Mostrando postagens com marcador Passarinheira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Passarinheira. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sabiá Pimenta

Foto arquivo pessoal - Série: Passarinheira


A Moça Do Sonho
Chico Buarque

"Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu"

Andorinha

Foto arquivo pessoal - Série: Passarinheira 

Os poemas
Mário Quintana

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.

Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.

E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Beija-flor

Foto arquivo pessoal - Série: Passarinheira

Manoel de Barros

"Passava os dias ali, quieto,
no meio das coisas miúdas.
E me encantei."

Uirapuru

Foto arquivo pessoal - Série: Passarinheira


Dez chamamentos ao amigo
Hilda Hilst
 

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero

Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

Tico-tico

Foto arquivo pessoal - Série: Passarinheira

Tua Boca

Itamar Assumpção

A tua boca me dá água na boca
Ai que vontade de grudar uma na outra
E sugar bem devagar,
gota por gota

Beija-flor beijando a flor
ou borboleta

A tua boca me dá água na boca
Que vontade de rasgar a nossa roupa
Vamos pra qualquer lugar,
praquela gruta

Pra qualquer quarto de hotel
praquela moita

A tua boca me dá água na boca
Que vontade de gritar, é uma bomba
Acho que vai rebentar, desgraça pouca

Azar eu vou me matar
na sua boca
 
Azar eu vou me matar na sua boca

Gavião

Foto arquivo pessoal - Série: Passarinheira

Essa Moça
Mário Gil


Ah ! como é bonita
Essa moça que me fita
É pra mim visão bendita
Quem lhe fez teve a visita
De Orfeu, de Deus, de artista
De artesão

Ah ! essa senhora
A mulher que me namora
Como é bela à luz da aurora
Mão de Deus ! chega, apavora
Que parece em certas horas
Sombração
 
Agradeço tanto
Ter em mim esse dom santo
De fazer teu corpo um manto
Me vestindo desse encanto
De paixão, de amor, de espanto
De ilusão
 
Vou nesse momento
Pela luz do firmamento
Te fazer um juramento
Te entregar meu sentimento
Até quanto eu tenha dentro
Coração

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Martim Pescador

Foto arquivo pessoal - Série: Passarinheira

Sorôco, sua mãe, sua filha
Guimarães Rosa


"Agora, mesmo, a gente só escutava era o acorçôo do canto, das duas, aquela chirimia, que avocava: que era um constado de enormes diversidades desta vida, que podiam doer na gente, sem jurisprudência de motivo nem lugar, nenhum, mas pelo antes, pelo depois."


Bem te Vi

Foto arquivo pessoal - Série: Passarinheira

Resíduos - Drummond
(Fragmento)

 "De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil..."

Maria Cavaleira

Foto arquivo pessoal - Série: Passarinheira


LAVOURA ARCAICA | RADUAN NASSAR

"Pondo folhas vermelhas em desassossego, centenas de feiticeiros desceram em caravana do alto dos galhos, viajando com o vento, chocalhando amuletos nas suas crinas, urdindo planos escusos com urtigas auditivas, ostentando um arsenal de espinhos venenosos em conluio aberto com a natureza tida por maligna; povoaram a atmosfera de resinas e de ungüentos, carregando nossos cheiros primitivos, esfregando nossos narizes obscenos com o pó dos nossos polens e o odor dos nossos sebos clandestinos, cavando nossos corpos de um apetite mórbido e funesto; sentindo duas mãos enormes debaixo dos meus passos, me recolhi na casa velha da fazenda, fiz dela o meu refúgio, o esconderijo lúdico da minha insônia e suas dores."

João de Barro

Foto arquivo pessoal - Série: Passarinheira

Amar
Florbela Espanca

"Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder...para me encontrar..."

Garça Dorminhoca

Foto arquivo pessoal - Série: Passarinheira


ATRÁS DOS OLHOS DAS MENINAS SÉRIAS

Mas poderei dizer-vos que elas ousam? Ou vão, por
injunções muito mais sérias, lustrar pecados que
jamais repousam?


Ana Cristina César