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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Vestida de Senhorinha

Histórias das Minhas Canções: Paulo César Pinheiro


Eu gosto do Paulo César Pinheiro porque adoro o Mário Gil e gostando de um é fácil se apaixonar pelo outro, não tem erro. As letras lindas são feitas com tanta delicadeza que dá vontade de cerzir em  seda pura e guardar perto do peito ou nas anáguas da saia (só pra se sentir vestida de poesia noite e dia).

Comprei o livro Histórias da Minhas Canções porque queria saber cada detalhe de cada letra e descobri bem mais. Descobri parcerias fantásticas, descobri músicas antigas que eu cantava quando era criança em apostas com meu irmão (e nem sequer imaginava que a ele pertencia) e descobri compassos que me atravessaram o peito feito flecha certeira.

Se você gosta de música que conta estórias imaginosas, vá descobrir Paulo César Pinheiro. 

Fico grifando versos, recriando contos e não querendo tirar as melodias do corpo não. Sou Senhorinha, sim senhor, moça antiga de amores antigos e de sonhos inimagináveis.


Senhorinha

Composição: Guinga e Paulo César Pinheiro


Senhorinha
Moça de fazenda antiga, prenda minha
Gosta de passear de chapéu, sombrinha
Como quem fugiu de uma modinha


Sinhazinha
No balanço da cadeira de palhinha
Gosta de trançar seu retrós de linha
Como quem parece que adivinha (amor)


Será que ela quer casar
Será que eu vou casar com ela
Será que vai ser numa capela
De casa de andorinha

Princesinha
Moça dos contos de amor da carochinha
Gosta de brincar de fada-madrinha
Como quem quer ser minha rainha


Sinhá mocinha
Com seu brinco e seu colar de água-marinha
Gosta de me olhar da casa vizinha
Como quem me quer na camarinha (amor)

Será que eu vou subir no altar
Será que irei nos braços dela
Será que vai ser essa donzela
A musa desse trovador


Ó prenda minha
Ó meu amor
Se torne a minha senhorinha

* * *



Detalhes:
Paulo César Pinheiro, compositor de mais de 1000 músicas gravadas num universo de 2000 compostas, possui uma trajetória peculiar. Sua gama de parceiros vai de Pixinguinha a Lenine, passando por João Nogueira, Baden Powell, Joyce, Tom Jobim, D. Ivone Lara - para citar poucos. Ao longo de mais de 40 anos de carreira - iniciada profissionalmente com a gravação de "Lapinha" por Elis Regina, em 1968 - conviveu com outros grandes nomes da MPB, intérpretes, arranjadores, músicos, poetas. Participou dos populares festivais de música da década de 60; acompanhou o surgimento da bossa nova, a evolução das escolas de samba, a censura sistemática à música e o esforço, também constante e intenso, para superá-la.

Numa linguagem informal, como se batesse um papo com o leitor numa mesa de bar, Pinheiro vai desfiando deliciosas histórias que envolvem algumas de suas músicas mais conhecidas.

domingo, 27 de abril de 2008

Dois Palitos e um pé de trevo com 4 folhas

Dois Palitos ( conténdo 5o microcontos ) de Samir Mesquita ^


Dois Palitos, pode ser rápido ou lento. O consumo é imediato e a chama pode incendiar a caixinha inteira. Pode ficar assim, caixa exposta em qualquer canto da casa, em destaque entre livros ou mesmo próxima à um cinzeiro distraído.
Em qualquer lugar deixada será percebida. Todo mundo toca em caixa de palito, como se fosse caixa de música, como se fosse um samba a dois.
A primeira impressão é um utilitário qualquer: acendedor de chama (de velas que incandescem paixão, de fogo brejeiro de forno e fogão).
A segunda impressão é de surpresa arteira: ora pois, sim senhor, não é que pintaram fósforos coloridos dentro de uma caixinha comum ?
Bem, daí é pra frente é um conjunto de coisas, tudo junto ao mesmo instante ao mesmo tempo: riso, espanto, constatação, consideração pelo contar alheio.
Sempre digo que tudo já foi escrito, em maior ou menor grau a literatura (assim como a moda, as artes e uma infinidade de áreas) abrange muito mais do que podemos conhecer em vida. Mas, cabe a nós, reinventarmos a roda sempre.
Beijo de Cinema  
"As luzes se apagam.
Os olhos se fecham.
O filme começa."

Mais verdadeiro impossível, e inesquecivelmente re-inventado e colocado entre outras 5O mini-narrações.
Vale a pena ler, mostrar e deixar em casa como obra de arte. É um mimo, e o custo é mínimo. Recomendo riscar um palito de cada vez, para perceber a mágica de cada luz.
p.s. Marcelino Freire, como bom beato, abençoa e apadrinha a obra. Quem não comprar, não ler ou não presentear vai queimar no mármore do inferno.

ah: e o detalhe: o trevo de 4 folhas é apenas para garantir a boa sorte de Samir Mesquita com suas próximas pílulas homeopáticas!