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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Cara e coroa


Todo mundo que passa por aqui sabe da minha admiração por este cara. Sem falsetes, sem joguetes, sem medo de jogar a moeda pro alto e perder (ou ganhar!)

"não existe sorte, azar não existe, tudo é risco, arrisque, leão de zôo tem os olhos tristes"

Eu gosto do jeito que ele escreve no Espelunca, eu passo por lá sempre. E, eu vou morrer achando, que ele tinha tudo pra ser meu irmão.

O Ademir é um cara sério que quando fala a gente respeita e sabe que ali não tem malandragem, não com ele, não mesmo.

Não joga em lado nenhum, joga do jeito dele e com isto nos arrasta para este turbilhão de sentimentos e vontade de fazer revoluções em zonas fantasmas.

Está fazendo 50 anos hoje (03/06/2011) e vai ter festa. Eu estou aqui, festejando junto, em palavras. 

A moeda dele, pra mim,  tem só um lado: é o Cara.


"E como não poderia deixar de ser, um poema para festejar. Um bilhete para meus pais, que infelizmente não puderam esperar pra me verem cinqüentão:"


BILHETE DE ANIVERSÁRIO


valeu meu pai valeu minha mãe
por me botarem nesse mundo maluco
nenhum anjo torto louco barroco
veio me avisar, mas eu logo entendi
que não nasci pra eunuco

no balanço veloz do trem
até que as coisas vão bem
nenhum acidente grave
nenhuma dor sem remédio
algumas bolas na trave
nenhuma visita do além

algumas mortes, dias de desespero
tem noites de grande atropelo
vontade de me trancar no banheiro
às vezes um negrume no peito

mas nada que não tenha jeito
nada que não tenha conserto

até que sou um cara de sorte
tenho dois filhos bacanas
uma garota que eu sei que me ama
e no cinzeiro uma boa bagana

descansem em paz, não se preocupem comigo
não tenho muito dinheiro
mas não me faltam amigos

na medida do impossível
vou tocando meu barco
no meio do nevoeiro



domingo, 13 de março de 2011

Anjo torto


Palestra de Ademir Assunção sobre Torquato Neto no dia 22 de março, às 19h, no Centro Cultural São Paulo. O programa faz parte do ciclo mensal Poetas de Cabeceira.
 
Poetas de Cabeceira é um ciclo mensal de palestras em que um convidado falará sobre o seu poeta favorito, abordando biografia do autor, contexto histórico, análise da obra e leitura comentada de poemas do autorm. O objetivo da atividade é levar ao público jovem informações sobre autores importantes da literatura brasileira e internacional.

sábado, 12 de março de 2011

Tempo de embebedar cavalos


                                                  foto arquivo pessoal

Ontem à noite (sexta-feira) enquanto o marido aquecia as panelas para preparar umas delícias e eu bebericava no balcão da cozinha, ele me perguntou quem é o escritor da atualidade que eu daria tudo para escrever ao lado dele... não me importando se era dia ou se era noite, sem cobrar, sem pagar, apenas para estar ali absorvendo o máximo possível ... vivendo.

Estou matutando até a agora... porque sinceramente, quase todos que eu daria tudo para estar por perto, estão mortos. E, alguns vivos que admiro muito como escritores, depois do advento internet (facebook / twitter / blogs / etc) continuam insuperáveis nas palavras, mas são tão mesquinhos e banais na vida virtual (quase real!) que não tenho vontade nenhuma de aprender quase nada com eles...

Quando eu penso em alguém que gostaria de conviver para apre(e)nder, eu penso não só nas palavras, penso também na vida, no que eu poderia captar além da escrita. Eu preciso de encantamentos, de paixão violenta. Não importa o sexo, a idade, a escrita. Poderia ser Anais Nin, poderia ser Bocage, o Sàndor Màrai, o Saramago, o Leminski, poderia ser até o Manoel de Barros.

Mas, qualquer um deles, precisaria (para mim) ser insuperável na arte de viver e escrever.

Não gosto de gente fake,  de personagens criados para agradar o público, de escritor pré-fabricado que frequenta cursinho para aprender a escrever e depois publica o que acredita ser um grande livro. Não gosto, não gosto mesmo (e me desculpem os amigos que dão estes tais cursos e formam uma legião de escritores massificados "todos iguais, todos iguais, mas uns mais iguais que os outros").

Gosto de quem me esbofeteia literariamente ou me faz adormecer com sensibilidade e calmaria. Raduan Nassar ou  Hilda Hilst. Fernando Pessoa ou Emily Bronte. Augusto dos Anjos ou Samuel Beckett. Há uns tantos que eu seguiria por aí, correria atrás, me devotaria.

Por isso, talvez, hoje uma das pessoas que mais admiro e gostaria de ver ainda escrevendo uma obra genial é um escritor chamado Ademir Assunção.

Ainda ontem, falando sobre ser ou não ser nas redes sociais, meu marido me perguntou "mas, independente da pessoa estar aquém do que você imagina, você acredita que ela seria capaz de receber dinheiro para fazer diferente o que de forma sincera e bombástica faria ?"

Poucos não seriam traídos, poucos não se venderiam... mas o Ademir, eu acredito, seria um destes poucos. E, eu ainda acredito num livro arrebatador dele, daqueles, da galeria dos memoráveis, feito saco de pancada, feito saco de rato, feito uma rebelião... na zona fantasma.


domingo, 5 de dezembro de 2010

Rebelião

Você já foi em alguma Rebelião que o Ademir promoveu ? Você já deu as caras no Espelunca em noites quentes ? Você já pensou "putz, é isto mesmo ? tá tudo assim (ou assado) , perdido e mal pago ? " . Se você sabe quem é este moço, então não precisa do convite. Deve saber que com ele não tem meia boca, tudo é sempre no fio da navalha. E, corta a alma ao meio e deixa sangrando, sem dó, sem arrependimentos.
Não vai perder, heim ? 
"Quarta-feira que vem vou fazer a última apresentação do ano do show Rebelião na Zona Fantasma. Não deu para entrar no flyer, mas eu aviso aqui: além do Marcelo Watanabe (Bob Wata) na guitarra e do Caio Góes no baixo, teremos Caio Dohogne na bateria. Agora fechei a banda que estava procurando há um bom tempo. Depois de 15 shows no interior, mais um em Recife e outro em Belo Horizonte, o som está tinindo. A entrada é franca." - Ademir Assunção

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Do espelunqueiro...

... Ademir Assunção, só espere coisa boa pra sacudir a poeira!




Direto da Espelunca


"Francis Hime e Geraldinho Carneiro abrem a temporada deste ano do projeto Parcerias: A Voz da Poesia, idealizado por este espelunqueiro de ressaca, a partir de uma ideia bem simples: um poeta e um compositor sobem ao palco, falam sobre suas parcerias, conversam sobre as relações incestuosas e impetuosas entre poesia e música e fazem um show bem informal, muito próximo do público, com um repertório especial para aquela noite.
Ano passado foi um sucesso. Tanto que vai rolar de novo, com sete encontros de maio a julho.
Começar essa segunda temporada com Geraldinho e Francis Hime é bem legal. Muitos versos de Geraldinho marcaram algumas madrugadas insones na minha vida: “Agora bêbada você estremece / como se ainda não soubesse / em frente à porta desse bar / em que embarca sob essa vaga lua” (“Palhaço”, poema dele, música de Egberto Gismonti). Ou: “Lady Jane / respira o cheiro dos esgotos no chão / sob essas catedrais de Babel / Lady Jane / eu sinto o gosto dos esgotos no chão / sob essas catedrais / sob essa escuridão / os edifícios têm de cair (com música de Nando Carneiro e a chapante interpretação de Olivia Byington). 



Muitas melodias de Francis Hime também não me saem da cabeça - e aposto que da cabeça de muita gente por aí. Como a de Pivete (“no sinal fechado / ele vende chiclete / capricha na flanela / e se chama Pelé”). Ou Atrás da Porta: “Quando olhaste bem nos olhos meus / E o teu olhar era de adeus / Juro que não acreditei / Eu te estranhei / Me debrucei sobre teu corpo e duvidei”. Quem não lembra das parcerias com Chico Buarque?

8 de maio (18h30) – Geraldo Carneiro e Francis Hime
22 de maio (18h30) – Bráulio Tavares e Antonio Nóbrega
5 de junho (18h30) – Maurício Arruda Mendonça e Bernardo Pellegrini
19 de junho (18h30) – Marcelino Freire e José Paes de Lira (Lirinha)
3 de julho (18h30) – Arruda e Alzira Espíndola
17 de julho (18h30) – Celso de Alencar e Tom Canhoto
31 de julho (18h30) – Edson Cruz e Reynaldo Bessa 
SERVIÇO
PROJETO PARCERIAS: A VOZ DA POESIA
Idealização e curadoria: Ademir Assunção
Poetas e compositores parceiros se encontram para falar sobre poesia e música e apresentam show com ênfase em poemas musicados. Serão sete encontros quinzenais, de maio a julho, sempre aos sábados, às 18h30.
BIBLIOTECA MUNICIPAL ALCEU AMOROSO LIMA
Avenida Henrique Schaumann, 777 – fone: 3082-5023
130 lugares
Entrada Franca (retirar ingresso com meia-hora de antecedência)

terça-feira, 2 de março de 2010

Viva Piva!


O dono da ESPELUNCA , Ademir Assunção, manda o convite e , por mim, já tá aceito!
Sábado, dia 6 de março, vai rolar evento no b_arco galeria para arrecadar grana para Roberto Piva, lenda viva da poesia brasileira. Uma turma porreta lendo poemas dele, tocando e cantando para desanuviar o ambiente: Claudio Willer, João Silvério Trevisan, Mário Bortolotto, Lourenço Mutarelli, Celso de Alencar, Antonio Fernando de Franceschi, Roberto Bicelli, Rodrigo de Haro, Gustavo Benini, Joca Reiners Terron, Marcelino Freire, Xico Sá, Frederico Barbosa, Nelson de Oliveira, Claudio Daniel, Marsicano, Edvaldo Santana, Oswaldo Rodrigues, Fabio Weintraub e este espeluqueiro. Não vai ser cobrado ingresso. Serão recolhidas doações em dinheiro. Livros serão vendidos com a renda toda revertida pra ele. Piva fez uma angioplastia recentemente, ficou internado algumas semanas no HC. Agora está bem, mas precisa de grana pro tratamento. Bora dar uma força!