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domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Montanha Blanca


Quando o Saramago apareceu na tela trêmula do Cine Belas Artes, eu comecei a chorar baixinho.

Mas, não vou escrever sobre isto agora, não agora...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Exposição - Saramago


Com curadoria de Fernando Gómez Aguilera, diretor da Fundação César Manrique, José Saramago:a consistência dos sonhos aproxima o público da produção do consagrado escritor português, Prêmio Nobel de Literatura. Fotos, documentos, manuscritos, notas pessoais, primeiras edições, textos, desenhos, vídeos, projeções e até poesias e obras inéditas proporcionam um mergulho profundo na rica e criativa existência do autor de Ensaio sobre a Cegueira.
Quando: 29 NOVEMBRO DE 2008 A 15 FEVEREIRO 2009

Objecto Quase

A bagagem do viajante

Meu pai partiu em 2001. Não foi no ano da morte de Ricardo Reis, foi no ano que conheci Sir O`William. Achei que Deus fazia uma troca, um Rei por um Príncipe. Aceitei. De vez em quando sinto uma saudade danada daquele meu moço bonito de olhos azuis e de pele tão alva quanto um clarão de luz. Nestas horas, dá vontade de fazer um cafuné, de fazer uma graça naquela barba, de dar um cheiro entre os cachos dos cabelos...

Afago então, as letras e a calva do Saramago e coisas mágicas acontecem...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Saramago, o Elefante e a Viagem


Lançamento do último livro do escritor José Saramago, com a presença do autor. Realização SESCSP e Companhia das Letras. Apoio Instituto Tomie Otake. Retirada gratuita de até dois ingressos por pessoa, pelo sistema INGRESSOSESC, a partir das 10h do dia 21/11. Teatro Paulo Autran.

SESC Pinheiros
Dia(s) 27/11

Quinta, às 20h30

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O caderno de Saramago

Eu gosto do Saramago, não de hoje, não de ontem, na verdade nem sei há quanto tempo. Já fiquei em fila para vê-lo, já comprei lugar com cadeira marcada, já cometi minhas tietagens. Parece bobagem, digo à mim mesma, mas assim como há poetas que me fascinam, há este velho escritor que pontua a minha vida com alguns personagens inesquecíveis.

Mas, tenho a sensação que o maior personagem dos seus livros é ele mesmo. Toda a sua obra, parece autobiográfica e se a sensação, por vezes, é de repetição, o trabalho braçal de persistir em mais um enredo ganha corpo e novas estradas se abrem, e novos personagens surgem frescos, vivos, com todos seus complexos, reflexos, verdades e desvios.

Pra ser sincera, posso confessar: escrevi algumas cartas pro Saramago que estão guardadas em meu baú. Pouco importa-me se um dia hei de entregar-lhe, mas importa-me o que dali nasceu. E, muitas foram as perguntas, e muitos foram os dias de perdição e muitas foram as cartas sem remetente, sem endereço que restaram pra eu reler numa viagem qualquer... pode ser até a Azinhaga... quem sabe ?

Detalhe: agora ele é blogueiro e criou O Caderno de Saramago...

http://caderno.josesaramago.org/


A Cega das InSônias

Ilustre Senhor José Saramago


Sêo Moço,

há muito te encontro. em páginas antigas. há muito espero, velejar contigo.

por dentro. de dentro. navios. naufrágios. ensaios. cercos. objectos. QUASE. josé. jesus. ricardo. cirius (meu). todos os nomes, bagagens. evangelhos. perdidos. ouro de tolo. todos cegos (fomos, somos, estamos, seremos). ad eternum. in nomine dei. serenus. cadernos. cavernas. caligrafias. JANGADA pr´ eu ir. não é doce morrer no mar. que as mães do Tejo, o digam. que derramem. Pessoa e lágrimas. naus partidas. em ilhas, desconhecidas.

sou cega. andante. errante. desconheço o ano de minha morte. já quis fugir desta vida. fiquei. parei. dei sinal. encontrei cães (há cães em todos os lugares) . mas, eles não lamberam minhas lágrimas. um mordeu-me a panturrilha. sangrou. chorei. era ano novo. achei que seria mordida o ano inteiro. passou. cicatrizou. de vez em quando, coça. me lembro do cão. do dia. da hora. do medo. fugi da vacina. e todo dia, um após o outro. eu me achava morta, estendida, esperando a raiva me tomar inteira. nunca tomou. não morri. o cachorro se foi. ficou em mim.

já plantei flores que não brotaram. escrevi livros que guardo na gaveta. sem coragem de sair do casulo. me embrulho em casa com memórias remotas. lembranças que me alimentam. quando meu pai era vivo eu achava que era feliz. muito. depois que ele partiu. vivo tentando encontrar felicidades ao acaso. demora. às vezes, quase desisto. resisto. persisto. sigo adiante.

não rezo. não porque não acredito em deus, mas porque sou cria do meu Pai. e achava que ele era meu Deus. depois que partiu, fiquei órfã de religião. mas, quando em perigo , imploro "ai meu pai que estais no céu, me proteja, me ajude, me salve". sempre sou salva. acho que meu pai me ama. mesmo não estando mais neste circuito interno controlado por antenas de tv.

avante. andante. mirante. além.

o telefone , às vezes, toca. e eu atendo sem querer. sem querer também pego gripe, resfriado e tropeço em minhas pedras , nos rins. levanto-me. leio livros antigos de edições passadas. são os que mais amo. os que mais gosto. os que guardo no meu baú , trancados à 7 chaves. gosto de números ímpares. de coca cola e maria mole.

nunca tive um passarinho. peixinho já. mas, morreu. cachorros vários, mas nunca nenhum exclusivamente meu. queria ganhar um para dar o nome de Teófilo Severino. eu gosto da sonoridade deste nome, era o nome que meu pai queria ter. por incrível que possa parecer. é realmente lindo. não querer ser Alain Delon. mas, ser Teófilo (de Severino) ou José (de Saramago).

meu nome é sônia (dos alves) (dos dias). sou uma gaja. gaijin. brasileira. tenho hoje a idade que Cristo tinha quando conversou com o diabo. e com deus, na barca. atravessada. pendente. pairada. sobre um rio.

um dia quero morar em portugal. ter um café literário onde as pessoas possam comer bolinho de chuva (feito por uma velha preta gorda) e saborear um livro puído cheio de estórias contadas. neste dia, chamar-lhei-ei Sr Saramago, para tomarmos um chá de flor de laranjeira. o ar estará perfumado com galhos de alecrim. e Pylar del Rio lhe fará companhia. assim como Ciro Willian ,meu amado, que gosta de coçar minha cabeça e me chamar de Bailarina ( mesmo que eu nunca tenha esticado uma perna e tampouco dançado uma valsinha numa caixinha que toca lindas melodias ) .

hoje a noite irei vê-lo. mais uma vez (já o vi anteriormente) . meu dia fica radiante e sempre o sol aparece. ilumina. irradia. incandesce.

se sorte tiver, entregar-lhe-ei este bilhete e mais alguma coisa mínima. não posso dizer que o Sr modificou meu viver. meu pai sim, meu amado talvez. mas, as leituras que faço de suas palavras, são sempre enriquecedoras e ME FAZEM QUERER SER ( alguém que nunca sou ) , ESTAR ( num lugar onde nunca estou ), ENCONTRAR ( algo que nunca descubro o que é ).

ainda há de chegar meu tempo. quando. não sei. mas, sigo seus rastros. e querendo ser melhor, já é melhor do que não ser. querendo encontrar algo, é melhor do que não ter o que buscar. seguir pistas , é melhor do que caminhar no escuro – como cega – que sou, já fui, serei.

A cega, das inSônias.

são paulo, quinta feira de sol quase nublado – mas, sol.
Sônia Alves Dias - 16/09/2008