sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ariel Exquisito



Data:
terça, 18 de maio de 2010
Hora:
20:00 - 23:00
Localização:
BAR EXQUISITO
Rua:
RUA BELA CINTRA,532, CONSOLAÇÃO
Cidade:
São Paulo, Brazil






CONVERSAS COM EMILY DICKINSON E OUTROS POEMAS ( SELO ORPHEU/MULTIFOCO)

"Temos, nesse Conversas com Emily Dickinson, o encontro entre uma poeta (1830-1886) que não se entrega fácil, buscando o inefável numa dicção elíptica, quase balbuciante (a gramática normativa tem muito que aprender com a poesia pura), em imagens onde a natureza é mística – nunca religiosa – e um poeta que, ao contrário, convoca todos os espectros, objetos, presenças pesadas da cidade que ele atravessa em seu passo único, essencial para ir além do construído e chegar ao real, isto é, ao sentido até então oculto daquilo que parecia ser tão raso não fosse a poesia e seu olhar de microscopista. Entre o que emana da norte-americana do século XIX e o que vocifera no brasileiro do início do século XXI há convergências que só a poesia conhece. E o leitor de poemas, naturalmente, identifica.

Marcelo Ariel é um jovem – para a literatura feita de lirismo, 42 anos é juventude – que brotou do chumbo no ar da realidade dura na qual sobreviveu com uma luta nada lírica, e que chegou até o território da selvagem sabedoria de resgatar-se e à sua humanidade pela palavra, amadurecendo, assim, bem antes do previsto. Seu verso é sua cachaça (o crítico pede licença para parafrasear Drummond). E nele ele pode entregar o máximo do que carrega e daquilo que igualmente o carrega – embora sem calá-lo –: “preferindo os tormentos / do espírito como vícios / que nenhuma razão desintegra.”

Emily Dickinson encontrou um interlocutor capaz de escutá-la e de lhe dizer. Cabe a nós, leitores de ambos os poetas, a coragem de entregar-nos à emoção que esse testemunho, através deste livro, nos causa. Meu conselho: faça como eu. Mesmo atingido, desde o 56o verso, pela força enorme da expressão, continuei em frente, até o fim. E terei ainda forças de recomeçar, pela releitura."

Paulo Bentancur

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Clair de Lune

"A Valsa" (1895) CAMILLE CLAUDEL

Moço de olhar de pedra, me toma pra dançar. Baila comigo sob o luar de Debussy. A noite é longa e minha loucura por ti, devasta minh'alma. Quero-te real, mestre verdadeiro. Não somente pés, braços e dorso lírico. Quero teu peito, nú por inteiro. Habitar teu coração sem segredos, sem mágoas. Pega-me pela cintura moço erudito. Sente minhas vértebras, conta cada osso da minha costela. Passeia teus lábios sob o lóbulo da minha orelha, deposita nele palavras de mil vertigens. Em musa, me transforma, me deforma, me afronta e me alumia. Olha moço, eu te trago braços longos para encantar teus quadris. Pega meu pulso, sente meu cheiro, me arrasta contigo. Derrama-te sobre mim. Faça-me deitar mármore e acordar carne. Valsa comigo, Debussy.

por Sônia A.Dias , a Letreira

* * *


estou relendo o livro Camille Claudel: Criação e Loucura da Liliana Liviano Wahba, por isso estou me sentindo tão a flor da pele. A obra de Camille se transmuta com a de Rodin. Difícil saber onde começa um e termina outro. Camille foi modelo e amante por longos anos. E grande parte dos gestuais, vem desta relação conflituosa e afetiva entre dois gênios da arte. Quando vejo um trabalho como A Valsa, tenho vontade de escrever tanta coisa... imaginando tanta coisa... sentindo tanta coisa...

Esta semana postei aqui uma obra do Bernini e o Marcantonio deixou um comentário que me fez querer escrever um livro que começasse com a seguinte frase "Proserpine deve ter adormecido mármore e despertado carne." O livro ainda não pari, mas o trecho ecoa em mim, o tempo todo...

Esta valsa é de quem ?

"A Valsa" (1895) CAMILLE CLAUDEL


A Valsa - A M***  

Tu, ontem  
Na dança  
Que cansa,  
Voavas  
Co’as faces  
Em rosas  
Formosas  
De vivo,  
Lascivo  
Carmim;  
Na valsa,  
Corrias,  
Fugias,  
Ardente,  
Contente,  
Tranqüila,  
Serena,  
Sem pena  
De mim!  
Quem dera  
Que sintas  
As dores  
De amores  
Que louco  
Senti!  
Quem dera  
Que sintas!...  
- Não negues  
Não mintas...  
- Eu vi!...  

Valsavas:  
- Teus belos  
Cabelos,  
Já soltos,  
Revoltos,  
Saltavam,  
Voavam,  
Brincavam  
No colo  
Que é meu;  
E os olhos  
Escuros  
Tão puros,  
Os olhos  
Perjuros  
Volvias,  
Tremias,  
Sorrias,  
P’ra outro  
Não eu!  
Quem dera  
Que sintas  
As dores  
De amores  
Que louco  
Senti!  
Quem dera  
Que sintas!...  
- Não negues,  
Não mintas...  
- Eu vi!...  
Meu Deus!  
Eras bela  
Donzela,  
Valsando,  
Sorrindo,  
Fugindo,  
Qual silfo  
Risonho  
Que em sonho  
Nos vem!  
Mas esse  
Sorriso  
Tão liso  
Que tinhas  
Nos lábios  
De rosa,  
Formosa,  
Tu davas,  
Mandavas  
A quem?!  
Quem dera  
Que sintas  
As dores  
De amores  

Que louco  
Senti!  
Quem dera  
Que sintas!...  
- Não negues,  
Não mintas...  
- Eu vi!...  
Calado,  
Sozinho,  
Mesquinho,  
Em zelos  
Ardendo,  
Eu vi-te  
Correndo  
Tão falsa  
Na valsa  
Veloz!  
Eu triste  
Vi tudo!  
Mas mudo  
Não tive  
Nas galas  
Das salas,  
Nem falas,  
Nem cantos,  
Nem prantos,  
Nem voz!  
Quem dera  
Que sintas  
As dores  
De amores  
Que louco  
Senti!  
Quem dera  
Que sintas!...  
Não mintas!...  
- Não negues,  
- Eu vi!...  
Na valsa  
Cansaste;  
Ficaste  
Prostrada,  
Turbada!  
Pensavas,  
Cismavas,  
E estavas  
Tão pálida  
Rosa  
Mimosa  
No vale  
Do vento  
Cruento  
Batida,  
Caída  

Sem vida  
No chão!  
Quem dera  
Que sintas  
As dores  
De amores  
Que louco  
Senti!  
Quem dera  
Que sintas!...  
- Não negues,  
Não mintas...  
- Eu vi!...  





Não negues... tu nem imaginavas que este poema fosse de Casimiro de Abreu e datado de 1858, não é ?

Para mim, para hoje, me serve.

Num mundo europeu...



... aristocrático e decadente...

"Era uma noite chuvosa e as ruas pareciam espelhos, tudo se refletia nelas. Foi assim que o Basco conheceu Bijou." - Anais Nin

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Do fundo do poço


Do fundo do poço se vê a lua conta a história de Wilson e William, gêmeos nascidos em São Paulo nos anos finais da ditadura. Órfãos de mãe e criados pelo pai, ator, os meninos são treinados para atuarem juntos, mas as brincadeiras da infância, porém, revelam que a semelhança dos irmãos é apenas física. William é violento, taciturno e masculino, enquanto Wilson é feminino e dono de inteligência tão sagaz quanto compulsiva.

A espinha dorsal do romance é a batalha de Wilson para livrar-se da imagem espelhada do irmão e se transformar numa figura feminina inspirada pelo objeto de sua obsessão, a rainha egípcia Cleópatra, sobretudo como encarnada no cinema por Elizabeth Taylor. Após uma tragédia que separa os gêmeos, uma trama surpreendente envolvendo trocas de sexo, assassinatos e perda de memória conduzirá a história até a enigmática cidade do Cairo. Incitado por um cartão-postal enviado pelo irmão desaparecido, William irá à sua procura e tentará resolver o mistério de seu paradeiro e de sua identidade.

Com um estilo ao mesmo tempo cômico e violento, poético e rude, o autor revela aos poucos uma história sobre o amor fraterno buscando resistir à ameaça insistente do signo da morte.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A noite, adormece.


Cupido e Psyche - Rodin




Acordo


( . . . )


Desperto
(de olhos bem fechados)
Aberta
(de coração pedinte)
Sedenta
(de boca dormida)


Re(flex)o
De todos os sentidos
(sexo)
(re-action
-coupling)


Na luz refletida; revérbero.


Adormentada, contorno
(e)novelo(-me)


A noite, adormece
(en)rodeia(-me)


O tempo ...


Memoriza-{ Me
Em } morins


Sônia Alves Dias-08/2005

Eu danço no meu imaginário...

o rapto de proserpine - bernine
(detalhe da escultura em mármore, acreditam ?)


Eu converso com a dança poéticamente. A dança está em mim (mas, não exatamente nos meus gestuais). Eu danço com os olhos, com os cabelos e em minha mente há dança constantemente. De vez em quando, meus dedos se movimentam de forma silenciosa e cadenciada. Vez ou outra há tamboris, mas são raros. Tenho certeza, sob o viés do meu olhar, que eu nasci para discutir o mundo ao meu redor performáticamente. Dançando, ainda que seja no meu imaginário.

Não dançando no mundo real, eu me entrego por aí como se raptada fosse, pela luz, pela sombra, pelo gesto arrebatador da dança em cena.

  * * *

Centro Cultural de São Paulo 
Semanas de dança - Diálogos
de 28/4 à 20/6

O Centro Cultural São Paulo apresenta Semanas de dança - diálogos, um projeto de temporadas de dança, articuladas com ações colaborativas, que desafia os grupos e artistas a criarem espaços de encontros e trocas artísticas entre si e com a instituição. O projeto Semanas de Dança integra o eixo curatorial Dança Expandida, que propõe um modo de operar com ações inter-relacionadas, formatos diferenciados e propostas interdisciplinares. É parte integrante do eixo curatorial do Centro Cultural São Paulo para o biênio 2010/2011: Arte/Cidade/Cultura, que está sendo implantado de forma inédita neste ano.

Semanas de dança - diálogos terá uma programação extensa e intensa que envolverá aproximadamente 20 companhias e núcleos de dança em três salas de espetáculos, além de outros espaços, durante oito semanas, até o dia 20/6.

Mais detalhes AQUI

Anjos negros
O animal na sala
Baseado em fatos reais
O beijo
Centímetros decibéis
Circuitos
Crítica genética
Dans Le Noir
(depois de) Antes da queda
Embodied Voodoo Game
Felisdônio
Onde os começos?
O ilha
As minhas tuas lágrimas
Paralaxe de paranóias
Para ver o azul da carne
Pequenos fragmentos de mortes invisíveis
Primeiro era depois: agora
Procurando Schubert
Rútilo nada
Tentativa de salvar o mundo
Tirando os pés do chão
Vila Tarsila
Violetas Murchas, ou qualquer coisa que a senhora quiser
WE CAGE
Atividades paralelas

sábado, 1 de maio de 2010

Empoeire minhas mentiras bobas



The Cure - The Caterpillar

Flicka flicka flicka!
Here you are
Cata cata cata!
Caterpillar girl
Flowing in
And filling up my hopeless heart
Oh never never go
Dust my lemon lies
With powder pink and sweet
The day I stop
Is the day you change
And fly away from me


You flicker
And you're beautiful
You glow inside my head
You hold me hypnotized
I'm mesmerized...


Your flames
The flames that kiss me dead

Apareça, apareça, apareça!
Aqui está você
Ga, ga, ga, ga
Garota lagarta
Fluindo para dentro
E preenchendo meu
Coração de esperança
Oh nunca, nunca se vá
Empoeire minhas mentiras bobas
Com pó rosa e doce
O dia em que eu parar
Será o dia que você se transformará
E voará para longe de mim
Você é reluzente
E você é linda
Você brilha dentro da minha cabeça
Você me deixa hipnotizado
Estou magnetizado
Suas chamas
As chamas que me dão o beijo da morte

Camille, baixou em mim.


Camille Claudel


“Minha Camille, esteja segura de que não tenho nenhuma outra amiga e toda minha alma lhe pertence” - escreve Rodin.

Camille responde: Deito-me nua para imaginar que está ao meu lado, mas quando acordo já não é a mesma coisa”.

Em pálpebras, palavras.

Lunia Czechowska , Modigliani
Lúnia,

Coloque a camisa branca mais simples que tiver, hoje vamos ao planetário caçar estrelas. Teu pescoço longo e teu olhar caído, lembram o longínquo céu de Aquário. Ontem pintei teu retrato em meio à luz do meu stúdio sombrio. O arco da tua sobrancelha foi o detalhe mais sutil, nenhuma estrela cadente faria esta curva perfeita ao cair do céu. Mas, acima dos teus cílios imaginários, eis que o arco triunfa e a composição ser, harmoniza. Parfait. Encontre-me no parque. Clemente de Amedeo.


Abril/2008 - A Letreira
Eu escrevo cartas antigas, para deixar dentro de livros, que só revisitarei em tempos longínquos. Eu escrevo cartas para encontrar-me no futuro, ao acaso...

Ode descontínua




O cantor e compositor Zeca Baleiro, conta como conheceu Hilda Hilst, fala de seu encantamento por sua obra e de como ela o procurou propondo inusitada parceria. O resultado do encontro dos dois artistas foi a realização do CD Ode descontínua e remota para flauta e oboé. ( O disco é uma história de amor, lindo, são poesias de Hilda musicadas por Zeca e interpretadas por cantoras como Maria Bethânia, Zélia Duncan, Angela Maria…).

O barco

Foto Porto Seguro - Embarcação de Cabral




Além Do Que Se Vê
Los Hermanos
Composição: Marcelo Camelo


Moça, Olha só, o que eu te escrevi
É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê


Sei, que a tua solidão me dói
E que é difícil ser feliz
Mais do que somos todos nós
Você supõe o céu
Sei, que o vento que entortou a flor
Passou também por nosso lar
E foi você quem desviou
Com golpes de pincel


Eu sei, é o amor que ninguém mais vê
Deixa eu ver a moça
Toma o teu, voa mais
Que o bloco da família vai atrás


Põe mais um na mesa de jantar
Porque hoje eu vou "praí" te ver
E tira o som dessa TV
Pra gente conversar
Diz pro bambo usar o violão
Pede pro Tico me esperar
E avisa que eu só vou chegar
No último vagão


É bom te ver sorrir
Deixa eu ver à moça
Que eu também vou atrás
E a banda diz: - assim é que se faz.

Correspondance Mallarmé.

Fosse




seria
pior
não
mais nem menos
indiferentemente mas tanto quanto



Mallarmé, chère amie.


Conversei com Leminski e ele me contou sobre o velho poço de Bashô. Creio que a ti, nada comentou. Sobre saltos de sapos, abolições e funduras ele preferiu guardar pra si as tais impressões (e imperfeições). Devo dizer-lhe porém, que cá estou a repensar nossas cartas. As últimas que recebi só falaram sobre A Grande Obra, mas para mim ela já está pronta. As rupturas, as costuras e as novas grafias, já superaram o passado recente. Não se magoe em vão, como tua amiga devo alertá-lo: a noite, palavras garrafais podem embebedar-lhe os sentidos e ainda poderá te causar falta de ar, como da última vez que de tanto querer mostrar-me as coisas não ditas, quase morreste em minhas mãos.
Sabes que te gosto, e por isto te cuido. Não se descuide, não se prenda à Baudelaire. Neste instante, você é o mestre e ele descansa do dever cumprido. Aqui, no meu Paradis Artificiels te aguardo. Escreva, espero, o endereço não muda, nem o sentimento.




S.Savannah-la-Mar 
Voilà qui est mélancolique et déplorable !


30/05/2008 - A Letreira

Eu quero mais




Cais
Composição: Milton Nascimento / Ronaldo Bastos


Para quem quer se soltar
Invento cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir
Eu quero mais
Tenho um caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar

Tapa da pantera


Na escada, tem Pantera. Sou eu, que desço desgovernada, mas senhora de mim. Arranco o coração do peito, no tapa. E, se você passar distraído, te agarro, te mordo, te mato. Pantera feito eu, você não acha. Exceto, se o Manu Maltez  me riscar em paredes brancas, por aí...