19h (entrada até as 18h)
9h às 18h | Grátis
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n - Portão 3
Moema - São Paulo
11 5576-7600

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fotógrafos de rua


Fotógrafos em situação de rua em São Paulo expõem arte para a elite 

Breno Castro Alves (Especial para o UOL Notícias)


Famosa por suas lojas caríssimas e público abastado, a rua Oscar Freire acaba de inaugurar um espaço para expor contradição social. O espaço da loja Op Art recebeu nesta segunda-feira (18) a primeira exposição do projeto Trecho 2.8, apresentando 50 fotografias de arte de dez cidadãos em situação de rua, moradores do centro de São Paulo. As imagens ficarão por ali até o próximo dia 23 de outubro, em exposição preparatória para o leilão que acontecerá dois dias depois disso na ainda mais pomposa Villa Daslu. Ambas terão portas abertas e entrada franca.
As 50 fotos foram produzidas ao longo dos últimos cinco meses. Foram utilizadas câmeras semiprofissionais digitais.
Primeira iniciativa do Instituto Brasis, o Trecho 2.8 propõe construir deslocamentos sociais. O grupo inicia conta com dez pessoas em situação de rua que demonstraram o interesse de aguçar o olhar para buscar o novo em uma realidade saturada. Os coordenadores entrevistaram cerca de 20 possíveis candidatos, sem revelar que os participantes ganhariam também uma bolsa de meio salário mínimo. Buscavam formar um grupo pequeno, reunindo pessoas com genuíno interesse por desenvolver subjetividade e arte.
Selecionaram 11 -apenas uma participante desistiu. Os encontros do Trecho reúnem fotógrafos, os dois coordenadores do projeto e dois diretores do Brasis. O número reduzido permitiu um aprofundamento da experiência individual em um grupo onde, nos últimos cinco meses, se discutiu e exercitou fotografia. Os fotógrafos lidaram com seu extremo oposto na pirâmide social. Os dez participantes foram os convidados de honra da abertura da exposição ontem à noite e estarão também na abertura do evento na Villa Daslu.
O Brasis foi criado pelo empresário Marcos Amaro, instigado a promover ações para diminuir a desigualdade social e expor contradições dentro da elite. O jovem de 26 anos tem a consciência de quão necessário é questionar e apontar as contradições das elites. Assim, o Brasis propõe pensar um trabalho de educação e formação não apenas para as populações mais pobres. Todos precisam de educação social e responsabilidades, principalmente os mais ricos.
O milionário está nu

Estudar filosofia abriu caminhos e a cabeça de Marcos. Começou aos 23. Até ali, o jovem havia se dedicado exclusivamente a multiplicar uma herança milionária. Hoje, tem 26 anos, participação em várias empresas e algumas dezenas de milhões de reais. Fundou o instituto para lidar com contradições instigadas por estudar pensadores como Platão, Kant e Freud com seu professor, Donizete Soares. Hoje, se apropria de Marx para pensar uma visão de mundo: “Sou consciente de que meu patrimônio é fruto da desigualdade social e aí vejo uma responsabilidade. O capital é uma ferramenta, quase sempre usada para gerar mais capital. Eu estou tentando entender como usar ele para criar cidadania ”.

Marcos tem fala pausada e dicção perfeita, age com cordialidade sincera. Há três anos reuniu amigos inquietos – e milionários – para formar um grupo de estudos. Buscando novas visões para entender seu lugar no mundo, foram atrás de filósofos e de si mesmos. As contradições do grupo afloraram e há um ano surgiu o Brasis, instituto que propõe uma troca de visões entre os extremos da pirâmide social. Villa Daslu não é exatamente o cenário da vida de um sem teto.
Assim, buscam brechas de conscientização. Propõem à elite o financiamento de um instituto em aberto que, por princípio, busca contato. O Brasis tem 35 mantenedores que contribuem mensalmente com dinheiro não deduzível de imposto. Talvez alguns deles estejam expiando suas consciências, mas Marcos não está. “Não carrego culpa, não é um pecado ter dinheiro, sinto mais como responsabilidade. Não é alívio de consciência, é projeto de vida. Devo passar 70% do meu tempo trabalhando para o Brasis. Nessas pessoas encontrei as coordenadas de onde me posicionar no mundo”, conclui.
Instituto Brasis: estudos e ações

O Trecho 2.8 é realizado em parceria com o Instituto GENS, responsável pela formulação e execução do projeto. “Entendemos nosso trabalho junto ao Brasis como a possibilidade de colaborar para que um grupo de jovens empresários repensem seu papel social”, avalia Grácia Lopes Lima, fundadora do GENS, junto a Edson Fragoaz, uma das coordenadoras do Trecho 2.8.

A professora - “educadora não, porque educar é responsabilidade de todo adulto” - está satisfeita com o modelo de co-gestão que o grupo vem construindo. Não existe imposição de um modelo ou caminho, não é um projeto social formatado como a solução para pobres coitados. As discussões estratégicas são coletivas, todos os participantes, de coordenadores a fotógrafos, têm voz sobre como lidar com aquela construção. O grupo, que se reunia duas vezes por semana para discutir fotografia, decidiu também se encontrar a cada 15 dias para estruturar coletivamente a próxima ação do Brasis.
Diz Grácia: “Estamos formando um grupo para pensar ações coletivamente, para sair do movimento de promover projetos em benefício daqueles que não têm. Estes rapazes estão interessados também em entender o contexto social que, se por um lado gerou seu patrimônio, por outro privou multidões dele. Por isso o subtítulo do instituto me agrada: estudos e ações. O mais desafiador é manter a coerência”.
Artistas em situação de rua

Tião Nicomedes é negro de barba grossa, corpo largo e cabeça boa. Sentado no chão de pedra do vale do Anhangabaú, centro de São Paulo, relembra seus tempos de albergue: “Rapaz, aquilo lá é muito aborrecimento, se for ligar para tudo o cara paralisa. Tinha época em que eu quase não trocava de roupa, não tinha motivação pra pensar esses detalhes”. Viveu quatro anos na rede de assistência e se pudesse teria saído no primeiro mês.

Ali, porém, encontrou a arte. Começou a escrever para criar outro mundo onde viver, um mundo onde as coisas são certas e o sujeito não precisa ficar ouvindo besteira de assistente social. “Pegar o barro ou a caneta e fazer algo bacana, o cara se sente útil, repensa sua vida, não é?”. Assim, quando surgiu a proposta de trabalhar fotografia com o Trecho 2.8, agarrou a possibilidade de aprender nova linguagem.
“O Trecho é um dos poucos projetos onde não nos tratam como idiotas carentes”, avalia. “Ali todo mundo opina, todo mundo decide junto. Tanto que nem chama oficina, é um projeto de criação e pesquisa. Trazer um negócio pronto e implantar sem nem perguntar se as pessoas querem aquilo tem de monte, meu irmão, você precisa ver quantos diplomas o camarada junta em um ano de albergue. Eu tenho mais de trinta: “tá aqui, Tião, pega seu papel e leva esse abraço”. Pra quê?”.
Sem caridade, trabalho

Tião e os outros nove participantes do projeto – que infelizmente não puderam ser ouvidos pela reportagem – prestarão serviços de fotografia à Caititi, empresa com fins lucrativos que está sendo criada pelo Brasis para gerar renda. Diferente de uma empresa comercial, não vai aumentar o capital de um dono. Descontadas todas as despesas, o lucro ficará entre os participantes. Oferecerão serviços de fotografia artística e comercial e já fecharam seu primeiro contrato com uma empresa de moda. A decisão de criar a Caititi e suas características vem sendo definidas uma a uma por todos os participantes do projeto, milionários e miseráveis, com a mesma voz.

Não há benevolência no processo. Não há a necessidade de realizar caridade, todos estão ali por interesse individual. É trabalho e todos ganham com o processo. Marcos entende o potencial de explorar um nicho novo de oportunidade e começa a desencadear um movimento de responsabilidade baseado em envolvimento individual.
Mas a mudança profunda vem com os participantes. Todos se beneficiam da possibilidade de se reinventarem criativos, de se construírem autônomos. Treinar o olhar sobre a outra ponta da pirâmide social pode ensinar sobre seu lugar no mundo.