Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A Terceira Margem do Rio


Junho é de choro mesmo e este ano não podia ser diferente. 

Hoje morreu meu melhor amigo.

Hoje partiu a pessoa na qual eu mais confiava, o amigo ao qual deixei muitas vezes e deixaria tantas outras, minha vida em suas mãos. Meu amigo de noite e de dia, de sorriso aberto e crises existenciais. Meu amigo de invernos rigorosos e de verões escaldantes. Meu amigo morreu e não sei se depois desta morte minha vida um dia ainda será igual a antigamente.

Eu acho que não, morro com ele. O melhor da minha existência, o que sobrou das minhas raras belezas, só ele viu e com ele morre. Eu fui uma pessoa melhor durante este tempo, eu pensava que com ele seria possível ter uma lojinha onde "Tinha de tudo um pouco e o céu também"

Meu amigo, só não era meu marido, mas era tão amado como se fosse. Ele sabia que nossas alianças era de outras vidas, então ficava fácil viver a vida ao lado dele, mesmo que a distância.

Ele sabia tudo de mim, eu sabia tudo o que ele queria que eu soubesse dele. Eu sei, que sabia mais do que ele imaginava, porque eu o lia nas entrelinhas e mesmo calada, eu o entendia e seguia, paciente, ao seu lado.

Meu amigo não vai mais voltar, não pro meu coração, pra minha vida ... e juro, tá um precipício aqui sob os meus pés e eu tô chorando igual um animal abatido mas que ainda vive.

Eu sabia que um dia ele partiria, assim como meu pai partiu, assim como eu partirei.

Desta vida a gente sabe... só se nasce pra morrer... E, enquanto não morremos, vamos vivemos... construindo histórias, afetos e sentimentos. E, tentando ser fortes, para chorar nossos mortos e não morrer com nossas tristezas.

"Cê vai, ocê fique, você nunca volte!"  

( Sua vida torna-se reclusa e sem sentido, a não ser pelo desejo obstinado de entender os motivos da ausência ...  “Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio-pondo perpétuo.” ) - Guimarães Rosa, A Terceira Margem do Rio.

Dez anos


Dez anos não voa, atropela. Tudo aquilo que você imaginou, não aconteceu. Quando era pra acontecer, você deixou de acreditar.

Eu não acredito - Pai - que já faz dez anos que você partiu (talvez nem queira acreditar mesmo).

Junho é tempo de enterrar meus mortos. Coração doído, sangra sempre. Cicatrizes, não curam... só as feridas, estas sim, desaparecem com o tempo.

Mais um primeiro domingo de junho, Pai. Há dez anos atrás, num mesmo domingo estranho assim, eu jogava terra na tua cova enquanto mil medos e mil dores e mil tristezas e mil choros e mil desesperos congelavam meu corpo trêmulo...

Mais um primeiro domingo de junho ... pai... e eu continuo enterrando tudo dentro de mim, sozinha, como sempre fiz...

Dez anos, Pai.

Eu daria dez minutos da minha existência pra você estar aqui agora, pra me fazer sorrir e então eu trocaria de lugar com você e partiria, sem medo...

Este junho, este inverno rigoroso, será para lembrar você, todos os dias, até que o sol se levante e me aqueça novamente. Até lá, Pai, na minha retina, teu caixão desce terra abaixo e meu coração ainda dói... como há dez anos atrás...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Asas

A primeira vista

"Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei..."

Hoje, dia 06 de maio de 2011, meu irmão caçula faz aniversário.

Eu geralmente nunca lembro o ano que ele nasceu ou quantos anos está fazendo. Mas, eu nunca esqueço o dia que ele chegou pra alumiar nossas vidas.

Foi num domingo de sol, num dia das mães,  que este menino lindo chegou chorando e eu o tomei no colo e prometi que dele eu cuidaria, pra sempre.

Meu irmão, sempre foi meu filhinho. Foi muito esperado, muito desejado, foi muito especial e até nome de santa recebeu. 

Promessa. 

Sim, meu irmão foi feito de promessa...  "Nossa Senhora Aparecida, me ajude a ter meu filho, deixa ele nascer, deixa eu ser a mãe dele". Minha mãe não chorou pouco não... fez repouso absoluto, quase perdeu, cuidou da barriga como se fosse um relicário sagrado, sangrou, rezou, pediu e ganhou o menino mais bonito do berçário.

Ao nascer, ele ganhou o nome de CÉLIO APARECIDO, em homenagem a santinha. Porque sim, ele foi feito de promessa e até hoje nós agradecemos por este milagre lindo que aconteceu. 

Meu irmão caçula é o amor da minha vida.

Eu tô chorando agora , de bobeira... porque sou uma cabrocha muito chorona,  porque me lembrei de tantas histórias ao lado dele que passou um filme aqui, em câmera lenta de todos os nossos risos (ele tem o riso mais gostoso da família, é o que mais sorri, distraidamente) , de todos os choros (foram tantos em tantas idades diferentes), com todas nossas alegrias (e foram tantas em tantos natais, páscoas, viagens !)  e nossas tristezas (que foram poucas e marcantes e que se deus quiser, serão sempre mínimas em toda a nossa vida).

Meu irmão é meu anjo. Acho que ele nem sabe, porque pensa que eu sou a anja dele. Mas, ele que é abençoado, que foi o prometido e esperado e para quem eu peço a Deus que sempre ilumine e que traga coisas boas e que dê tudo certo nesta vida terrena dele.

Meu irmão é rico. Talvez nem tanto de riqueza material, mas ele é dono de um coração de ouro, de uma índole de ouro... meu irmão brilha feito moeda antiga.

De moeda antiga, também se faz. Feito relíquia, quer guardar o tempo na palma da mão. Guarda o desejo de ser Rei, de templo antigo, feito lenda passada. Guarda ele, espadas. E eu o guardo, em todo o meu imaginário, como o Senhor (meu menino) guardião de todas as belezas.

Meu irmão é lindo. Lindo daquela beleza que a gente não traduz, que o espelho não reflete. É lindo porque cativa, porque tem olhar doce feito doce-de-leite, porque tem abraço gostoso que é feito de criancice (que dá vontade de beijar as bochechas e bagunçar os cabelos).

Meu irmão é meu Pai. Dos filhos, com certeza, é o que mais se parece com aquele que o gerou. É o jeito de balançar os braços, é o jeito puro de dar risada, é o andar cadenciado, é o tamanho pequeno de homem grande.

Meu irmão é da minha Mãe. De caçulice é feito, e sob as asas dela viverá, protegido, amado e  mimado, eternamente.

Meu irmão caçula é metade do meio irmão do meio. Completam-se, sendo iguais e diferentes. Iguais no bem querer, iguais no coração gigante, iguais quando de costas caminham e se parecem tanto frente à frente...

Meu irmão caçula, embora não tenha lembrança de todas as histórias que meu irmão do meio conta, é o nosso bem mais precioso. Nem sabemos direito como protegê-lo, nem como contar tudo o que nos aconteceu, só nos lembramos do passado, do passado no qual ele era nosso bebê, nosso dengo, nosso eterno xodózinho... 


Eu amo meu irmão. Amo cada lembrança, cada cheiro, cada choro e cada detalhezinho da vida dele. Amo o sobrinho que ele me deu, amo o jeito carinhoso dele ser, amo até o jeito calado de quem tá distante mas que grita vontades de ajudar o mundo, de ser bombeiro, de ser herói sem acidentes.

Meu irmão faz aniversário hoje e eu nunca me lembro quantos anos ele tem... quantos anos está fazendo... nem me importa, nem quero saber... 

O menino que carreguei no colo por tantos anos, hoje é um homem, e me carrega no peito, no ombro, nas costas... tenho certeza, me carregará sempre. Porque dele, eu sou irmã, também sou mãe, também sou amiga, também sou a Anja (que ele acredita) e se Deus quiser eu o protegerei, como prometi quando ele nasceu... pra sempre.

"ô meu amor, minha vida, vem aqui pra eu te encher de beijos!!!" 


29 anos !!! 


"Cê parece um anjo

Só que não tem asas iaiá
Oh meu Deus!
Quando asas tiver
Passe lá em casa...(2x)

E ao sair
Pr'as estrelas
Eu vou te levar
Com a ajuda da brisa do mar
Te mostrar onde ir.."

(Maskavo)

domingo, 21 de novembro de 2010

Chá



A minha mãe não é inglesa e não aprendeu com a mãe dela as delícias de um chá da tarde. Claro, que vem da mãe, vem da avó a lembrança do café com bolo e as tardes ensolaradas com os amigos na varanda quando morava no interior (eu acho!).

Mas, acontece que depois que meu pai partiu e minha mãe quase partiu com ele, ela entrou num grupo de apoio e com as amigas da terceira idade, reaprendeu a viver e a ausência parou de doer tanto.

Foi difícil aqueles tempos... 

Hoje em dia, minha mãe é uma pessoa que gosta de muito mais coisas, dá muito mais risada e adora dançar. Tem um marido novo (literalmente, mas nem tanto assim... ) e gosta de convidar as amigas para um Chá da Tarde anual. 

Eu fico muito feliz em participar de cada detalhe e cuidar dos mimos e das delicadezas. Este ano atrasou por minha culpa, já que tive que fazer uma cirurgia e ela resolveu adiar tudo até eu estar definitivamente bem (coisas de mãe!).

Mas, o Chá da Tarde da Maria (bonita) chegou ! Estou fazendo os convites e já pensando nas doçuras para ela e as amigas dela. 

Com esta moça-mãe eu aprendo muito. E descubro que a vida é uma festa, mesmo que singela e apenas com aquele grupinho que te faz sorrir, assim... sem pedir nada em troca!

Dicas bacanas AQUI.


Chama as amigas para um chá também!
Cerimônia do Chá


Ainda ontem
Convidei um amigo
Para ficar em silêncio comigo
Ele veio meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo.
Paulo Leminski

sábado, 13 de novembro de 2010

As bridesmaids



Ser Madrinha de Casamento não é só dizer um "sim" para aquele casal querido que te escolheu (entre dezenas de outras pessoas) para estar ali, no altar, participando daquele momento único da vida deles. Ser madrinha, é ter atenção nos mínimos detalhes e cuidar para que tudo seja especial e perfeito. 

Não é fácil não... 

Eu, por exemplo, sei que a Dé e o Cardillo (meus novos afilhados matrimoniais) são dois musicistas excepcionais e se eu pudesse conduziria tudo no silêncio para deixar eles criarem cada nota de alegria que fluiria entre os convidados até o momento em que se ajoelhariam no genuflexório para prometerem, olhos nos olhos "te amarei na alegria e na tristeza, na saúde e na doença... sem que a vida nos separe " 

Queria muito, que eles, ao me verem entre seus escolhidos fossem transportados para um universo mágico e diáfano onde tudo lembrasse contos (não exatamente os de fadas, mas sim, aqueles fantásticos que criamos e acreditamos que seremos felizes... para sempre)! 

Por isso, talvez, as pessoas não entendam que escolher o vestido da madrinha é algo muito importante, porque a noiva é que precisa estar em evidência, não nós ! É preciso ser algo delicado, elegante, discreto e com glamour na medida certa. Não pode ser simplório, não pode ser berrante. Sinceramente, é difícil acertar no vestido. 

No mercado de alta costura, para meras mortais, o que vemos são vestidos padronizados, cheios de cristais em abundâncias, de brilhos extenuantes e de fendas e decotes abissais. Não servem, devo dizer. 

Por que é tão difícil estes ateliês planejarem uma arara para as menos ousadas ? 

Madrinha não precisa ser em tom pastel, mas pode ser nude... delicada, romântica, apenas extensão da beleza da noiva que deve inundar tudo com olhares de espanto... Somos coadjuvantes, somos aquelas que devem somar. Não podemos ofuscar, simplificar, destoar ou sumir. 

Depois de muito procurar, encontro o que eu queria num texto "textura fina no tomara-que-caia romântico: bordados espalham desenhos de folhas. E o gazar sobreposto ao corpo do vestido vira pelerine nos ombros e babado de sereia na barra" 

Daí pensei "achei, é este! queria um vestido que me vestisse assim !" - porém, quando vi o detalhe "Carolina Herrera" , fiz um muxoxo e constatei "não é, com uma conta corrente sem encantamento, não dá pra ser este"! 

Mas, o que eu queria para ser uma das bridesmaids da Dé, era algo assim... fantasioso, delicado, cheio de poesia. Para quando ela me olhasse, tivesse a certeza do porque havia me escolhido, porque momentos importantes da vida da gente, não podem ser preenchidos por pessoas que apenas assinam um cheque e levam um vestido para casa para aparecer na festa. Madrinhas , precisam ser mágicas e fazer com que a Noiva se sinta linda, cercada de pessoas fantásticas. 

O dia, os amigos, os padrinhos e o noivo precisam ficar na lembrança dela, como seres inesquecíveis, imperdíveis e inimagináveis... 

Casamento , para mim, tem que ser assim... com todas as pessoas envolvidas, fazendo tudo para que a NOIVA seja a moça mais bonita e mais radiante, naquela dança, onde ela escolheu o menino mais bonito do mundo dela, para dizer "sim, eu te aceito"




“Festejar é celebrar a felicidade. 
Essa coleção tem um clima de fábula, com vestidos longos, 
suaves e românticos, como num sonho.” 

 Lino Villaventura

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Céu e Sol

Sidney 2010

Quando ele nasceu eu já existia. Mas, ele sempre foi mais velho do que eu, e tenho imenso respeito por sua barba, mesmo que ela não seja branca...

Brother, my love.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dia de criança


Eu não tenho filhos, tenho sobrinhos. 

Sou daquelas tias que não chega querendo beijar (porque isto faz com que criança corra) , eu chego já perguntando "quero saber quem é que vai me encher de beijos!" e acreditem... eles me derrubam no chão de tanto beijar... 

Amo muito tudo isto!

Eu adoro crianças. Sejam meus sobrilhotes reais, sejam meros desconhecidos. Tenho, talvez, a doçura necessária para conquistar estes pequenos seres ... e confesso, meus instantes mais verdadeiros, onde sou mais eu mesma e me sinto repleta de uma imensa e indizível felicidade é quando estou ao lado de um tantinho de gente assim...

Eu converso com crianças que choram em super-mercados, eu ajudo criança que cai em playground, eu não me importo com os adultos... criança para mim, vem sempre em primeiro lugar.

Na casa da minha mãe, eu adoro encontrar TODOS os meus sobrinhos (casa de vó boa é assim, reúne todo mundo no mesmo lugar). Gosto de me dedicar a escutá-los, gosto de agarrar e agarrar e agarrar, gosto de levá-los para a cozinha e fazê-los se sentir importantes (mesmo que seja para comer todos os brigadeiros enquanto enrolam em suas pequenas mãos bolinhas de chocolates), gosto de deitar na rede e fingir que tenho medo de altura e eles sentirem que são corajosos porque me seguram... eu nasci para ser tia, tenho certeza.

Minha sobrinha Sabrina foi a primeira que chegou: gatinha demais, querida demais, minha amorinha, minha xodózinha, minha andorinha. Eu sem ela, não faço verão... ela me alumia, sempre alumiou, e meu maior desejo é que esta guria seja uma moça-estrela-guia, pra brilhar por aí... iluminando tudo, se iluminando toda! Agora, não se sente mais uma criança, é garota rock'roll. Com 13 anos, dois beijos na boca, cabelo preto, piercing e um corpo perfeito... é moça... "sou moça, tia!"... "é sim, minha magrela, é moça sim, é minha eterna bonequinha" .
Sassá - 04/09/1997 - 13 anos

Meu sobrinho Gustavo Henrique foi o segundo que veio: veio arranhado (se arranhou todo ao nascer), veio gritando (chorava que dava gosto) e veio com uma inteligência e uma criatividade fora de série. É um pião, um furacão, arrasta tudo com ele, solta ótimas tiradas, tem raciocínio rápido e me surpreende sempre com as mais hilárias descobertas... Com ele não tem slowmotion, as emoções se atropelam, ele fala, dança, pula, inventa e se transforma sempre no herói da vez (agora é o Ben 10, mas já foi o spider-man, homem-aranha não... até chorava se diziam que ele era o tal do homem-aranha... já foi o Batman, enfim, fantasia é o que não falta pra vestir este super-herói!). O próximo será o Capitão Cueca, tenho certeza! É capaz de trazer um pirulito de beijo porque sabe que "você gosta muito, né tia sonha ?" ou pegar uma flor na rua e colocar no meu cabelo "mas, não vai perder, heim ?" . Para mim ele será sempre um trenzinho elétrico... a todo vapor e me fazendo ver a vida de uma janela nova, colorida e divertida...
Gugu - 31/10/2006 - 4 anos

Meu sobrinho Felipe Dourado é meu bogodão-doce (é assim que ele diz). Foi o terceiro que chegou e desde o primeiro instante em que o tive em meus braços, sabia... ele seria todo poesia. É meu denguinho, é meu branquinho, é meu cabelinho loiro...  Com ele tudo é "inho". Ele tem o sorriso mais doce do mundo, ele é todo cheio de meiguices. Até completar um ano de idade, só chorava... nem comigo se soltava... mas, eu insistia, beijava, cheirava, até que ele derreteu e hoje quando eu chego tenho vontade de prender em meus braços e não soltar nunca mais. As máximas do Fefê são quase minimalistas , tipo ele assistir desenhos japoneses na tv e pensar dias e dias e depois chegar para a professora do jardim e falar "Professora, eu sei porque você inglês... é porque você foi para o Japão, né ?"  Ele deve ter ficado corado ao tomar esta coragem, porque ele é fofo assim... O Fefê pra mim, será sempre meu Tuperman (o super-man, é claro) , igualzinho ao personagem. Tímido, como o Clark Kent e heróico, ao mesmo tempo. Tenho certeza que ele será meu poeta preferido, meu Vinícius ou o insuperável Manolito, e salvará meu mundo real de toda  as mesmices imaginárias...
Fefê - 16/04/2007 - 3 anos

E, como se sobrinho pouco fosse bobagem, eu ganhei também a Tetéia por estes dias (não tem nem um mês e já me faz pensar que para ela o mundo ... será grande... tão grande quanto seus sonhos). É filha da minha prima Amanda, que só a teve, por querê-la muito e muito e muito. Todos os diagnósticos diziam que seu tempo havia passado, mas quem disse que a ciência explica tudo ? A vida é um mistério inimaginável e a doce Ester está aí pra provar que tudo é possível e por este pedacinho de gente, meu coração sorri por dentro, tão feliz que nem posso descrever...

Tetéia - 14/09/2010 - 1 mês

E, além desta família mirim linda que tenho, ainda ganhei o Murilo e o Bruno (que já são dois rapazes!) sobrinhos do meu marido, tenho duas afilhadas que apesar de amá-las vejo muito pouco (a Carolinda e a Daniela), a Nina (da Micheliny Verunscky que vi nascer virtualmente) e os filhotes de um monte de amigas que quando encontro... tenho vontade de levar todos comigo!

Nasci assim, moça-de-criança, e meu mundo é repleto de riquezas incalculáveis...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Vida bailarina



CARNAVAL DE ARLEQUIM (Miró)
Drummond

"Descobri que a vida é bailarina 
e que nenhum ponto inerte 
anula o viravoltear das coisas"


A gente não sabe como as almas se encontram, como os olhares se cruzam e como a vida pode ser escrita de uma forma inimaginável. Às vezes, é preciso darmos a volta ao mundo para reencontrarmos o caminho do amor. Às vezes, o amor chega num encontro inesperado, não planejado. E, parece que sempre esteve ali, pronto para aflorar, para florescer, para virar piano à luz da lua, para virar rock'n roll em noites escuras.

Eu fui convidada para ser madrinha de uma história encantada. Destas, que Drummond escreveu como As Sem-Razões do Amor, Amar se Aprende Amando ou o Amor Passado a Limpo.

Eu disse sim.

Disse sim para uma garota cheia de vida, que sempre me recebeu sorrindo, que sempre me abraçou como se fosse carnaval e que sempre foi tão luminosa quanto as luzes de Natal.

Eu disse sim.

Disse sim para um moço que se apaixonou por esta moça em tempos imemoriais. Que a guardou no tempo e em seu coração e, um dia quando o acaso (mesmo que ajudado por outras pessoas) o colocou frente à frente a ela novamente, ele não hesitou em cativá-la e pedir a sua mão.

Eu disse sim, senhora Dona Querida Prima do Meu Amado Marido, dona Baratinha Débora Cavazin, que hoje é tão da minha família como nenhuma outra prima é.

Eu não sei em que momento da vida a gente ganha tanto de uma nova família, e se sente especial por estar assim, gravada num álbum de retrato, num momento mágico, numa dia inesquecível.

Ciro William estará comigo no altar para abençoar o amor de vocês dois e, como padrinhos que seremos nosso desejo será de que seja ETERNO o instante, que seja ETERNA a chama e que vocês sejam bem felizes, para sempre!



NÃO DEIXE O AMOR PASSAR - Drummond

"
Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.


Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor."

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Coracao de Baunilha

Eu sou moça de pequenas doçuras e travessuras. Colo bilhetes em agendas e escrevo poemas em rodapés de livros. Ainda hoje, escrevo com batom vermelho no espelho do banheiro, letras de canções para dar bom-dia ao marido em manhãs especiais. Desenho coração com flecha e leio mensagens que vem no envelope do açúcar União ("sorria mais" "invente menos problemas") enquanto adoço o chá devagarzinho...



Hoje, tenho menos sonhos, mas os que permanecem no campo do meu querer me fazem acreditar que meu coração é grande e o mundo inteiro cabe dentro dele.


Das histórias que criei para viver um dia, tem a que mais amo e creio que um dia irei realizar : ser a Moça do Beata de Bião.

Beata de Bião será meu café literário em Portugal!

Esta história é antiga e agrega um monte de delicadezas e até mesmo de ingenuidades (que não deixo ir embora, mesmo sabendo que podem ser irreais).

Beata de Bião nasceu no tempo da minha mãe, não dos sonhos dela, mas de apelido que ela teve na infância.

Minha avó (Ana da Glória) tinha muitos filhos (sete) na Fazenda onde morava com Miguel (meu avô). E, as meninas (cinco, entre elas minha mãe) não davam sossego à ela. Quando o dia não estava bom, minha avó ralhava e soltava todos os apelidos... tinha Jerimum Seco (tia Lú), tinha Vara de Furar Tripa (tia Dute) e tinha minha mãe : a Beata de Bião.

Beata de Bião era filha... de Bião. Moça que envelheceu sem casar (naquele tempo, uma desgraça em família) , que tinha os cabelos longos presos em tranças e usava um saiotão para ir à Igreja.

Quando minha avó dizia que minha mãe ia ser igual à Beata de Bião ela chorava de raiva e de medo. Ninguém queria, ao 13 anos, parecer com a Beata. Mas, Beata de Bião era moça prendada de deliciosos quitutes. Porém, como era reclusa e não recebia ninguém em casa para provar das suas guloseimas, tudo o que se sabia era o que se ouvia falar na pequena cidade de São José.

Minha mãe cresceu, se casou, teve filhos e até hoje quando lembra da infância, lembra da Beata com suas histórias fabulosas (do noivo que morreu na linha do trem, das delícias caseiras, do pai taciturno que fechava as janelas para não ver o sol nascer) e a lista é grande...

Portanto, quando meu café literário estiver pronto, dar-lhe-ei o nome de Beata de Bião e chamarei uma cozinheira prendada para fazer bolinhos caseiros para servir com chá de ervas fumegantes enquanto os transeuntes entram para folhear livros distraidamente, antes do sol se pôr.

E, Beata de Bião estará viva, não só nos "causos" contados pela minha mãe, mas na minha lembrança, de todas as histórias que me fizeram rir , enquanto eu crescia ao lado dela... com o coração cheio de doçura e saudade.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Hoje é dia de São João

hoje é dia do meu irmão!


Eu tenho um irmão de dar inveja. Tenho um irmão gêmeo nascido em outro ano, sob outro signo, sobre outros significados. Mas, que sente tanto o que sinto e que me faz sentir tanto o que ele sente, que nos sentimos assim: gêmeos.

Meu irmão é meu amigo. Amigo do peito, daqueles que sempre está por perto quando preciso e que sempre quero por perto , mesmo quando ele não precisa.

Dele, tenho tantas lembranças, que não me lembro da vida que tive sem que ele não esteja dentro dela. Era dele que eu cuidava quando era mínima menina (dois anos de diferença é quase nada na vida da gente!). Era ele quem brincava comigo nos vários quintais da nossa infância. Era com ele que eu colocava shorts curtos e quando chovia, jogávamos sabão no chão pra deslizar de barriga, dando de cara no muro (é verdade, a gente era feliz assim!). Era com ele que eu queria soltar pipas proibidas. Era com ele que eu comia paçoquinha de coração, maçã-do-amor e algodão doce. Foi com ele que eu fui para o pré, foi com ele que fiz catecismo, foi com ele que aprendi a ser tia (da primeira guria-sobrinha da família!), foi com ele que abri presentes debaixo da árvore em todos os meus natais, e com o qual estourei champagnhe nos mais estranhos anos novos; é com ele que cozinho nas páscoas da casa da minha mamãe e com o qual viajei nos mais distantes carnavais para a praia com chuva.

Meu irmão é meu herói, embora talvez ele nem saiba disto...

Eu sou a mais velha, mas me sinto a cria dele. Era eu quem o cuidava, mas o que sinto é que de mim ele sempre cuida. É bravo, não acreditem na cara de galhofa dele não... é honesto e correto (talvez o último moço honesto e correto que realmente eu conheço) e não deixa pra depois o que é pra "bronquear" agora. Com ele, não tem meio termo, as coisas precisam ser claras, sempre.

Eu respeito este moço e confio nele. Sei que em perigo a minha vida ele salva, nem que pra isto enfrente monstros e dragões. Sei que pra mim, ele arranca o coração do peito e me mostra o quanto de amor tem dentro dele.

Este moço é minha sina, é minha sorte, é meu guia e minha doce alegria.

É o irmão do meu meio. E dele, ninguém me tira, e de mim ele não se perde.

Quentão deveria ser o seu nome, eu penso, enquanto escrevo estas impressões da minha viagem ao lado da vida dele.

Tem uma música antiga da nossa infância que a gente cantava que era assim:

"Pai Francisco entrou na roda... tocando o seu violão bi–rim-bão bão bão, bi–rim-bão bão bão ! ... vem de lá Sêo Delegado e Pai Francisco foi pra prisão... e ele vem todo requebrado... parece um boneco desengonçado..."

Eu me lembro dele dançando e rebolando como o tal do Pai Francisco e sinto uma saudade imensa, um orgulho imenso e um amor além da vida por este moço que é meu irmão, meu amigo, meu protetor, meu salva-dor.


Por isso hoje pra ele eu dou vivas:
Hoje é dia de São João... hoje é dia do Meu Irmão !!! 
Sidney Alves Dias, meu meio, meu gêmelo.

domingo, 23 de maio de 2010

Super Manolito

Felipe Dourado, o Super Man(olito) da Tia Sonha

Livro pra criança não precisa ser chato, nem ser repleto de dobraduras. Chega uma hora que os sobrilhotes crescem e eles querem mais ação!

Meu sobrinho Felipe LINDO Dourado é super-herói, sempre.

Agora é o Super-Man e nem pra tomar banho quer tirar a tal da roupa mágica. Já acorda vestido, quer dormir vestido e só não sai na rua vestido, porque minha cunhada provavelmente não deixa (se fosse eu, deixava!).

E isto me fez lembrar da série super bacana da Elvira Lindo (editado pela Martins Fontes) chamada MANOLITO.

Eu concordo plenamente com um dos títulos: Manolito é Demais!


"Um menino observa o mundo a partir do bairro onde mora. Ele conta tudo o que vê com as palavras que ouve dos adultos, nos filmes e na televisão. Ele se chama Manolito García Moreno, mas se você chegar ao bairro dele e perguntar – Por favor, conhece Manolito García Moreno? –, de duas, uma, ou a pessoa vai encolher os ombros ou vai dizer – Nunca ouvi falar. Pois todos o conhecem como Manolito Quatro-Olhos. Manolito conta suas histórias de um jeito muito legal. Ele gosta de ir com o avô para todas as suas aventuras, pois o avô compreende muito bem o seu neto. Sua mãe, por sua vez, não gosta das aventuras em que Manolito se mete, mas sabe que um dia vai ter que lidar com isso! Bom, agora você vai ter que descobrir sozinho o resto da história, pois o livro é muito legal. Este livro não tem idade para ser lido, pode ser lido tanto por jovens quanto por adultos." 

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Em algum lugar do passado

Foto: Gugu-sabe-tudo e Tia Sonha


"O prazer de ler é dobrado quando se vive com alguém com quem se compartilha os mesmos livros." — Katherine Mansfield 

domingo, 9 de maio de 2010

Mãe Menininha



Maria é minha mãe. 

Quando moça de pouca idade eu era, sempre achei que só parecia com meu pai e só com ele queria parecer  (os cabelos claros, os olhos verdes, a pele tal qual leite quente, a poesia urgente borbulhando pelo peito, a vontade inegável de fazer a vida mágica e de alumiar todos ao meu redor com pequenos instantes de eternidade)... mas o tempo me ensinou e me mostrou que a essência do meu ser é da minha mãe, e hoje, moça de mais idade, sei todo o caminho percorrido que me fez ser a meia-mulher-filha-amiga desta mãe tão menina.

Maria.

Simples assim. Moça bonita de antigamente, com cabelos longos e negros tal qual artista de telenovela. Com boca de passarinha, que assoviava sem parar, canções que até hoje sei de cor. Que me ensinou matemática com palito de fosfóros, que TODAS as noites antes de dormir me contava estórias e lendas antigas (e foram tantas e tão repetidas... porque eu pedia sempre as que mais gostava) e com a qual eu aprendi que a vida podia ser inventada, bastava querer, imaginar e sentir.

Maria não é de brincadeira, embora esteja sempre sorrindo.

Forte, firme e corajosa, me deu mais do que pedi nesta vida. Eu que nasci do seu ventre livre, impetuosa e cheia de vontades, sei do amor e das dores que esta mãe menininha dedicou a mim.

Não fui filha problema, não tive crises existenciais para sair de casa, não dei trabalho na escola , nem com moços bonitos, nem com príncipes-quase-encantados.

Mas, sempre quis ser mais. Mais de mim mesma. Mais, até do que podia.  Em lugar comum, eu não queria estar, eu precisava voar... o tempo todo... 

Foi minha mãe quem me deu chão, retidão, força e vontade de crescer sem atropelar ninguém. Foi a minha mãe quem fez os meus Natais mais bonitos, com presentes debaixo de árvores e ceias inesquecíveis, além de cabelos penteados, laços de fitas e cartõezinhos escritos à mão. Foi a minha mãe quem me ensinou o sentido da páscoa, a oração da Salve-Rainha e o prazer de cada detalhe, de cada pensamento. Foi a minha mãe quem fez todos os bolos dos meus aniversário de infância e cada parabéns era repleto de fotos e de imagens permanentes na lembrança. Foi ela, a minha mãe, quem me levou pra escola, pra faculdade e pra tantas viagens que nem sei por onde andam dentro de mim. Foi o amor dela, que alimentou cada desejo meu. De ser grande, de ser inteira, tal qual a artista do dia, do cotidiano que ela era... constantemente.

Não tenho filhos, não sei o que ela sente ao me ver. Não sei o que é ser mãe e sentir as dores, e doar amores, e querer tanto bem até se esquecer de si própria. E, talvez por não ser, por não saber e nem sequer imaginar a extensão deste laço sagrado que nos une é que lhe dedico tanto afeto, tanto desejo de que na sua vida mãe... eu esteja sempre presente. 

Não hoje, DIA DAS MÃES, mas todos os dias, no dia-a-dia, como sua filha.

Eu te quero bem moça-maria-menininha, tanto tanto que tenho a sensação de que tua mãe agora eu sou. E quero cuidar do teu dia, das tuas horas e da tua felicidade. Teu riso me contagia, tuas ligações diárias, tuas estórias, tuas tristezas e alegrias, fazem a minha vida ter mais sentido, mais centro, mais direção.

Você cada vez mais é maior dentro de mim. E, se hoje, estou aqui é porque você me quis, me desejou, me cuidou e me trouxe pra este mundo, pra teu colo, pra tua vida.

Você me deu tempo, me deu espaço, me deu Pai, me deu irmãos, me deu família... e não há nada, em lugar nenhum, que seja maior do que isto.

Mã, obrigada por me ter feito esta moça-de-tanto-bem-querer, que aqui está hoje desejando apenas que você viva por muitos e muitos anos pra fazer a HISTÓRIA desta família, viver pra sempre.








Oração de Mãe Menininha

Dorival Caymmi

Composição: Dorival Caymmi
Ai! Minha mãe
Minha mãe Menininha
Ai! Minha mãe
Menininha do Gantoise
A estrela mais linda, hein
Tá no gantoise
E o sol mais brilhante, hein
Tá no gantoise
A beleza do mundo, hein
Tá no gantoise
E a mão da doçura, hein
Tá no gantoise
O consolo da gente, ai
Tá no gantoise
E a Oxum mais bonita hein
Tá no gantoise
Olorum quem mandou essa filha de Oxum
Tomar conta da gente e de tudo cuidar
Olorum quem mandou eô ora iê iê ô