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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Leão de areia

Diálogo a Dois

“A Angústia, Augusto, esse leão de areia”
Décio Pignatari


A Angústia, Augusto, esse leão de areia
Que se abebera em tuas mãos de tuas mãos
E que desdenha a fronte que lhe ofertas
(Em tuas mãos de tuas mãos por tuas mãos)
E há de chegar paciente ao nervo dos teus olhos,
É o Morto que se fecha em tua pele?
O Expulso do teu corpo no teu corpo?
A Pedra que se rompe dos teus pulsos?
A Areia areia apenas mais o vento?

A Angústia, Pignatari, Oleiro de Ouro,
Esse leão de areia digo este leão
(Ah! O longo olhar sereno em que nos empenhamos,
Que é como se eu me estrangulasse com os olhos)
De sangue:
Eu mesmo, além do espelho.


tudo está dito 1974

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

VivaVaia


Augusto de Campos, hoje (14/02/2011) completa 80 anos. É um poeta (das antigas, bem antigo), ensaísta e tradutor e está  vivo ! Viva !

Dele, quando falam, o que me vem a mente é o concreto.

Não a massa, que sustenta pilares e edificações... mas, o pensamento, que diluiu a matéria e que criou uma nova poesia com recursos visuais diferenciados, palavras geométricas explodindo em cores, em fontes, berrando novos significados, inundando páginas inteiras.

Ufa, foi uma revolução!

A Poesia Concreta veio do trio (elétrico) dele.

Eu adoro poesia, com muito texto ... para eu deitar no livro e ficar horas riscando belezas. Com o concretismo fica difícil, muito difícil.  Tudo é a olho nú, poucos riscados posso fazer, e quando o faço... é interferência.

Mas, este post não é pra falar da poesia... é breve, só pra dizer: Sr Augusto, parabéns!

E, devo confessar, pra quem reinventou novos formas de poetar o SITE com a vida e obra deste escritor é no mínimo, estranho.

Ao clicá-lo você verá um banner do CARREFOUR piscando, a página disforme, o texto mal diagramado... enfim, nada bonito... nada bacana... mas, talvez seja proposital, pra continuar incomodando, alfinetando, criando novas leituras... ou não!