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sexta-feira, 26 de março de 2010

Jim morreu


Jim Marshall, a lenda das lentes, morreu na noite de terça-feira (dia 23/03/2010), enquanto dormia em um quarto de hotel, em Nova York.

Jimi Hendrix queimando sua guitarra , Johnny Cash mostrando o dedo médio durante uma apresentação na penitenciária de San Quentin, o backstage da última apresentação do Beatles, festival de Woodstock , Rolling Stones, Janis Joplin, Jim Morrison, Milles Davis, Bob Dylan, Coltrane e tantos outros foram imortalizados na sua câmera rápida e certeira.

"Jim tinha um olhar apurado, ousado e poético, suas fotos traziam mensagens tão agressivas quanto o próprio rock. Basta de palavras, ficam as imagens…" - Bravus.Net

sexta-feira, 12 de março de 2010

Num rabo de foguete...


... Glauco partiu.

Acordei com a sexta-feira linda, sorrindo e cantando Gun´s ( o show é amanhã!) e ao ligar o computador: GLAUCO ASSASSINADO.

Deu um nó no peito. Não, o Glauco não era da minha família e tinha dias que os Ozetês me deixavam irritada, mas esse cara me acompanhou por uma longa estrada.

Eu sou fã de tirinhas (até fiz, nos anos 90, uma coletânea delas e dei o nome de TIRINHAS TIRADAS DE JORNAIS, com a Rê Bordosa na capa). Sou fã de quadrinhos, fã de HQs, fã de gibis. Era fã do Glauco, declarada. De carteirinha do Casal Neuras, do clássico Geraldão , do virtual Netão e do imperdível e quase raro Edmar Bregmam (dá-lhe Glauber Rocha)!

Deu um nó no peito sim. Quando alguém parte desta forma, num rabo de foguete faz a gente ficar com uma estranha sensação no peito... "Como assim, mataram o Glauco ?" . Tiraram dele a chance de partir no tempo certo, de morte morrida, para um outro espaço sideral...

Sexta injusta, macabra, marcada.  E,  nem o sol lá fora tira esta tirinha preta do peito.

Deixo aqui a minha admiração e o meu espanto, por este moço, um dos maiores cartunistas brasileiros - GLAUCO.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Passarim



José Mindlin morreu hoje, dia 28/02/2010, de falência múltipla dos órgãos.

Conheci-o pessoalmente em um evento na Casa das Rosas, onde ele falava sobre livros e paixões, ao lado do Fred Barbosa.

"Podia ser meu avó" pensei... "e eu podia morar dentro da Biblioteca dele..."

Cheio de delicadeza, hoje partiu. Assim... como um passarim...

˜Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato˜ - Drummond

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Mande notícias do lado de lá...

Foto arquivo pessoal - Sônia Alves Dias

'Vivo numa bomba-relógio circular'
Rodrigo de Souza Leão morreu aos 43 anos deixando um romance e poemas que delineiam a esquizofrenia.


As vezes, parece que a gente se repete, mas não... a gente apenas, não esquece.

Rodrigo morreu e da morte dele meu irmão lembrou de me avisar que me ama muito, que me ama demais, que me ama todos os dias, mas que esquece de dizer pessoalmente, mas mentalmente me diz...

A morte deste moço, desconhecido por muitos, conhecido por poucos, traz um sentimento de solidariedade e de bem querer que não pede nada em troca.

Este moço, que escrevia muito, que não era de grandes manifestações (e aparições) agora descansa dos seus próprios fantasmas.

Sinceramente, dói na alma, a forma como algumas pessoas partem, Rodrigo foi uma delas.

Descansa seu moço, amansa este leão feroz que vigiava tuas horas...

* * *

Texto de Márcia Vieira - O Estado de S.Paulo (sábado, 11 de julho de 2009)

A literatura e a esquizofrenia vieram juntas há exatos 20 anos. Foi depois do primeiro surto, aos 23, que Rodrigo de Souza Leão começou a escrever ficção sem parar. Em algumas vezes, versos rabiscados no primeiro pedaço de papel que aparecesse pela frente. Noutras, poesias curtas em revistas literárias na internet. O mundo virtual era sua vitrine. Rodrigo editava uma revista literária, escrevia para sites e mantinha um blog, o Lowcura. No ano passado, conseguiu realizar um sonho: publicou pela editora 7 Letras seu primeiro livro em prosa, Todos os Cachorros São Azuis. Ficou eufórico por ser um dos 50 finalistas do Prêmio de Literatura Portugal Telecom, ao lado de nomes como José Saramago, Manoel de Barros e Milton Hatoum. O romance, quase uma autobiografia, é uma imersão no mundo da esquizofrenia.

Rodrigo morreu na semana passada, aos 43 anos, de ataque cardíaco, amarrado a uma cama numa clínica psiquiátrica no Rio onde tinha pedido para ser internado uma semana antes temendo um surto. Na saída para a clínica se recusou a entrar no carro dirigido pela mãe. Tinha medo de não se controlar, tomar o volante e acabar provocando um acidente. Foi de táxi agarrado em Dulce, a irmã caçula. "Acho que ele se libertou. Era muito sofrimento", desabafa a mãe. A vida foi dura para Rodrigo. Assim como para os pais, Sylvia e Antonio, e os irmãos mais novos, Bruno e Dulce. No dia 25 de junho, antes de sair para a clínica, Rodrigo escreveu uma carta para a família, com tom de despedida.

"Vocês sabem muito bem que a minha vida não foi fácil. Sofreram muito. Sofremos junto. Sofremos nós. Eu gostei da vida e valeu a pena. (...)Tomara que exista eternidade. Nos meus livros. Na minha música. Nas minhas telas. Tomara que exista outra vida. Esta foi pequena pra mim. Está chegando a hora do programa terminar. Mickey Mouse vai partir. (...) Nunca tenham pena de mim. Nunca deixem que tenham pena de mim. Lutei. Luto sempre. Desculpem-me o mau humor. É que tudo cansa."

Difícil saber o que detonou a última crise. Dez dias antes, tinha ido ao ar uma cena da novela Caminho das Índias, de Glória Perez, em que Tarso (Bruno Gagliasso), numa crise esquizofrênica, atira em Murilo (Caco Ciocler). Rodrigo ficou perturbado. "Ele me disse: ?Mas esquizofrênico não mata. Meus amigos e vocês vão ficar com medo de mim, achando que sou um assassino? ", lembra a mãe. Não adiantou a família repetir por dias seguidos que aquilo era ficção.

"Ele já não vinha muito bem", lembra Dulce. "Tinha delírios, tomava muitos remédios, achava que agentes tinham colocado um chip nele . Depois da cena da novela, ficou com medo de matar o irmão." O chip e os agentes estão no relato do narrador de Todos os Cachorros São Azuis e fazem parte também da loucura do personagem da novela. "O Tarso tem muito do Rodrigo. Meu irmão tinha mandado o livro para a Glória logo que a novela começou. Não sei se ela leu", diz Dulce. Sim, leu. "O livro é maravilhoso e me inspirou, assim como outros depoimentos de esquizofrênicos, a escrever as cenas do Tarso", confirma a novelista.

O chip e os agentes apareceram desde o primeiro surto. Rodrigo trabalhava no escritório da Caixa Econômica Federal. Achou que estava sendo perseguido até pelo presidente da CEF. Desceu 43 andares de escada no escuro para fugir dos tais agentes. Descontrolado, foi internado pela primeira vez com o diagnóstico de esquizofrenia, doença mental que se caracteriza por alucinações e mania de perseguição. Anos depois, veio a segunda internação, quando até a polícia foi chamada para arrombar a porta do apartamento onde ele tinha se trancado.

No livro, Rodrigo narra os horrores da clínica. "Hospício era um lugar cheio de flores lindas, mas podre por dentro. (...) Todas as vezes, eu desacreditava em Deus. Se havia um lugar como o hospício, era sinal de que Deus não existia. Ou ele existia e não queria saber de quem estava dentro daquele pequeno inferno."

Quando Rodrigo saiu do "inferno", começou a escrever. "A esquizofrenia o levou para a literatura, que, por sua vez, o ajudou a conviver com a esquizofrenia", acredita a irmã. Suzana Vargas, professora de Rodrigo na faculdade de jornalismo e amiga de todas as horas, concorda. "Ele sempre teve talento. A partir do primeiro surto, mergulhou na literatura. Foi o modo que encontrou para conviver com aquilo."

Suzana acredita que, com a publicação do romance, ele estava encontrando o seu lugar na literatura. "O livro é um soco no estômago, um material maravilhoso do ponto de vista literário e também uma maneira de entender o que se passa na cabeça de um esquizofrênico."

Antes do primeiro surto, Rodrigo já era um leitor compulsivo. Leu tudo de Marcel Proust. Devorou os poemas de Charles Baudelaire e os textos de Friedrich Nietzsche. Mas sua grande paixão era Rimbaud.

O ataque cardíaco que matou Rodrigo não foi surpresa para a família. Além de esquizofrênico, ele tinha TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), era hipertenso, fumante e sedentário. "Ele nunca fumava só um cigarro por vez. Tinha que ser cinco seguidos", lembra o pai. Médico, Antonio passou a estudar esquizofrenia. Descobriu que seu filho era do tipo esquizofrênico paranóico. "Tinha mania de perseguição e de grandeza. Achava que nós éramos coniventes com os agentes."

Antonio guarda em casa os originais de Tripolar , romance do filho, ainda inédito. "É um bom livro. A esquizofrenia não alterou a produção intelectual", acredita. Um dos últimos poemas que Rodrigo postou no blog Lowcura foi "Tudo é pequeno/a fama/a lama/o lince hipnotizando a iguana. O que é grande/é a arte/Há vida em marte."

Foi Antonio quem recebeu o telefonema avisando que Rodrigo tinha sido encontrado morto na manhã de 2 de julho. Em Todos os Cachorros São Azuis, o narrador conta: "Quando o hospício estava cheio, era a hora de ficar quieto. Qualquer coisa e você poderia ser amarrado à cama. Dentro do cubículo e amarrado era a morte."

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Moonwalk



Music video by Michael Jackson performing Dirty Diana Album: Bad (C) 1987

Eu conheci o Michael Jackson quando tinha 13 anos. Claro, devo ter visto antes, mas aos 13 eu o descobri. Assistia programas na tv para vê-lo dançar. Curtia com a minha mãe e com meus irmãos, dançava em todas as festas, colecionava até figurinhas. Era bonito demais ver o que aquele moço fazia com os pés, com as mãos, com os quadris. Pop, eu nem sabia o que era, mas ele era, eu era, todos queríamos ser e seríamos.

Superstar, era assim, ele todo cheio de articulações e de refrões febris.

O tempo passou e muitas coisas aconteceram com ele. Mudou de cor, mudou de rosto, mudou de vida. Mas, na minha memória, o MJ sempre foi aquele ser místico que no palco hipnotizava, arrebatava multidões.

Quando conheci meu marido, além de filmes, falamos de Michael Jackson. E ele me apresentou esta Diana Indecente onde este moço rasgava a voz, rasgava a roupa, rasgava o palco inteiro.

Vi mais belezas desconhecidas e descobri que o moço sem cor, era atemporal e para sempre brilharia na memória dos dias em que eu adolescia.

Michael hoje partiu para as Terras do Sem Fim, foi popear com Deus, com seus anjos e seus arcanjos - serafins.

Michael Joseph Jackson, 29 agosto 1958 - Los Angeles, 25 jun 2009

"King of Pop" , cinco de seus álbuns de estúdio se tornaram os mais vendidos mundialmente de todos os tempos: Off the Wall (1979), Thriller (1982), Bad (1987), Dangerous (1991) e HIStory: Past, Present and Future – Book I(1995).