As imagens desta revista (da semana de agosto de 1976) mostrava bem a trajetória do Senhor Juscelino Kubitschek (até hoje me atrapalho pra escrever este sobrenome) e gostaria que soubessem, eu não inventei nada disto.
Eu tinha 4 anos quando o Juscelino morreu. Mas, eu vivi 30 anos vendo meu Pai pegar esta revista, manusear com todo o cuidado do mundo e contar sempre a mesma história.
Durante muito tempo, eu não tinha a mínima idéia de onde era Brasília. Mas, sabia que meu pai teve um terreno lá, porém como nunca foi desbravar, o terreno perdeu o dono e nós nunca viajamos para conhecer a Brasília do Sêo Juscelino.
Meu pai era um homem politizado e se havia algo que ele gostava na vida que Deus lhe deu (além do Santos e de pistache) era de política. Ele sabia tudo o que se podia imaginar e mais ainda do que a imaginação dele podia criar. De conspirações à traições, de partidários e reacionários, qualquer sigla, qualquer candidato, qualquer governante antigo ele sabia... de tudo, tudinho mesmo.
Eu não herdei dele esta sapiência. Se duvidar, não sei nem quem foi o primeiro presidente do Brasil, quanto mais TODOS os presidentes. Mas, ele era meu pai-sabe-tudo e o Juscelino dele tá guardado comigo e comigo morrerá.
BRASÍLIA completa 50 anos.
De lá eu me lembro deste tal terreno (que nunca vimos) , da Legião Urbana que foi minha paixão adolescente e do Presidente Juscelino Kubitschek (que pra mim nasceu quando morreu, pois se não fosse os tantos anos desta revista ele nem na minha imaginação estaria).
Meu Pai não vive mais e se vivesse, hoje - com certeza - pegaria a Manchete de 76 e passaria horas contando sobre Brasília que ia do nada à lugar nenhum, que nasceu do zero, e que tinha o lema:
50 anos em 5!
Brasília hoje é uma vergonha. E, motivo mesmo, não tem pra comemorar. Mas, meu pai com sua revista antiga me mostraria coisas que nem imagino, então tudo faria sentido novamente e a nossa estrada estaria ligada, como sempre, pra sempre.



