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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Hoje não tem sopa na varanda de Maria

acrílico sobre papel by Sônia Alves Dias
O AMOR SE VAI PELA MESMA VIA QUE VEM
"Uma coisa invisível está perecendo no mundo,
um amor não maior que uma música"
Jorge Luis Borges
1º movimento

tudo muito rápido toda
tímida capto todo
torto rapto
um breve cintilar de lábios
da cor escarlate do mesmo esmalte
das unhas que laceravam a pele do peito enquanto
os olhos diziam que eu era tudo
e que nada nos separaria


2º movimento

toda boca
úmida toda loba
cínica toda mímica mínima
todo espanto tanto encanto pra tudo
terminar em nada
esse nada que nada sara e me atira
outra vez no fundo do poço enquanto
estrelas migram lá fora

Ademir Assunção

terça-feira, 7 de julho de 2009

Coyote nº 19

REVISTA COYOTE

Entrevista inédita de João Cabral de Melo Neto, feita em 1993, conto do norte-americano Donald Barthelme, traduções da poeta espanhola radicada no Paraguai, Montserrat Alvarez, e uma história em quadrinhos de Teo Adorno, com roteiro de Luiz Bras, são destaques do novo número da revista.

“Quando estava morando em Barcelona, tinha acabado de escrever e publicar a ‘Psicologia da Composição’ e estava certo de que não iria mais escrever poesia. (...) Tinha a impressão que havia chegado a um extremo tal de intelectualismo, por assim dizer, com a ‘Psicologia da Composição’, que não tinha mais sentido seguir naquele caminho." A revelação surpreendente de João Cabral de Melo Neto dá o tom da entrevista feita pelo poeta gaúcho Thomaz Albarnoz Neves, no outono de 1993 – um dos destaques da nova edição da revista Coyote.

Com sua linha editorial calcada na radicalidade e na diversidade de vozes e visões artísticas, Coyote 19 mostra também uma nova safra de poemas de Ademir Assunção e Annita Costa Malufe, a densa e atormentada dicção da poeta espanhola radicada no Paraguai, Montserrat Alvarez, em poemas traduzidos por Luiz Roberto Guedes, contos de Marcelo Maluf e Reni Adriano, poemas do norte-americano George Oppen (traduzidos por Ruy Vasconcelos) e da portuguesa Ana Luísa Amaral, além de quadrinhos da dupla Teo Adorno e Luiz Bras.

A revista apresenta ainda um conto do norte-americano Donald Barthelme (traduzido por Caetano Waldrigues Galindo) e ensaio fotográfico do londrinense Rogério Ivano.

Em seus sete anos de atividade, Coyote prossegue abrindo espaço para novos autores, resgatando e apresentando nomes importantes das letras e das artes, de épocas e lugares diferentes, instigando a reflexão e a criação literária. A revista é patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) da cidade de Londrina.

COYOTE é editada pelos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes. Projeto gráfico de Marcos Losnak. Distribuição nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras.

COYOTE 19 // 52 páginas // R$ 10,00

Uma publicação da Kan Editora. Vendas em livrarias de todo o país pela Editora Iluminuras – fone (11) 3031-6161 (site: www.iluminuras.com.br). Pode ser adquirida também na internet pelo Sebo do Bac: www.sebodobac.com

Contatos: losnak@onda.com.br/rgarcialopes@gmail.com/zonabranca@uol.com.br
Fone: (43) 3334-3299 / (11) 3731-3281

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Patas de pantera


Fragmento de Noite & Dia (parceria Ademir Assunção com Madan), num show em Araraquara.

Noite e Dia é uma canção destas que ficam marcadas na pele feito tatuagem. Não sendo musicista, não sei falar sobre acordes, bémois e sustenidos. Mas, como moça de tantos nomes e tantos sentimentos, sei que sempre ao ouvi-la é como se uma cortina fosse lentamente se fechando e não restasse mais nada em lugar nenhum, ninguém por perto, literalmente, dor nenhuma.

Eu a ouvi a primeira vez no CD-ÓPERA DE RINOCERONTE, do Madan na virada do ano 2000. E, foram tantas sensações que brotaram e foram tantas lágrimas que rolaram que eu guardei esta canção NOITE e DIA dentro de algum vão no coração que dali não sai, não se apaga e nem perde.

O tempo passou e muitos adeuses eu vi. Quando meu pai faleceu, DEUS voava e plantava prantos. Muito PÓ em mim se partiu. Eu me sentia a própria DONA DOIDA, eu queria ser DONA DOIDA, eu era, tinha certeza. MUNDO NOVO fechava um ciclo, fechava o disco. A sensação cantada do "não existe sorte, azar não existe, tudo é risco, arrisque... leão de zôo tem os olhos tristes..." era tão real , que eu cantarolava ao sol, na chuva, em todas as estações que por mim passeavam. Neste CD inesquecível (para mim, com certeza) tem o querido e falecido poeta (tradutor de Aretino, inclusive) Zé Paulo Paes, tem Arnaldo Antunes, Elisa Lucinda, Nelson Capucho, Kléber Albuquerque e o dono também desta letra (NOITE e DIA) que me bota sempre comovida como o diabo... Ademir Assunção.

Se você não ouviu ainda, eu recomendo... é poesia pura.

NOITE & DIA

Poema: ADEMIR ASSUNÇÃO
Música: MADAN

deixe que o sol se deite
sobre seu leito deixe
que eu beba o leite
do seu corpo deixe
que o calor do beijo
dissolva a bruma deixe
que ao cair a noite deixe
suor e seiva dor nenhuma

poema incidental: PATAS DE PANTERA

O vento frio me mata Um beijo
me recria Quem sabe uma noite
inteira Ou na metade de um dia
Ela pise com patas de pantera
Sobre essas páginas frias
Elegante como quem volta Sem
saber onde ia

Mais de tudo ? AQUI...

sábado, 30 de maio de 2009

Voz da Poesia - Fernanda D´Umbra

Você acha que conhece a moça , só pelo programa MOTHERN ,
como sendo a mãe super doce e descolada da fofinha Bel ?

É porque você não a conhece uivando na FÁBRICA DE ANIMAIS...


Espia aqui no SEM GELO pra ver como ela é.


Sábado, 06/06/2009 - 18:30 - Biblioteca Alceu Amoroso Lima.
Vai lá ver.

domingo, 24 de maio de 2009

A voz da poesia

Continua acontecendo em SP, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, o evento A VOZ DA POESIA.
Quem idealizou o projeto foi o Ademir Assunção e como sempre, só personagens pra colecionar na galeria da memória.

No evento de ontem, por exemplo, fiquei conhecendo o Edvaldo Santana (que eu só conhecia através das citações do Ademir). Devo dizer-lhes, que é bom demais. Além das histórias inesquecíveis ao lado dos querido Leminski, Itamar e Ademir (Assunção, os dois) e muitas outras lembranças tiradas da cartola, sobra suingue e ritmo pra gente querer cantar e soltar o ombro a noite toda. Hoje , ao levantar, eu ainda cantarolava baixinho:

"Aprenda a costurar as suas próprias roupas, quando as flores forem poucas.

Quando a brisa do inverno varrer a sua casa, aprenda a voar com suas próprias asas"

Linda de morrer, esta poesia toda...
Nos próximos sábados, não se perca: Biblioteca Alceu Amoroso Lima - a voz da poesia.

Dando voz a poesia

Ademir Assunção e Edvaldo Santana

Borboleta é uma cidade que ficou perdida. Com a faca entre os dentes , Ademir se apresenta. Dos encontros com Edvaldo, sobra contos antigos. Sobra linha de trem que passa cortando anos, cortando lembranças e revivendo parcerias.


Entre um contar e outro, observo detalhes que a gente só descobre ao vivo. Dedos que estalam sem barulho, orelhas tocadas inconscientemente e na "lapela" , como se dizia antigamente, Ademir carrega a caneta como meu pai fazia. Por um instante, vem a tona um monte de referências daquela caneta ali. Engraçado, como a mente é um arquivo inesgotável de informações que julgamos perdidas.


De tantas contos, sobra Leminski espalhado pelos cantos. Sobra casa da Fortuna cheia de poetas, sobra certeza, de que "para alguns poemas o ambiente é o disco e não o livro" e o encontro nesta São Paulo barulhenta, que nos permite dizer...

"Quem sou eu, quem é você... muito prazer".

Um pouco de voz, um pouco de poesia.



Parceria: Voz da poesia - Edvaldo Santana e Ademir Assunção

"Noite negra, negro dia, um príncipe negro...

Anúncios, presságios, quem sabe...

Negras profecias...

Hóstia partida "

sábado, 25 de abril de 2009

Começa hoje...

com o curador curandeiro:

Madan e Mário


Poetas e compositores parceiros se encontram para um bate papo de meia-hora sobre poesia e música. Em seguida, o compositor(a) apresenta seu show dando ênfase em poemas musicados. Serão oito encontros quinzenais, de abri à agosto, sempre aos sábados.


A voz da poesia


Próximas atrações...

09 de maio - Zeca Baleiro e Celso Borges
23 de maio - Edvaldo Santana e Ademir Assunção
06 de junho - Fernandinha D Umbra e Marcelo Montenegro
20 de junho - Carlos Careqa e Antonio Wojciechowski
04 de julho - Neusa Pinheiro e Rodrigo Garcia Lopes
18 de julho - Vanessa Bumagny e Frederico Barbosa
08 de agosto - Kléber Albuquerque e André Sant Anna

Local: Biblioteca Alceu Amoroso Lima - sempre às 18:30hs


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cinemitologias

Retrato de canga e letras no chão do quintal de uma ilha perdida.

Durante o carnaval, tomando sol e lendo...

07.04

Tenho sonhado fotografias. Quando acordo, há centenas de imagens espalhadas pelo quarto. O cérebro funciona como uma polaroid. Tento juntar tudo pra ver se vira um videoclipe mudo.

Ademir Assunção - Cinemitologias

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Rebelião

Tudo dele, Ademir Assunção, todos meus.
Chegou um lote de Adorável Criatura Frankstein.
Você conhece o dono da Rebelião na Zona Fantasma ? Se não conhece, chegou a hora de colocar o chapéu na cabeça e ir ali no boteco pedir pra botar as cartas na mesa. Se tiver coragem, peça um gole de LSD Nô e não esqueça que você está ao alcance do ZONA BRANCA, lá onde habita Truffaut no Hotel Inglaterra na companhia de Jules, Jeanne e Jim... imperdíveis.
Passe e compre o seu. Afinal, como ele mesmo diz, é mais barato que 3 cervejas e o barato é bem melhor.

domingo, 7 de dezembro de 2008

A Musa Chapada

O ANJO DO ÁCIDO ELÉTRICO

o anjo sujo, esfarrapado
remela nos olhos
cabeça feita
bate as asas sob o céu lilás
:
luas se dissolvem
(comprimidos de sonrisal
na fornalha da noite)
música que não cessa
minha mão dentro da sua
veias são nervuras
golfinho saltando
na pele das costas
vênus vestindo
um manto de água
a ninfa chapada
de olhos elétricos
cores girando
no abismo sem fundo
dança de estrelas
no teto da sala
dois sóis em cada ontem
três vozes
na voz de quem cala

*****