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sábado, 14 de maio de 2011

Incandescente


Rouge

Vestido turco de lantejoulas. Batom carmim. Esmalte Revlon.
Um coração vermelho de cristal Swarovski. Bloody Mary
Queen of Scots. In my end is my begginning.
O planeta Marte, visto a olho nu. Bélica.
A paixão sua pedra de toque: dois rubis
indianos presos nas orelhas, um cinturão de diamantes -
também a frieza é humana. Não há visão sem fogo,
é incandescente a fúria, a labareda. A cor púrpura, império.
Nobreza. Veludo. Um buquê de magnólias.

Virna Teixeira

domingo, 24 de maio de 2009

Cartas de ontem

Cartas de Ontem

‘Saia’

Pés mais delicados que os seus
deslizam fora do cobertor.
Sobre o carpete uma saia
recupera seu fôlego;
o perfume que você evita
finge que é déjà vu.

Minhas mãos, acredito,
não são de outra pessoa.

Richard Price
Tradução: Virna Teixeira

Editora Lumme - traduções da Virna Teixeira de poemas do escocês Richard Price.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Como suturar lembranças...


Quem por aqui sempre passa, sempre encontra algo da Virna Teixeira. Tradutora, arqueira e agora cerzideira, esta moça está entre as pessoas que sigo de perto para entrar nas trilhas que ela deixa.
Agora, criou um novo projeto que de tão mimoso dá vontade de comprar todos pra perfumar e guardar na gaveta. É uma plaquete "deluxe" com apenas 7 poemas dela. O nome é lindo: "Como suturar lembranças” e a tiragem é muito pequena (será um máximo de 20 exemplares).

Neste projeto, ela faz tudo "da confecção da capa dura até a costura, o que requer um pouco de tempo, e o estilo de cada exemplar é distinto, como se fosse uma peça de roupa. Os poemas têm uma atmosfera de suspense, e dialogam com o trabalho de artistas mulheres: Cindy Sherman, Lousie Bourgeois e Tracey Emin".

Você ficou com vontade ?

Eu já pedi o meu...
arqueriaeditorial@yahoo.com.br

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

white sweet may...

That´s Amore


A Acácia-Branca em Flor

Entre
o
verde

rígido
velho
claro

partido
galho
chega

doce
puro
maio

de novo.

* * *


The Locust Tree in Flower

Among
of
green

stiff
old
bright

broken
branch
come

white
sweet
May

again.

WILIAM CARLOS WILLIAMS - Tradução Virna Teixeira

Se você, como eu, acha que o amor não tem tamanho e que uma plaquete cabe na palma da mão, mas é tecido pra longas horas... passe no Papel de Rascunho e fale com a Virna.

Tiragem exclusiva e limitada: 50 exemplares.

Eu já estou com o meu... That´s amore!

Rain Journal...

That´s Amore, continue...

Diário da chuva: Londres : Junho de 1965

sentados nus juntos
na beira da cama
bebendo vodka

esta minha primeira cena real de amor

seu corpo tão bom
seus olhos triste amor estrelas

mas john
agora que estamos milhas separados
a descida de visões da montanha
e as ruas todas chovendo
e eu nos fundos de uma loja
fazendo ligações de graça pra você

que podemos fazer?

estalos dos fios de telefone me escurecem
e esta distância me assombra

e sim – estou miserável
e perdido sem você

dias inteiros gastos
refazendo o seu rosto
o som da sua voz
o toque do seu ombro

Rain journal: London: June 1965 - Tradução Virna Teixeira



Rain journal: London: June 1965

sitting naked together
on the edge of the bed
drinking vodka

this my first real love scene

your body so good
your eyes sad love stars

but john
now when we´re miles apart
the come-down from mountain visions

and the streets all raining
and me in the back of a shop

making free phone calls to you

what can we do?

crackling telephone wires shadow me
and this distance haunts me

and yes – I am miserable
and lost without you

whole days spent
remaking your face
the sound of your voice
the feel of your shoulder

(Lee Harwood)

I only know that summer sings in me ...

That´s Amore

Que lábios meus lábios beijaram, e onde, e por quê,
Eu esqueci, e que braços pendem até a alvorada
Sob a minha cabeça; mas nesta madrugada
A chuva está cheia de fantasmas, que suspiram e batem
Na vidraça e aguardam o que vou dizer,
E no meu coração repousa uma dor silente
Por rapazes esquecidos que não voltam novamente
Para mim com brados após o anoitecer.
Então no inverno permanece a árvore solitária,
Que não sabe quais pássaros têm desaparecido,
Ainda que seus galhos estejam silenciosos demais:
Não posso dizer quais amores têm vindo e partido,
Eu só sei que o verão canta em mim
Um pouco, que em mim não canta mais.


What lips my lips have kissed, and where, and why,
I have forgotten, and what arms have lain
Under my head till morning; but the rain
Is full of ghosts tonight, that tap and sigh
Upon the glass and listen for reply,
And in my heart there sits a quiet pain
For unremembered lads that not again
Will turn to me at midnight with a cry.
Thus in the winter stands the lonely tree,
Nor knows what birds have vanished one by one,
Yet knows its boughs more silent than before:
I cannot say what loves have come and gone,
I only know that summer sings in me
A little while, that in me sings no more.

EDNA ST VINCENT MILLAY

L'amour s'en van...

That´s Amore

LE PONT MIRABEAU

Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Et nos amours
Faut-il qu'il m'en souvienne
La joie venait toujours après la peine

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure

Les mains dans les mains restons face à face
Tandis que sous
Le pont de nos bras passe
Des éternels regards l'onde si lasse

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure

L'amour s'en va come cette eau courante
L'amour s'en van
Comme la vie est lente
Et comme l'Espérance est violente

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure

Passent les jours et passent les semaines
Ni temps passé
Ni les amours reviennent
Sous le pont Mirabeau coule la Seine

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure



A PONTE MIRABEAU

Sob a ponte Mirabeau corre o Sena
E nosso amor
É preciso trazê-lo à cena
Vinha sempre a alegria antes da pena
Venha a noite, soe a hora
Os dias se vão, não vou embora

De mãos dadas ficamos face a face
Enquanto que sob
A ponte dos nossos braços passa
Eternos olhares a onda tão lassa
Venha a noite, soe a hora
Os dias se vão, não vou embora

O amor se vai como água corrente
O amor se vai
Como a vida é lenta
Como a esperança é violenta
Venha a noite, soe a hora
Os dias se vão, não vou embora

Passam os dias e as semanas
Nem o tempo passado
Nem o amor acena
Sob a Ponte Mirabeau flui o Sena
Venha a noite, soe a hora
Os dias se vão, não vou embora

Tradução: Virna Teixeira



LE PONT MIRABEAU, Guiilaume Appoiinaire, gravação original (1911)

Love in the dark...

That´s Amore

O Túnel

Esta noite, nada demora tanto—
o tempo não.
Houvesse um fogo,
ele queimaria agora.

Houvesse um paraíso,
eu não teria demorado.
Penso que luz
é a imagem final.

Mas tempo repete-se,
amor—e um eco.
Um tempo passa
amor no escuro.


The Tunnel

Tonight, nothing is long enough—
time isn’t.
Were there a fire,
it would burn now.

Were there a heaven,
I would have gone long ago
I think that light
is the final image.

But time reoccurs,
love—and an echo.
A time passes
love in the dark.


ROBERT CREELEY
Tradução: Virna Teixeira

Place...

That´s Amore

Place

Your face
In mind, slow love

Slow growing, slow
To learn enough

Patience to learn
To be here, to savor

Whatever distance is
Out there, without you

Here, here
By myself

Lugar

Sua face
Na mente, lento amar

Lento crescer, lento
aprender o bastante

Paciência para aprender
a estar aqui, apreciar

O que quer que seja a distância
lá fora, sem você

Aqui, aqui
Por mim mesmo.

Robert Creeley - Tradução: Virna Teixeira

That´s Amore


A bela Virna, mandou um Amore pra mim. A primeira sensação que tive ao tocá-lo foi pensar em taças espalhadas pelo chão, champagnhe levemente embriagante e um doce roçar na pele do homem amado. That´s Amore, of course.