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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sombração


Essa moça

(Mario Gil e Paulo César Pinheiro)


Ah ! como é bonita
Essa moça que me fita
É pra mim visão bendita
Quem lhe fez teve a visita
De Orfeu, de Deus, de artista
De artesão

Ah ! essa senhora
A mulher que me namora
Como é bela à luz da aurora
Mão se Deus ! chega, apavora
Que parece em certas horas
Sombração

Agradeço tanto
Ter em mim esse dom santo
De fazer teu corpo um manto
Me vestindo desse encanto
De paixão, de amor, de espanto
De ilusão

Vou nesse momento
Pela luz do firmamento
Te fazer um juramento
Te entregar meu sentimento
Até quanto eu tenha dentro 
Coração



Ouça AQUI

domingo, 25 de abril de 2010

Dança pra chovê, trovão

último show que fui, em 2009, comecei a cantar... mas, chorei e parei.


Mário Gil é paixão antiga, destas que a gente põe debaixo do travesseiro e sonha que é pra vida toda... 

Quando o conheci, ele era o moço da Luz do Cais, tão bonito ele... Feito Boto que enfeitiça , me encantou. E, desde então sigo-o por aí, quando ele aparece. Porque ele não aparece muito não. É arredio, de olhar sereno, de nenhuma conversa de botequim. É Boto, eu digo. Tem uma voz que me emociona, e é comum eu chorar quando canto junto dele (claro que ele não sabe disto, nem eu nunca contarei, é segredo). Não adianta dar um google nele, bem pouco se sabe, bem pouco se viu, aparece ˜vezemquando" e some de novo, quando não está no palco nem sei quem ele é.

Poucos são os que me tocam a alma. Ele me toca. Quando lentamente, acorda a violão, o ar vai se enchendo de sentimentos. Eu choro, de verdade, choro sempre. Tenho vontade de escrever um bilhete e pendurar no céu "estou pronta, meu deus, me leva" . 

Se fosse para partir, queria ir ouvindo Mário Gil. Cálido, quase sacro, simples, sofisticado, erudito, monumental.

Se você encontrar com ele ao acaso, fale de mim. Não muito, pois toda a sua voz está entregue à música. Diga apenas, que sou a Moça, uma moça... que Sinházinha, ainda dança pra chovê, trovão.

Mas que ele é Boto, ah é, eu sei.


A Lenda do Boto 
É tradição junina do povo da Amazônia festejar o nascimento de Santo Antonio, São João e São Pedro. Em estas noites se fazem fogueiras, se atiram foguetes enquanto se desfrutam de comidas típicas e se dançam quadrilhas e outras danças ao som alegre das sanfonas.
As lendas contam que em estas noites, quando as pessoas estão distraídas celebrando, o boto rosado aparece transformado em um bonito e elegante rapaz mas sempre usando um chapéu, porque sua transformação nao é completa, pois suas narinas se encontram no topo de sua cabeça fazendo um buraco.
Como um cavalheiro, ele conquista e encanta a primeira jovem bonita que ele encontra e a leva para o fundo do rio.
Durante estas festividades, quando um homem aparece usando um chapéu, as pessoas pedem para que ele o retire para que não pensem que ele é um boto...