Eu tenho tanto livro pra ler que me falta espaço físico para guardá-los e horários livres para me entregar à leitura sem pressa.
Todo mês, leio pelo menos um livro inteiro, queria ler muito mais. Às vezes, engato um autor e não largo dele até ler tudo (ou quase...).
Agora estou assim, apaixonadíssima pelo Sandór Màrai.
Li De Verdade, e não resisti, comprei Divórcio em Buda e As Brasas e tenho certeza, vou devorá-los!
Tem tempo que é assim, um turbilhão dentro da gente. Queria uma cadeira de balanço e um chá fumegante para ler meus livros com todas as pausas e suspiros necessários. Mas, enquanto isto não acontece, eu vou lendo assim, nas brechas dos meus dias, em brasa, corrida e apaixonada por estes escritores que me estremecem o peito.
"Quem poderia fotografar, registrar, tatear o instante em que algo se rompe entre duas pessoas?
Quando aconteceu?
De noite, enquanto dormíamos?
No almoço, enquanto comíamos?
Ou muito, muito tempo atrás, apenas não percebemos?
E continuamos a viver, a falar, a nos beijar
A dormir juntos, a procurar a mão do outro, o olhar do outro,
Como bonecos animados que continuam a se movimentar ruidosamente por um tempo, mesmo estando a mola do seu mecanismo quebrada...
... Nada sabemos.
O que posso fazer agora?
Que refletor devo acender para encontrar nessa escuridão, nessa trama, aquele momento único, aquele milésimo de segundo em que algo cessa entre duas pessoas?"
(Sandór Marái - Divórcio em Buda)