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sábado, 30 de abril de 2011

Sobre heróis e tumbas




O escritor Ernesto Sabato, vencedor do Prêmio Cervantes de Literatura e um dos maiores autores argentinos do século XX, morreu aos 99 anos em sua residência de Santos Lugares, na província de Buenos Aires. A informação foi divulgada neste sábado (30/04/2011) pela mulher de Sabato, Elvira González Fraga.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Cenas da vida minúscula


Saiu hoje no Jornal Zero Hora , de Porto Alegre , às 02:20hs.

Literatura brasileira perde um mestre: Moacyr Scliar morre aos 73 anos



Eu não era fã do Moacyr, nem posso dizer que gostava de um único livro, nem posso contar que li alguns, nem me entristecer a ponto de doer. Fará falta, para os que o amaram, com certeza. Para a família, com certeza, será imortal. Para mim, partiu Moacyr Scliar.

Ser um escritor não é necessariamente gostar de escrever — alguns nem gostam, dado o quanto sofrem na construção de um texto.


Com Moacyr Scliar, morto à 1h deste domingo por falência múltipla de órgãos devido às consequências de um acidente vascular cerebral (AVC), acontecia o contrário. Poucos escritores terão gostado tanto de escrever — e terão demonstrado tanta facilidade em fazer isso.

Aos 73 anos, o porto-alegrense Moacyr Jaime Scliar havia construído uma obra sólida, com mais de um livro publicado para cada ano de vida, em uma ampla gama de gêneros: contos, romances, literatura infanto-juvenil, ensaios. Além disso, era colunista frequente de uma dezena de publicações, de jornais diários como Zero Hora e Folha de S. Paulo a revistas técnicas. Escrevia em qualquer lugar a qualquer hora, auxiliado pela tecnologia – jamais viajava sem seu laptop. Tal dedicação à palavra e ao ofício que exercia com evidente prazer transformaram Scliar em um dos autores mais respeitados do Brasil.

Scliar morreu no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, onde estava internado desde 11 de janeiro. O escritor havia sido admitido no hospital para a retirada de pólipos (formações benignas) no intestino. A cirurgia, simples, havia transcorrido sem complicações. Scliar já se recuperava quando sofreu um AVC – obstrução de uma artéria que irriga o cérebro – de extrema gravidade.

Scliar nasceu em 1937, no bairro judaico do Bom Fim, em Porto Alegre, filho de José e Sara Scliar – a mãe, professora primária, seria a grande responsável pela paixão do escritor pelas letras: foi ela quem o alfabetizou. Formado médico sanitarista pela UFRGS, ingressou na profissão em 1962. Casado com Judith, professora, e pai do fotógrafo Roberto, Scliar havia também passado pela experiência de professor visitante em universidades estrangeiras e tinha obras traduzidas em uma dezena de idiomas, entre elas o russo e o hebraico. O trabalho como médico de saúde pública seria crucial na vida e na obra de Scliar – seu primeiro livro, publicado em 1962, foi uma coletânea de contos inspirados pela prática médica, Histórias de Médico em Formação, volume que mais tarde Scliar excluiria de sua bibliografia oficial por considerá-lo a obra prematura de um autor que ainda não estava pronto.

Nos seus livros seguintes, Scliar jamais se permitiria outra publicação prematura. Do mesmo modo como escrevia com velocidade e prazer, Scliar também revisava obsessivamente o próprio texto, a ponto de às vezes reescrever uma obra do zero por ter encontrado um ponto de vista narrativo mais adequado.

— Se o escritor não tiver prazer escrevendo, o leitor também não terá — comentou em uma entrevista concedida quando completou 70 anos, em 2007

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O Gigante partiu para as terras do sem fim.

Gigante Brazil, ao lado de Suzana Salles,
na lendária banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção

Eu me intimidava com o Gigante. Também, quem é que não se sentia assim ao lado dele ? Mas, bastava ele sorrir pra desarmar a gente. Parecia até que a alma voava, viajava naquelas mãos acrobáticas dele. Quando perto dele estive e, foram algumas raras vezes, minha voz (que já não é muita) parecia soar menor...  era tão querido!

Ele, apesar de gigante, tinha uma voz mansa como leão em zôo cativo. Eu, tinha a sensação que ele só esperava subir ao palco pra rugir e derrubar tudo. Mas, a serenidade dele era incrível... e mesmo com a voz mansa, com os movimentos cadenciados e parecendo tocar pratos no ar... ele quebrava tudo.

Gigante Brazil fará falta. Figura lendária, tomava o show inteiro e, se Itamar não fosse tão xamã e irmão do negro beleza era bem capaz de ter perdido a vez e ter ficado em segundo plano. Mas, no palco, não havia segundo plano. Havia sempre primeiro. Primeiro Itamar, primeiro Negão. Gigantes, os dois.

Os palcos ficarão mais pobres, talvez poucos sentirão sua falta. Mas, os que sentirão saberão, daqueles dois moços luzentes: guerreiros, antigos.